segunda-feira, abril 27, 2009

É impossível achar palavras para descrever o que é necessário para aqueles que não conhecem o horror. O horror tem um rosto...e você deve ficar amigo do horror. Horror e terror moral devem ser seus amigos, do contrário são inimigos a temer.


Marlon Brando (Coronel Kurtz) Apocalipse Now

domingo, abril 26, 2009

Habeas Corpus para Juan Leon

Juan Leon tem um girassol que padece
e registra suas petições e reclames
sem obter resultados ou corpos.
Juan Leon está só
em um sentido que ultrapassa a física,
Juan Leon está vendado, atado, amputado,condenado,
com o único sonho restante dissolvendo-se
em um redemoinho insano de desmaios, desafeto e paradoxos.
Juan Leon estende a mão para a aurora
mas ela está com a mão ocupada
segurando um x-burguer
com o seio imenso escapando pela camiseta
indiana.
Juan Leon não está surpreso pois
Os arcanos previam,
Os Aurivedas previam,
Nostradamus previa,
O psicanalista obeso que estacionou o carro importado sobre seus pés previu,
Todas as merdas de passarinho que tombaram sobre seu rosto impotente
desde a primeira masturbação solitária previram
TERIA QUE SER DESSA FORMA.
Mas ele tentou reverter a jogada apostando mais alto
em uma rodada de cartas contra um Royal Straight Flush
enquanto toda a mesa entregava as pontas.
Juan Leon é um caso confuso,
um insucesso aplaudido,
que permanecerá contestando
o ruído das dobradiças
e a progressão geométrica da dor.

sábado, abril 25, 2009

sábado, abril 18, 2009

Pais e FIlhos

Quando eu era um adolescente vagando pelas paisagens devastadas do subúrbio, gastava o meu tempo entre os esportes de rua, investidas mal-sucedidas a garotas e bravatas com alguns amigos na esquina. Eu era o rei do escárnio, da maledicência e da picardia; No mais era uma garoto muito mais inofensivo e tonto que os demais. Todavia, sempre exerci um papel bem marcante nas rodas de bate papo, dominó e baralho. As mães dos outros garotos tinham algeriza da minha pessoa. Consideravam-me, via de regra, má influência. Demasiado livre, demasiado solto e sem amarras, e o pior: sem uma mãezinha para me puxar as orelhas. Na época, creio que isso era bem doloroso. Não podia ir a casa desses meus colegas, precisa aguardar que saíssem para tratar dos planos para o próximo jogo de cartas, a próxima partida de volei e outros arranjos com os quais me ocupava para ocultar minha falta de meta ou propósito.
Hoje olhando retrospectivamente eu vejo o quanto a minha inveja era injustificada. A maioria dos meus amigos se dividiu entre três rotas de vida que são para mim igualmente feias e sem gosto como bocados velhos e frios de pão sem manteiga. Alguns deles ainda moram com suas famílias ou mães. Tornaram-se perpétuos apêndices da mentalidade gregária que a familia geralmente representa. Outros seguiram exatamente o caminho traçado pelos pais e perderam com isso a confiânça neles mesmos. Suas vidas são uma copia fajuta do que seus pais foram e, eu acho, ninguém convive bem com isso. Mas o pior caso para mim é o daqueles que passaram tanto tempo mentindo para os pais, fazendo-os acreditar que eram aquilo que eles queriam, que perderam completamente a capacidade de lidar com a vida de peito aberto, sem enlamear tudo que tocam, e sem a capacidade de encantar-se definitivamente com as coisas. É o que R.D Laing chama de vínculo duplo. Venera-se alguém e essa veneração implica negar alguns anseios e pulsões. Mas para negar nossos anseios sem nos negarmos a nós precisamos acreditar que o objeto de nossos anseios não é digno deles, pois são sujos, feios, maus, falsos, mentirosos e etc.
Assim venera-se o que não satisfaz e o que poderia dar satisfação se odeia.
É claro que tenho minhas patologias e desesperos (basta ler rapidamente esse blog para perceber) mas existe algo que para mim está para além da alegria ou da dor, é a criatividade e o heroismo pessoal. Naõ creio que essas vidas que listei tenham qualquer traço desses valores.

quinta-feira, abril 16, 2009

"Mulher mata marido, irmã e sobrinha."

