O pensamento é uma atividade muito tola. A autoridade é apenas um derivado dessa tolice. um subproduto que cultivamos cuidadosamente e que termina por nos esmagar dentro de um universo de tolice, loucura e rídiculo. Abrimos as comportas do poder. Inventamos a internet, a democracia, a bomba atômica e o triptanol 25. O mundo parece mais seguro e talvez seja mesmo. Longe de mim critica-lo. Todos temos agora nossa cota de poder. Um blog para cada feudo, uma musica para cada maldito mal-amado perseguido pela imagem de um pai ou uma mãe a quem precisa exigir amor, mesmo que essa carência esteja nas sombras. Ninguém pode fracassar, pois as raízes da vida encontram-se enterradas no lodo de um passado onde só existe fúria e pressão. A autoridade é a porta de saída que todos estão procurando. O poder é um dos nomes dessa autoridade. Não podemos nos dar ao luxo de baixar as armas, de olhar atônitos para o breve intervalo indizível que chamamos de momento.
Quinta-feira, Novembro 19, 2009
Quarta-feira, Novembro 11, 2009
Sobre o poeta
"A voz do poeta necessita ser não meramente o registro e testemunho do homem, ela pode ser uma das escoras, o pilar para ajudá-lo a subsistir e prevalecer.”
William Faulkner
William Faulkner
Sob uma colina olhando a cidade
Do interior de nossos dias no tempo
não sairemos inteiros.
Tocados pela garra do evento
não sairemos inteiros.
Amarrotados pela pressão externa do encontro
não sairemos inteiros.
Ninguém haverá de escapar
ninguém poderá exclamar
não existirão escolhidos
nada escapará ao ocaso
e a penumbra nos envolverá as pupilas
como um sopro de escuridão e tristeza.
O orvalho pendente nos ramos,
o brando descanso das pedras
e a terra finalmente deserta
coberta por um silêncio que lembrará um sorriso.
não sairemos inteiros.
Tocados pela garra do evento
não sairemos inteiros.
Amarrotados pela pressão externa do encontro
não sairemos inteiros.
Ninguém haverá de escapar
ninguém poderá exclamar
não existirão escolhidos
nada escapará ao ocaso
e a penumbra nos envolverá as pupilas
como um sopro de escuridão e tristeza.
O orvalho pendente nos ramos,
o brando descanso das pedras
e a terra finalmente deserta
coberta por um silêncio que lembrará um sorriso.
Segunda-feira, Novembro 09, 2009
Olhar
Talvez seja vão
como vãs são todas as coisas
para apreciar o seu corpo
para me saciar do seu olhar
nas indas e vindas incertas de um pulso
que lhe envolve a cintura para sussurar
eu te amo.
Para me afligir na distância
e iluminar-me na santa loucura
de encontros e despedidas
no espaço breve de nossas vidas.
que na verdade se chocam
famintas do que temos a dar
um ao outro em siêncio
no breve espaço de amar.
como vãs são todas as coisas
para apreciar o seu corpo
para me saciar do seu olhar
nas indas e vindas incertas de um pulso
que lhe envolve a cintura para sussurar
eu te amo.
Para me afligir na distância
e iluminar-me na santa loucura
de encontros e despedidas
no espaço breve de nossas vidas.
que na verdade se chocam
famintas do que temos a dar
um ao outro em siêncio
no breve espaço de amar.
Domingo, Novembro 08, 2009
Crepúsculo afetivo.
Quando ela escorre para outros abraços
é quando desesperado
me deparo comigo.
Me deparo com as coisas desarrumadas
com maus presságios e sombras nas mãos.
Entrar novamente nos cobertores sem ela
abandonar-me aos impulsos destrutivos
da poesia arrogante
que não cessa de me charfudar no remorso.
Quando a luz do olhar que ela me dá se esvai
e entra na noite
eu me esgueiro para o leito herdado
onde cultivo cuidadoso o meu fim.
é quando desesperado
me deparo comigo.
Me deparo com as coisas desarrumadas
com maus presságios e sombras nas mãos.
Entrar novamente nos cobertores sem ela
abandonar-me aos impulsos destrutivos
da poesia arrogante
que não cessa de me charfudar no remorso.
Quando a luz do olhar que ela me dá se esvai
e entra na noite
eu me esgueiro para o leito herdado
onde cultivo cuidadoso o meu fim.
