quinta-feira, agosto 28, 2008

Balada do desespero e da batalha.

Buracos na estrada, meu amor.



Guardemos as migalhas e os resquicios



do que temos



para um amanhã incerto.



A garra e o pavor se esgueiram



a peçonha da maldade



nos persegue,



Edificios no horizonte,



avaliações e prazos,



Numeros, papeis, trovões, morte



desespero.



As portas entreabertas e os



olhares,



terriveis arvores secas e locomotivas mortas



em meio ao caminho que não nos leva a parte alguma.



que não nos levam



a parte



alguma.



Corre minha pequena,



carrega minha arma



prepara nossa mala,



Essa noite fugiremos



antes que a onda se levante e engula nossos sonhos



se eles não tiverem sido estraçalhados



por nossas proprias mãos



covardes .

quarta-feira, agosto 20, 2008

Cortinas

Nós não sabemos onde chegar
e na verdade puco importa.
As cortinas cobrem os viadutos a as auto-estradas
e o experimento geral do mêdo não termina.
Estamos todos em acordo com relação a esse ponto:
Que permaneçam os dedos costurados
e que as palavras não digam coisa alguma
para que cheguemos satisfeitosa terra cinza do sucesso
do êxito
e da frustração final
Esse é o unico fundamento
dos pedidos de desculpa
e das privações
do amor abnegado e do grito indignado
sucesso êxitoe a frustração final.
PAra exaurirmos satisfeitos nosso sopro breve
felizes de que descemos abraçados
em trincheiras diferentes
de uma batalha universal.

domingo, agosto 10, 2008

Um longo caminho

Ninguém sabe como começa. Quando cada um de nós se dá conta já é tarde demais, só resta seguir em frente. Não é um passeio, nem uma escola. Trata-se de uma expectação constante, uma observação sem conclusões ou uma guerra infindavel. Não podemos nos esquivar. Cada um de nós está sozinho. Tentando obter êxito a qualquer custo, cada um dispõe a principio só de si mesmo e do que faz disso depende todo resto. Há tantas estratégias quanto pessoas no mundo e ninguém é inocente, isso nos irmana e nos afasta. Gostariamos de legitimar nossas pretensões de êxito, mas não existe nada de ilegitmo ou de legitimo. Tudo que há é a luta e a tentativa de dela evadir-se, que também é luta, e a consciência que nada mais é que o risco que essa luta acarreta.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Sueno con serpientes-Silvio Rodrigues

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Uma peróla do genuino romantismo latino.

Finitude.

Como um náufrago me encontro diante dos teus olhos
E dos teus desejos.
Quase sem recursos, sem palavras luminosas e sem a fúria necessária
Para ser acreditado.
As nuvens não respondem, elas apenas carregam a água e os trovões
E o sol não nos ajuda, ele apenas traz a sede e a consciência de nossa caminhada
Por isso estou diante de teus olhos sem palavras e sem gestos
Sem querer subtrair uma vírgula ao texto inacabado
Nem erguer-me mais que o indispensável para conseguir sobreviver.
Meu bem, estou diante dos teus olhos.
Será que voçê pode suportar e sustentar-se
Sem reduzir nem macular
O copo de café e a sentença que define
O beijo de amor e a ferida que nos acompanha?
Ah querida, silencia enquanto o tempo escorre
Pelas nossas rugas e pelos nossos devaneios
Silenciosas confissões de nossa finitude.

Jesus numa moto-Zé rodrix

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