"A delegada Rosane de Oliveira revelou os detalhes do crime que chocou a comunidade de Novo Hamburgo nesta quarta-feira. A empresária Roselani RadaeliAvila, 45 anos, matou o marido Flávio Machado D´Avila, por volta das 5h38 de terça-feira, para evitar ser internada em um clínica devido a um quadro de depressão."
Extraído do Jornal o Diário de Canoas 15/04/2009
Mais uma vez nosso conhecimento acerca do que convencionamos chamar de limites morais para a ação humana revelam-se insuficientes. Mais insuficientes ainda revelam-se também nossas pretensões de justificar esse sentido ético por recorrência ao que denominamos de "essência humana". Para tentar reconstruir e cimentar o abismo que abre-se sob os nossos pés ao refletir sobre essa tragica situação, os psicológos, sociológos, psiquiatras e criminalistas irão, certamente, falar bastante e talvez convençam as massas que tem sede dessa desculpas como o beduíno tem de Água. Todavia as conversas nas ruas ainda revelam que o emplastro dos especialistas por enquanto ainda não cicatrizou a ferida na consciência ética da multidão. Como explicar, sustentando nosso senso do que é um ser humano, a situação na qual sem um motivo minimamente consistente uma mulher mata fria e calculisticamente uma mãe que também era sua irmã, uma criança que também era sua sobrinha, e um homem que era seu marido. Com três cortes secos feitos a faca ela ceifou a vida daqueles que ela mais deveria amar e nós, que nos consideramos "normais", precisamos encontrar uma explicação, um motivo, algo que pudessemos imaginar que nos levaria a fazer a mesma coisa se estivéssemos em seu lugar.
Temo ter que dizer que não temos essa explicação. A grande quantidade de fatores que interferem sobre a ação e a deliberação, desde a necessidade material às necessidades psicológicas e simbólicas inviabilizam, penso eu, uma explicação no sentido lógico-metafisico como estamos acostumados. O amor é uma palavra que usamos para legitimar nossa dedicação a algumas pessoas pessoas mesmo a custa de prejuízos para nós; Bem poderia, por outro lado, ser considerado também uma loucura e um disparate causar uma dor ou abrir mão de um gozo por outro indivíduo. Mas somos assim, na maioria das vezes, e outras pessoas também o são e por isso nos sentimos legitimados nesse nosso comportamento, mas isso é apenas uma questão estatística.
O fato é que não sabemos se há ou não limites, regras e fatores determinantes para o comportamento dos indivíduos, nem como o trabalho, a história e o quotidiano destes interage com as suas escolhas e preferências. Mas vivemos em uma sociedade que precisa de seus mitos para conseguir coexistir. Um deles é o da "normalidade psíquica" o outro é o que que qualquer ser humano sadio só age com propósitos racionais". Ouvi dizer que depois de certo tempo na corporação ou no exercito alguns policiais e soldados passam a ter uma espécie de compulsão gratuita pela violência e até mesmo pelo desejo de matar. Mas se a sociedade precisa de soldados e policiais o que fazer? Bom, o melhor é acreditar que os indivíduos que praticam tais atos são doentes e casos a parte.
(...) Não importam as explicações, precisamos seguir vivendo.

terça-feira, abril 14, 2009

Meus sentimentos sobre a maioria das pessoas.

