segunda-feira, dezembro 08, 2008

A fofoca e a filosofia

Ainda mantemos como herança de nossos avós o hábito de comparar nossos destinos. Isso deve-se, creio, ao fato de algumas pessoas só conseguirem levar a vida adiante se acreditarem de alguma maneira que são melhores que as outras. Ainda que o que aqui eu chamo de "melhor" possa ter diversas aplicações, é no entanto um fato notório presente tanto nas fofocas das velhas comadres, na auto-promoção dos playboys através das suas façanhas sexuais ou mesmo no orgulho daqueles que acreditam-se mais fortes ou mais "realistas"que os outros. Não creio também que esse tipo de hábito seja um "mal" por si mesmo, é apenas mais uma opção entre tantas, mas que sempre vem recoberta de uma aura de superioridade que envolve quem o assume. Pode ser caricato visto de perto, ou pode ser muito útil quando se é um completo fracassado diante das próprias metas que sem essa crênça já teria estourado os próprios miólos(ou os alheios). Algumas religiões tem o mesmo efeito. Eu prefiro optar pelo que Richard Rorty chama de uma concepção Darwiniana do conhecimento. PAra tal concepção qualquer ideia ou postura visa unica e exclusivamente o bem estar de quem a sustenta. Logo, não existem ideias ou comportamentos melhores uns que os outros, todos atendem a necessidades pessoais que variam de um individúo para o outro. Nessse sentido, a "fofoca existencial" essa que tenta impor aos outros as próprias preferências seria apenas uma "hiperbole", um desejo de anular a vida privada alheia, submetendo-a a uma concepção pessoal de como o mundo deveria ser. Portanto, você que perdeu seu tempo lendo essas linhas, poupe-se de chamar o que eu escrevo de "ressentimento" ou "apologia do fracasso", há muito tempo parei de dar ouvido as comadres.

3 comentários:

Vassago disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vassago disse...

...É AQUELE VELHO MOLDE GRANDIOSO QUE SE É IMPOSTO...
"SEJA "ALGUEM" OU MORRA!"

jorginho da hora disse...

Leal,não sei quanto aos outros, mas eu sempre capitei corretamente suas idéias e sei que não é o resentimento que o faz escrever sobre essas coisas, mas sim uma necessidade pura e simplis de dizer o que realmente pensa ou o que considera importante dizer. e ATÉ CONSEGUE TRANSFORMAR ESSAS OPINIÔES EM ARTE. Não acho tambem que você faça apologia do fracasso. Aliás, voltando a essa questão (do fracasso) o que me aborrece é ver falsos fracassados como belquior, por exemplo, dizerem que são fracassados porque, lá no fundo, acham que mereciam mais do que realmente merecem. Quem é Belquior, afinal de contas, prá merecer mais do que ele tem. E por outro lado, esse não foi o caminho que ele mesmo escolheu para ele? Percebo que em certos casos é muito mais facil admitir-se fracassado do que adimitir-se incompetente ou preguisoso; Até porque o fracasso nem sempre é culpa sua, mas a imcompetencia ou a acomodação ou a preguiça, sim.
Gostária de me encontrar com vc prá falarmos mais sobre esse assunto, Aqui no blog a coisa fica meio capenga. Bom, enfim...

Um abraço, meu velho!