sábado, março 29, 2008

Filosofia da Trincheira ll

Colocar as coisas em termos de certo e de errado, de verdadeiro e falso é uma tara nossa, tanto por parte dos imoralistas como por parte dos senhores defensores do ideal. Pretendo sair dessa esfera "teologica", pretendo descrever cada coisa de uma forma totalmente pessoal, mas ou menos como Max Stirner fez no único e sua propriedade, deixando explicito na narrativa o meu interesse em relação as descrições que ofereço, e não obstante, vinculando esse interesse as minhas relações com o mundo, com as pessoas e tudo o mais. Dessa maneira, creio, minhas esperanças em relação a como as coisas "deveriam ser" não estariam fundadas na nessecidade nem na verdade, mas apenas na finitude e na minha propria experiencia pessoal, no meu desejo de gozo e de criar o mundo "a minha imagem e semelhança". Assim evitaria a critica sebosa dos idealistas contra o egoismo, e a limitação, a falta de criatividade e o ressentimento dos "imoralistas". O mundo é "caotico"? é que as pessoas ainda não aprenderam a tornar suas relações prazerosas e não contraditorias livrando-se do vocabulario metafisico-cristão, apostando na propria auto-suficienciia e exigindo um minimo de certezas praticas. "Romantismo Pragmatico" é assim que José Crisostomo chama essa filosofia, eu prefiro chama-lá "filosofia da trincheira," para acentuar o carater de risco, responsabilidade pessoal e incerteza que envolve uma vida assim, e não obstante, a alegria e o gosto pelas coisas doces e simples que, em geral, só conhece aqueles que provaram o gosto das batalhas .

quarta-feira, março 19, 2008

Diário de guerra blues.

Desperto, mas não curado
me levanto do quarto quente
com o rosto amarrotado.
na cama ela dorme ainda
caida e encantada
o corpo moreno enroscado
na almofada
doi-me o corpo cansado
da hora extra, noite adentro.
Minha mão lateja e meu peito:
Um poço de excremento.
Ela suspira e murmura
sonhando linda
perdida em campos de flores
sonhando ainda.
UM banho, ouvindo cash
na prisão de folson chorando.
Café, pão e a loucura
no canto do fogão espreitando.
A pele dela tão linda
brilha ao sol nascente
A curva convidativa do seio
seu halito tão doce e quente.
A surrada camisa escura
só de preto consigo lutar,
Na imensa loucura da guerra
eu saio para revidar.
Novas instancias da crise
sem pensar em desistir de tentar
eu deixo minha alegria dormindo
espremo o gatilho sentindo
A força que seu sonho me dá.

sábado, março 15, 2008

Filosofia da trincheira

Há uma nessecidade imensa de riso pelas ruas ! E a natureza compensatoria do prazer me leva a suspeita do tragico destino que se move por tras das cortinas da toda essa alegria. Na verdade é irrelevante questionar tudo isso quando viver a propria vida já impõe tantas questões cruciais, o que ocorre do outro lado do muro não interessa senão até certo ponto, e somente em função da minha própria vida e dos propositos que a orientam. Filosofia da trincheira: Cada um que se ocupe dos própios passos e viva da maneira como deseja, pagando por isso o preço devido.

domingo, março 02, 2008

Cansaço.

Estar cansado....
Com a luta vã pela defesa dos restos
e a perspestiva razoavel em meio a pequenez.
talvez existam coisas doces e simples
beijos serenos e sem magoa
casas arejadas, mulheres sensatas e algum emprego que não me afogue
na merda.
sim, talvez exista alegria.
Eu posso até saber como ela acontece e perdura
mas somente lá fora, meu bem.
mas somente la fora, meu bem.
aqui somente o cansaço, a espera, a dependencia
e o desperdicio
de tudo.