Valhacouto de marginais! Filhos de meretrizes soezes! Sibaritas! Porcos nefelibatas! Corruptos corruptores! Ladravazes, ladroaços, ladravões e ladronaços! Mequetrefes! Vira-bostas! Apedeutos! Mefíticos! Mentecaptos! Rufiões! Cáftens! Proxenetas! Caraxués! Tuberculosos cerebrais! Boçais e boçaloides! Bunodontes! Peçonhentos! Relapsos! Contumazes! Mussaranhos! Obnubilados! Patetas! Patuscos! Pancrácios! Vacuns! Torpes! Insidiosos! Melífluos! Caras-de pau! Pérfidos! Falsos varões de Plutarco! Sepulcros caiados! Filisteus! Traidores! Sacripantas! Maquiáveis de subúrbio! Provincianos! Fariseus! Crápulas! Vândalos! Cafonas! Bregas! Gonorréicos! Disentéricos! Excrementiformes! Equinococos! Larvares! Alvares! Patetas! Bucaneiros! Bifrontes! Sofistas! Cínicos! Bufões! Merdosos! Sicofantas! Songamongas! Genocidas! Embusteiros! Parasitas! Coprófagos! Vampiros! Estupradores! Sodomitas! Prostitutos! Delinqüentes! Marginais! Narcotraficantes! Criminosos! Tintureiros de dinheiro! Rapaces! Predadores! Velhacos! Ali Babás! Nauseabundos! Prepotentes! Arrogantes! Preguiçosos! Furrecas! Jurássicos! Coliformes! Estelionatários! Bonifrates! Mambembes! Boquirrotos! Apocalípticos! Covardes! Vendidos! Comprados! Traiçoeiros! Formadores de quadrilha! Vendilhões! Cínicos! Mentirosos compulsivos! Abortos da natureza!

Desespero cuotidiano (como permanece atual)

Manhã estúpida depois do sono e o banheiro
cheirando a vomito e desespero...
Não foi um sonho.
Cheiro de café,oração matinal, pássaros cantando,
e Deus em seu trono rindo
obsceno.
está ficando
pior...
8 horas imensas esperando
para engolir minha alma,
o açougue gelado,
o riso amarelo das velhas,
querendo o melhor pedaço de carne.
Eu e outros fracassados
golpeando com força e retirando a vontade de viver
das tripas da morte para sair rastejando aos últimos raios
moribundos do sol
sem ninguém para contar
o quanto é difícil....

sábado, abril 11, 2009

A dor e a percepção da dor.
As portas precisam estar livres dos batentes e
a gravidade cuotidiana das coisas pressiona para fora um milhão de inquietos anseios.
Eu questiono meu sonhar
e as imagens que borbulham da cabeça
após um dia de trabalho & sangue.
O medo acossa o batalhão das taras
e a sede do prazer não é um impulso claro
e nem sem contrações nervosas que esgotam nossa singularidade.
Mas eu, que me escrutino na perspectiva do atrito indispensável para prosseguir desperto daquelas confusas alucinações e me pergunto...
Onde nos furtaremos ao golpe sangrento da ânsia
e do anêlo evidente de ser?

sábado, abril 04, 2009

Politica, cultura e intelectualidade no Brasil.

O panorama politico, intelectual - cultural brasileiro oferece tanta variedade quanto nossa fauna. Nesse quesito podemos nos orgulhar de ser a maior democracia da América latina, não só em tamanho mas também em variedade. vejamos algumas características desta nossa diversidade tão original . Começarei pelos políticos: como é normal no imaginário cultural de um pais que ainda não livrou-se de sua tríplice herança católico-tribal-feudal, no Brasil a actividade politica é exercida com um espírito muito pouco profissional. Politica, na maioria dos casos, é uma prática sacerdotal, esotérica, envolta em uma aura de mistério, onde os "irmãos da ordem"(do dinheiro) protegem uns aos outros, enquanto o público que os elege e é por tais sacerdotes surrupiado cala-se e venera como convém fazer em assuntos religiosos. Ou então desdenha destas pessoas (como nossos avós faziam pelas costas dos padres ao final das missas) mas sem fazer nada de positivo acerca delas.
Com relação ao panorama cultural a variedade é tão grande que eu precisaria escrever mas do que já fiz até aqui nesse blog e não conseguiria tal façanha, vou citar apenas alguns poucos elementos desta. Quem já morou em um subúrbio pobre de Salvador vai entender do que falo. O primeiro aspecto que quero ressaltar é a falta de preocupação com o próprio destino. Os jovens vivem até a maturidade na casa dos pais e se as oportunidades são poucas, por razões que conhecemos bem, eles as tornam ainda menores com algumas inclinações nada pragmáticas. A primeira delas é o ancoramento no solo materno e paterno. Fico bestificado como os jovens que tenho conhecido nas periferias reluta em sair dali. Os vínculos familiares ancoram os indivíduos em seus lares, os vínculos sociais estimulam a repetição, a padronizarão e as vezes as únicas opções possíveis são: tornar-se protestante, criminoso, pai de família sub-remunerado ou militante de esquerda. Isso sem falar das contradições inseridas em nossas praticas comunicativas, o machismo ralaaxerecanoxão, o pessimismo nadavalenadafoda-seosistema e etc, etc, etc.
Com a intelectualidade brasileira não é diferente. Ainda mal recuperada da embriagues do idealismo marxista (muito necessária em certas circunstâncias) saudosa do encantamento medieval e rancorosa em relação a vida mediana, nossa vida intelectual nos oferece um curioso (mas nada novo) painel. A critica pela critica, a pouca disposição em assumir demandas realizáveis, a compaixão pelas massas mas sem sequer sonhar em ocupar as mesmas fileiras que essa mesma massa que pretende defender. Além disso existe a ideia de que ser intelectual é ser critico, radical e profundo. Valores que o cristianismo já havia incorporado ao seu catecismo.
Enfim, ficaria listando essas e outras manias por horas, mas basta olhar para os lados para perceber que nem conseguiria fazer a metade deste imenso trabalho.