Terça-feira, Novembro 03, 2009
Wu
O beijo da vida virá a mim
na forma imponderável de uma manhã
lilaz.
Eu me levantarei sobre os calcanhares para ver
os estádios esvaziados e a multidão silenciosa
a força do infinito e o punho do momento
a gritaria do pensar no salão do pensamento.
Enquanto estupefata você estará admirando
o sorriso inútil de um malmequer
cansado.
quando eu não mais temer a morte.
quando eu já não ambicionar a vida
quando o amor brotar do cume dos meus olhos
como uma super nova sem destruição
eu irei tomar a sua mão
e finalmente estar contigo inteiro.
na forma imponderável de uma manhã
lilaz.
Eu me levantarei sobre os calcanhares para ver
os estádios esvaziados e a multidão silenciosa
a força do infinito e o punho do momento
a gritaria do pensar no salão do pensamento.
Enquanto estupefata você estará admirando
o sorriso inútil de um malmequer
cansado.
quando eu não mais temer a morte.
quando eu já não ambicionar a vida
quando o amor brotar do cume dos meus olhos
como uma super nova sem destruição
eu irei tomar a sua mão
e finalmente estar contigo inteiro.
Domingo, Novembro 01, 2009
Calendário
Para passar nossos dias aqui estamos,
Espalhando palavras que não se juntam em frases;
falamos,
Erguendo super-mercados, ostentando igrejas, lavando carros
e nos unindo em cópulas cegas
para ensurdecer o vazio.
Para darmos origem ao tempo
Para que funcione um mecanismo de força
E uma lógica de intenções.
Faces enrijecidas e precoces vidas breves
Condenadas pelo ataque geral das coisas.
Na argila maleável que preenche os intervalos,
no limbo da vontade da qual emerge nossa dor,
no tateio resoluto através do qual me oponho;
Com uma proposição sentida no peito devastado
E com o pássaro que agoniza e se transmuda em
Gente
Eu firmo meu estado em meio a multidão.
Espalhando palavras que não se juntam em frases;
falamos,
Erguendo super-mercados, ostentando igrejas, lavando carros
e nos unindo em cópulas cegas
para ensurdecer o vazio.
Para darmos origem ao tempo
Para que funcione um mecanismo de força
E uma lógica de intenções.
Faces enrijecidas e precoces vidas breves
Condenadas pelo ataque geral das coisas.
Na argila maleável que preenche os intervalos,
no limbo da vontade da qual emerge nossa dor,
no tateio resoluto através do qual me oponho;
Com uma proposição sentida no peito devastado
E com o pássaro que agoniza e se transmuda em
Gente
Eu firmo meu estado em meio a multidão.
Quarta-feira, Outubro 21, 2009
Seda
Eu conheço uma garota da seda
com asas de bruma arrastada nos ventos
um fardo de dor e uma canção
composta em noites de lamento e cansaço.
Ela possui um olhar orvalhado
uma chaga divina e um passado confuso
de fendas a farpas fincadas na fé.
Ela se levanta e apanha uma flor
seu dedo envolve o caule do espinho
deixando a magia tombar na poeira
de um drama sem centro onde a plateia evadiu.
Domingo, Outubro 11, 2009
Tragicomédia em dois atos.
porque será que não fiquei surpreso quando ela me contou que teria que partir? Foi numa noite de segunda feira quando eu tinha acabado de chegar do trabalho, moído e cansado como sempre.
