quarta-feira, novembro 10, 2010

Tenho sido.

Tenho divagado, temido e suspirado.
Amado um pouco menos, compreendido um pouco mais,
Olhado a cor das coisas densas e me retirado através
De alguns discursos.
Sido jogado de um lado para o outro,
Como um rápido corcel a mercê do risco.
Enfrentado algumas obrigações, livros de estudo, noturnos de Chopin
e alguma sensação de falta de propósito.
Sobretudo eu tenho sido apenas um,
ou dois talvez e raramente três.
Tenho tido mitologias desastradas e projetos frágeis
Folhas de crepom para um jardim de acácias
E alguma poesia vaga saltando do meu peito.
Narciso assombrado com mudança e fome,
Penumbra de questões e afeto inconcluso.
Sobretudo permaneço de pé para o poente
Um peito forte estremecendo em lutos,
Um olhar cinzento que rebrilha e apaga,
Uma aurora clara que irá me concluir sem sustos.

2 comentários:

Aline Carvalho disse...

talvez compartilhemos de algumas sensações em relação a vida pelo que li de seu escrito, pelo menos a parte de tanto menos amado mais compreendido, no meu caso compreensivo, "noves fora" a poesia que não vaga em meu peito, porque nem mesmo passa longe, é o sentimento de flata de proposito parece ser bem parecido. e claro minhas obrigações de leitua se diferem das suas.
acho que você escreve bem, deveria ser escritor, eu acredito que leria a té o final algo escrito no seu estilo, e considerando que tem uma galera parecida comigo você teria um publico. RS...

Rammed disse...

És um homem reto, no sentido Reicheano do termo.