domingo, janeiro 18, 2009

Mêdo

As pessoas tem mêdo.
Erguem-se as baricadas e espelham-se nas multidões,
Epiderme de espuma montada sobre gravetos,
Por esse pequeno e asmatico motivo elas gritam
E gritam por esse motivo.
Atropelam-se nas exigências, retraem-se nos calabouços,
Erguem-se
No movediço.
Esperando,
Cobrando,
Vigiando,
Vingando-se com as unhas sujas
Da palavra.
Sim, as pessoas tem mêdo.
Mêdo de ser e de não ser,
Da grandeza e da pequenez
O peito exposto para o olhar subjetvo
E o ódio permante contra o que não estava lá.
Se denunciam no silêncio, estropiam pela força, revidam
De muitas formas
De muitas formas eles revidam,
Mordendo-se em bons bocados.
Em suas faces, em suas vozes, na afetação de seus sorrisos,
No resultado vaidoso de uma ponderação reticente,
Eles se mostram pra mim,
E mostram-me apenas mêdo.

3 comentários:

Rafael de Medeiros disse...

Grande inimigo que me congelou por anos e anos...

Rafael de Medeiros disse...

Não que eu esteja livre do medo. Mas sim da paranóia paralisante.

jorginho da hora disse...

Só os meus fantasmas não me assustam mais. O problema é que eles nunca vão embora.