A fumaça do cigarro voava pelo ar e a musica do Hank Wiliams procurava me lembrar sobre o funcionamento das coisas. As vezes ela aparecia do nada, entrava pela porta da minha vida, ficava uns dois dias e sumia novamente, um estrondo de mulher. Linda como a aurora, doce, inteligente e (coisa rara) com senso de humor. Era casada. Seu marido era um intelectual menor, escritor de contos enfadonhos, filho de papai, liberal e pouco atencioso. Ela dizia que tinha sede de descobertas. Queria se permitir alguma coisa intensa como o que eu a fazia viver. Sabe, talvez você não entenda, mas sou um garoto da favela e quem vem de lá, se não morre cedo, aprende que nada de bom dura muito ou é dado de graça. Por isso quando me era dado o milagre de estar ao seu lado eu procurava dar-lhe o melhor de mim. É claro que uma hora a coisa ia desfazer-se como uma gota de orvalho exposta ao sol. A família, não sei exatamente como, a pressionava de muitas formas e talvez os sentimentos dela em relação ao casamento não fossem muito claros; uma mulher sem contradições não é uma mulher. As coisas vem e vão e depois de um bom número de perdas o sujeito já não tem energia para gritar contra o universo. Só quem perdeu pouco durante a vida ainda se queixa por muito tempo de um fracasso novo. Ela desapareceu na curva do horizonte deixando em seu lugar uma tristeza seca e sem recursos. Uma velha garrafa de vinho barato, há muito tempo na estante me olhou e eu retribuí aquele olhar. Retirei a tampa, dei uma golada direto no gargalo e a embriaguês foi se aproximando esguia e sedutora. aos poucos fui me convencendo que tinha sido apenas um delirio e comecei a rir compulsivamente. Realmente era bem patético um decadente como eu achar que aquela mulher poderia instalar-se entre minhas traças, meus delírios e demônios. Eu ri e gargalhei enquanto o vinho ia se esvaziando, mas não foi com o riso que meus lábios bebâdos adormeceram.
Quarta-feira, Outubro 07, 2009
A suspeita Parte I
Luciana debatia-se com a tarefas do seu lar. Tinha acordado cedo, levado os flhos para a escola, a preparado o almoço. Todavia, todo seu esforço para manter a casa em ordem até a chegada do seu marido tinha sido em vão; mais uma vez ele iria almoçar na rua. Seu coração premeditava alguma traição do Arnaldo, embora durante todos os anos de convivência ele sempre tenha se mostrado atencioso, afável e companheiro. "Afavel até demais". Ela pensou. Não seria isso também um sinal de traição? Essa dúvida lhe corroia as entranhas há meses. Como saber? Já revirara seus bolsos, carteira e até havia conseguido a senha do email de Arnaldo, mas nada de conclusivo. Apenas combustível para novas suspeitas. Perdia-se assim nessa diagações quando alguém lhe bateu a porta. Lavava os produtos do almoço e imaginou tratar-se de mais um vendedor que vinha lhe oferecer algum produto inutil para os seus propósitos. Qual foi sua supresa ao deparar-se com um sujeito muito elegante, vestido em um terno preto, de óculos escuros e com o cabelo penteado para trás.
-Boa tarde- Ele disse.
-Boa tarde- Ela respondeu desconfiada.
-Sou um prepresentante, e vim fazer-lhe uma irrecúsável proposta.
-Olha moço não estou interessada em comprar nada.
-Nem eu em vender senhora. Trata-se de algo muito mais sério e interessante- Falou isso como um tom jocoso, com um sorriso dissimulado que deixou a dona de casa apreensiva.
- Se o senhor é da policia....
-Nada disso - O homem de terno a imterrompeu continuou- Venho lhe fazer uma proposta. Trago comigo dois envelopes. Em um deles a senhora terá a resposta para todas as perguntas que for capaz de formular antes de abri-lo. No outro a senhora irá descobrir como ser feliz e ter uma vida tranquila. Todavia, devo lhe lembrar: ao abrir o envelope das respostas e outro automaticamente terá seu conteúdo convertido em uma página em branco.
-Olha se isso é algum tipo de brincadeira....
-Não é brincadeira alguma, nem lhe custará nada. Aqui estão os envelopes.
Estendeu os dois envelopes pardos na direção de Luciana que ainda atônita os segurou com incerteza. Em seguida o homem deu-lhe as costas e saiu. Luciana continuou parada olhando-o sumir-se na esquina. Ao se recobrar do susto o sistema corretivo de seu entendimento rapidamente a convenceu de que se tratava de uma brincadeira. Certamente uma piada de algum amigo ou parente. Isso não evitou que ela sentisse uma súbita compulsão para abrir os envelopes. Mas...E se ele estivesse falando a verdade? Seria Terrivel se ela perdesse a maior chance de sua vida. Mas, qual seria essa chance? Saber a verdade ou ser feliz?
-Boa tarde- Ele disse.
-Boa tarde- Ela respondeu desconfiada.
-Sou um prepresentante, e vim fazer-lhe uma irrecúsável proposta.
-Olha moço não estou interessada em comprar nada.
-Nem eu em vender senhora. Trata-se de algo muito mais sério e interessante- Falou isso como um tom jocoso, com um sorriso dissimulado que deixou a dona de casa apreensiva.