quinta-feira, abril 02, 2009

O confronto (fragmento III)

Coloco os óculos, o boné pego as chaves e estou pronto para a loucura de de novo. No leito ela ainda dorme enroscada na almofada com um sorriso iluminando sua face linda. Pois que repouse enquanto puder, ao despertar cada um de nós que atender as reivindicações do horror. Desço pelo elevador social e o porteiro me cumprimenta desconfiado, a viatura com outros agentes me espera na saída do prédio. Eu sei o que as pessoas pensam sobre os policiais. Em sociedades virtualmente guerreiras soldados são venerados. O lavrador, o comerciante e até mesmo o religioso; Todos eles sabem que suas vidas dependem do trabalho insalubre daqueles homens estranhos. Mais meus vizinhos me temem pois a guerra que eu travo não está na fronteira, eu a trago para o batente de suas casas, porta adentro de seus lares. Eles temem a nossa face obscura que comunga com um lado da vida que gostariam de esquecer, mas invejam o fato de exercermos legalmente a violência que só lhes cabe dentro de limites. As putas balançam suas bolsas ao passarmos pela rua 28 para estourar mais uma boca de tráfico. è claro que já fodi umas duas ou três nessa região, mas as da orla são melhores, menos arriscadas e de farda elas sugam um sujeito sem cobrar pelo serviço. Mas porque foder algumas putas quando as gatinhas da universidade, doces e suaves oferecem suas vaginas, seus seios, sua alma diante da nossa farda e do nosso distintivo?
Somos recebidos a bala na subida da favela. A chuva assassina desce sobre os carros e os blindados adotam as posições de guerra. Alguns grãos de poeira serão soprados para longe hoje. Como um sedento amante empunho meu fuzil, desço da viatura como um raio e antes de me dar conta disso já estou espremendo o gatilho satisfeito. Esse é o meu trabalho.

quarta-feira, abril 01, 2009

Break fast de Sombra

Eu corro pelas ruas despido sob olhares que enxovalham, acossado pela vergonha que não poupa transeuntes, semáforos fechados, vizinhanças temerosas e o assassino que habita ao meu lado perturbando meu jardim.
Vejo oceanos negros onde bóiam nossos mortos, nossas casas de madeira se erguem sob a lama, escombros de sentença abraçam nossas vidas e eu tento me erguer e formular uma resposta que escoa entre meus lábios e tomba no silêncio e no vazio.
Boca costurada,
seráfico mistério,
amor de impotência,
compaixão universal por uma totalidade inexistente,
mahakaruna do absurdo,
Buda deserdado, sexo rasteiro gritado pelas ruas fode, trepa, tabaco, corno, puta, cachorra,Buceta,
Violentamente, violentamente, violentamente.
E seguimos cegos sem parâmetros para mensurar o nosso equívoco achamos gasolina, penduramos os sapatos e construímos setas pontes e embrulhos para conter a inquietude faminta que revolve entranhas derruba os governos e empunha armas
parado aí filhodaputaquevouteestouraracabeça
todos querem ver, todos querem... participar.
E a vida segue em seguida definhando até o gran finale tedioso ou o esmagamento súbito.
E ninguém pode se esquivar
e
ninguém
pode
se
esquivar.