- Se o senhor é da policia....
-Nada disso - O homem de terno a imterrompeu continuou- Venho lhe fazer uma proposta. Trago comigo dois envelopes. Em um deles a senhora terá a resposta para todas as perguntas que for capaz de formular antes de abri-lo. No outro a senhora irá descobrir como ser feliz e ter uma vida tranquila. Todavia, devo lhe lembrar: ao abrir o envelope das respostas e outro automaticamente terá seu conteúdo convertido em uma página em branco.
-Olha se isso é algum tipo de brincadeira....
-Não é brincadeira alguma, nem lhe custará nada. Aqui estão os envelopes.
Estendeu os dois envelopes pardos na direção de Luciana que ainda atônita os segurou com incerteza. Em seguida o homem deu-lhe as costas e saiu. Luciana continuou parada olhando-o sumir-se na esquina. Ao se recobrar do susto o sistema corretivo de seu entendimento rapidamente a convenceu de que se tratava de uma brincadeira. Certamente uma piada de algum amigo ou parente. Isso não evitou que ela sentisse uma súbita compulsão para abrir os envelopes. Mas...E se ele estivesse falando a verdade? Seria Terrivel se ela perdesse a maior chance de sua vida. Mas, qual seria essa chance? Saber a verdade ou ser feliz?
A onda
No transportar-me de mim para o outro,
muito me perco a custo tão alto.
Perco a memória dos dias sem pão,
as noites imensas em que sustentei o combate
o silencioso valor da solidão cultivada.
As ruas ensinam lições
que as familias não podem ensinar.
As ruas ensinam que existem perigos
as ruas ensinam que existem sentenças
para cada aceno de afeto e auxilio
para cada deleite e encontro entre os corpos.
Uma vida de fardos, as cores da noite
e os vários amigos que foram esmagados
pela loucura.
Como dizer isso a elas?
como sintetizar na palavra a mudez
egoista de quem se vê diante de uma onda gigante
que descerá o seu punho sobre nossas cabeças.
Não haverão avisos...
Não existirão presságios...
E quem presenciou o processo não pode fazer conçessões.
muito me perco a custo tão alto.
Perco a memória dos dias sem pão,
as noites imensas em que sustentei o combate
o silencioso valor da solidão cultivada.
As ruas ensinam lições
que as familias não podem ensinar.
As ruas ensinam que existem perigos
as ruas ensinam que existem sentenças
para cada aceno de afeto e auxilio
para cada deleite e encontro entre os corpos.
Uma vida de fardos, as cores da noite
e os vários amigos que foram esmagados
pela loucura.
Como dizer isso a elas?
como sintetizar na palavra a mudez
egoista de quem se vê diante de uma onda gigante
que descerá o seu punho sobre nossas cabeças.
Não haverão avisos...
Não existirão presságios...
E quem presenciou o processo não pode fazer conçessões.
Sábado, Outubro 03, 2009
Diagnóstico.
Noites e noites para beber
E pouco tempo para aprender a jogar
Para saber que um homem precisa
Poupar os punhos, esquivar.
Noites e noites para beber
E pouco tempo para aprender a amar
Para devorar o desespero e a angustia
E conservar o brilho no olhar.
Noites e noites para beber
nenhuma placa para indicar
O caminho para os defuntos da praça
O ópio para os viciados do altar.
Noites e noites para beber
E quase nada para cobrir o luar
Para anestesiar a mordida dos fracos
O ressentimento dos que não sabem lutar.
Noites e noites para beber,
E apenas uma chama a queimar
A vontade faminta de vida
O desejo insano de estar.
E pouco tempo para aprender a jogar
Para saber que um homem precisa
Poupar os punhos, esquivar.
Noites e noites para beber
E pouco tempo para aprender a amar
Para devorar o desespero e a angustia
E conservar o brilho no olhar.
Noites e noites para beber
nenhuma placa para indicar
O caminho para os defuntos da praça
O ópio para os viciados do altar.
Noites e noites para beber
E quase nada para cobrir o luar
Para anestesiar a mordida dos fracos
O ressentimento dos que não sabem lutar.
Noites e noites para beber,
E apenas uma chama a queimar
A vontade faminta de vida
O desejo insano de estar.
Quarta-feira, Setembro 23, 2009
Poema - Charles Bukowiski
Uma breve reflexão sobre a democratização da arte.
é muito fácil parecer moderno
enquanto se é o maior idiota jamais nascido;
eu sei; eu joguei fora um material horrível
mas não tão horrível como o que leio nas revistas;
eu tenho uma honestidade interior nascida de putas e hospitais
que não me deixará fingir que sou
uma coisa que não sou-
o que seria um duplo fracasso: o fracasso de uma pessoa
na poesia
e o fracasso de uma pessoa
na vida.
e quando você falha na poesia
você erra a vida,
e quando você falha na vida
você nunca nasceu
não importa o nome que sua mãe lhe deu.
as arquibancadas estão cheias de mortos
aclamando um vencedor
esperando um número que os carregue de volta
para a vida,
mas não é tão fácil assim-
tal como no poema
se você está morto
você podia também ser enterrado
e jogar fora a máquina de escrever
e parar de se enganar com
poemas cavalos mulheres a vida:
você está entulhando a saída- portanto saia logo
e desista das
poucas preciosas
páginas.
enquanto se é o maior idiota jamais nascido;
eu sei; eu joguei fora um material horrível
mas não tão horrível como o que leio nas revistas;
eu tenho uma honestidade interior nascida de putas e hospitais
que não me deixará fingir que sou
uma coisa que não sou-
o que seria um duplo fracasso: o fracasso de uma pessoa
na poesia
e o fracasso de uma pessoa
na vida.
e quando você falha na poesia
você erra a vida,
e quando você falha na vida
você nunca nasceu
não importa o nome que sua mãe lhe deu.
as arquibancadas estão cheias de mortos
aclamando um vencedor
esperando um número que os carregue de volta
para a vida,
mas não é tão fácil assim-
tal como no poema
se você está morto
você podia também ser enterrado
e jogar fora a máquina de escrever
e parar de se enganar com
poemas cavalos mulheres a vida:
você está entulhando a saída- portanto saia logo
e desista das
poucas preciosas
páginas.
Terça-feira, Setembro 22, 2009
O relacionamento de Krishnamurti II
O banal é nossa vida. O prosaico é onde residimos. As sensações são a substância de nosso entendimento. Ansiar por algo mais do que isso talvez seja algo bem próximo de uma violência contra si-mesmo, mas é claro que eu posso estar enganado. Meus dias finitos, meus temores noturnos, a memória das dores, a voracidade das paixões, os acasos dos encontros: este são os campos onde colho a mim mesmo. Talvez eu ainda me imponha padrões e apenas por isso o arrependimento me encontre nas esquinas do depois. Mas isso não quer dizer nada. Uma falsa cobrança não sanciona uma punição ao presumido devedor. No entanto isso não implica que não seja possível a dor pela ilusão da regra engendrada por nossa insegurança. Estar vivo, como um indivíduo de carne e ossso, movido pelas mesmas forças que movem os outros corpos...Ninguém escapa a isso e Krishnamurti não foi uma excessão.
Agora mesmo bilhões de seres humanos erguem outras tantas instâncias onde esperam evadir-se da incerteza que caracteriza o percurso. A carreira, a igreja, o casamento, a inteligência: fortalezas levantadas contra a condição de estar e todos nós apenas estamos, não existe o SER.
Por tudo isso permaneço contingente. Por tudo isso transito ignorado. Krishnamurti me deu uma ultima lição: Aprendi que sou e posso ser apenas um homem, e que nada do homem me é estranho.
"Eu sou o Incriado de Deus, o que não teve a sua alma e semelhança
Eu sou o que surgiu da terra e a quem não coube outra dor senão a terra
Eu sou a carne louca que freme ante a adolescência impúbere e explode sobre a imagem criada
Eu sou o demônio do bem e o destinado do mal mas eu nada sou."
Vinicius de Morais
Agora mesmo bilhões de seres humanos erguem outras tantas instâncias onde esperam evadir-se da incerteza que caracteriza o percurso. A carreira, a igreja, o casamento, a inteligência: fortalezas levantadas contra a condição de estar e todos nós apenas estamos, não existe o SER.
Por tudo isso permaneço contingente. Por tudo isso transito ignorado. Krishnamurti me deu uma ultima lição: Aprendi que sou e posso ser apenas um homem, e que nada do homem me é estranho.
"Eu sou o Incriado de Deus, o que não teve a sua alma e semelhança
Eu sou o que surgiu da terra e a quem não coube outra dor senão a terra
Eu sou a carne louca que freme ante a adolescência impúbere e explode sobre a imagem criada
Eu sou o demônio do bem e o destinado do mal mas eu nada sou."
Vinicius de Morais
Segunda-feira, Setembro 21, 2009
Judeu errante - Vinicius de Moraes
Como se sabe o Judeu errante é um mito Israelita sobre um homem que foi condenado a vagar sem morrer até o dia do Juizo final. Tornado símbolo do romantismo essa figura chamada AHASVERUS está presente em poemas de Castro Alves, Augusto dos Anjos, Álvares de Azevedo e na prosa de Machado de Assis. O judeu errante é o cético inadaptado, eleito para uma vida longa e sábia, mas condenado a incompreensão e isolamento.
Hei de seguir eternamente a estrada
Que há tanto tempo venho já seguindo
Sem me importar com a noite que vem vindo
Como uma pavorosa alma penada.
Sem fé na redenção, sem crença em nada
Fugitivo que a dor vem perseguindo
Busco eu também a paz onde, sorrindo
Será também minha alma uma alvorada.
Onde é ela? Talvez nem mesmo exista...
Ninguém sabe onde fica... Certo, dista
Muitas e muitas léguas de caminho…
Não importa. O que importa é ir em fora
Pela ilusão de procurar a aurora
Sofrendo a dor de caminhar sozinho.
O relacionamento de Krishnamurti
Não sei porque escrevo tópicos tão longos se sei que ninguém lê textos em blogs com mais de quatro linhas. Talvez seja uma forma de conversar comigo mesmo. Um narcisismo insuperável como alguém observou.Todavia, devemos insistir em nossas idiossincrásias ou não poderemos justifica-las mais adiante. Gastei alguns bons anos de minha vida estudando assuntos religiosos. De Tomás de Aquino ao Budismo eu transitei entre muitas das diversas opções de religiosidade disponíveis em nosso mercado global. Tinha acesso a esses livros através de bibliotecas publicas e centros espiritas. Não dispunha de dinheiro, roupas ou meios de transporte para viver as experiências sugeridas por essas religiões para além do que elas podiam oferecer em forma de textos, mas mesmo assim fui bem longe. Espiritismo, Teosofia, ocultismo e alguns autores como Huberto Rohden que tentam fazer uma miscelânea de filosofia oriental e teologia ocidental, Magia, Ufologia e muitas outras propostas de sucesso existencial de baixo custo.Durante essa época minha vida pessoal era bastante turbulenta, não vou falar disso aqui, meus contos dão uma breve noção do que estou dizendo. Fato é que as contradições filosóficas e práticas em relação ao pressuposto básico que norteava essas aventuras intelectuais foram se acumulando de tal maneira que numa certa altura elas se tornaram, em bloco, absurdas para mim. É de Nietzsche a afirmação de que Deus é uma hipótese que ninguém pode beber sem se afogar. Acho que estive bem perto do afogamento, e após conseguir arribar a uma praia procurei conservar uma atitude de indiferênça em relação a quaisquer credos religiosos. Em outro momento explicarei isso melhor (se tiver paciência).
Todavia, nessas andanças conheci um sujeito chamado Krishnamurti. Dentre os sábios cheios de resposta a maioria das perguntas Krishnamurti destacava-se por apenas perguntar, e deixar que cada um encontrasse a sua resposta. É claro que ele partia de alguns pressupostos que filosófos treinados jamais admitiriam, mais isso não importava. Sua liberdade, originalidade e autenticidade superavam qualquer limitação argumentativa que pudesse ser apontada pelos devotos do conceito e da razão ocidental. Krishnamurti foi a preciosa peróla que eu trouxe de meu quase afogamento experimental. Essa peróla me ajudou e eu a interpretava como um convite a crença em mim, na minha solidão e sinceridade silenciosa. Mas um dia eu descobri que Krishnamurti tivera um relacionamento sexual com uma mulher que era esposa de um amigo.
No primeiro momento isso me chocou. A ultima expectativa de auto-realização supra-sensivel de desfazia, ou pelo menos, era colocada sob uma atroz suspeita.
Mas eu reponderei. Talvez a humanidade de Krishnamurti, seu amor por uma mulher de carne e osso, e ainda mais, um amor que contrariava os vínculos arbitrários criados pelos homens nada mais fosse que a sinalização do que entendi de suas palestras: não existem faróis para nos guiar, nem normas que não sejam aquelas que encontramos sozinhos. Falando filosoficamente talvez a descoberta sobre o caso de Krishnamurti tenha, ao invés de apagar a esperança de atingir o transcendente, me dado a dimensão exata do valor e inocência do natural, sensível e prosaico.
Domingo, Setembro 20, 2009
Consideração sobre a tempestade.
Quando considero a casa onde nasci
E os abraços onde me guardei brevemente
Recobro um sentido perdido
E uma asa de instante sem tempo.
Eu espero e escrevo
Como esperei e escrevi tantas vezes
E meu percurso é mais um exemplo da chama
Que consome e alimenta a história.
Nos buscamos e nos evitamos
Oscilamos sedentos com foices para aniquilar o
Espectro
Atingindo a face de outros
Dizimando milhares auroras
Esmagando sob os pés horizontes.
E pasmo eu também dou meus golpes
E sedento eu sorvo essa lama
Para acalentar a rota perdida
E naufragar no deserto da vida.
E os abraços onde me guardei brevemente
Recobro um sentido perdido
E uma asa de instante sem tempo.
Eu espero e escrevo
Como esperei e escrevi tantas vezes
E meu percurso é mais um exemplo da chama
Que consome e alimenta a história.
Nos buscamos e nos evitamos
Oscilamos sedentos com foices para aniquilar o
Espectro
Atingindo a face de outros
Dizimando milhares auroras
Esmagando sob os pés horizontes.
E pasmo eu também dou meus golpes
E sedento eu sorvo essa lama
Para acalentar a rota perdida
E naufragar no deserto da vida.
Quinta-feira, Setembro 17, 2009
Para refletir sobre força e fraqueza
Há quem diga que a pobreza produz virtude. Há quem diga que o sofrimento torna as pessoas melhores. Eu discordo. A dor não gera nada senão mais dor, e a pobreza por si só não diz nada, depende de quem passa por ela. É verdade que quem leva a vida com muitas facilidades geralmente acaba tornando-se relaxado. Nisso as pessoas não são diferentes dos animais. A facilidade de sobreviver atrofia as faculdades combativas mas as difuldades excessivas torna-nos neuróticos, auto-complacentes e descuidados. Força ponderada é o 1º requisito da capacidade da confiabilidade.Os menores animais são os mais perigosos. Os ricos geralmente não tem nada senão o dinheiro mas os miseráveis possuem mil e uma estratégias para conseguir aquilo que a sorte, ou a tolicie lhes negou. As vezes estas estratégias nem são conscientes. O sistema auto-regulador do prazer destas pessoas aciona comportamentos cegos dos quais eles(ou elas) nem se dão conta. Conheço um sujeito muito dependente da mulher que toda semana afirmava que iria se separar,e nessa semana ficava doente.
Domingo, Setembro 13, 2009
No fio da navalha
Terminei aquele dia analisando um conto de terror que não colocaria medo nem em uma criança. Saí da redação esgotado, desejando ardentemente chegar em casa, tirar os sapatos e beber uma geladissima cerveja. Sim ,pois apesar dos males conhecidos do álcool existem males ignorados que solicitam o seu recurso gelado e cego recurso . Os males antigos e sem nome e os males recentes e com nome, olhos lindos e um corpo de estalar o espírito. Estes últimos me afligem muito mais. Aflige-me a perspectiva da dor. Aflige-me a infidelidade possível de quem sei atrair outros homens. Sobretudo, no entanto, afligi-me a expectativa do encontro. Dei a volta no prédio e peguei o carro. NA rua todos tentavam ser bem sucedidos e ninguém admitia ser ultrapassado. A linha do oceano acompanhava o vidro lateral do meu carro. Ao chegar e minha caótica casa eu sabia que iria novamente afundar lentamente na desconfiança, na embriagues e no auto-erotismo com o qual satisfazia o meu corpo da ausência do dela. E ela? Onde estaria agora? Provavelmente em casa, vivendo sua vida oficial enquanto eu, o seu amor ilícito apodrecia em minha fome esperando que ela me viesse alimentar. Eu também sou como aqueles fracassados que sonhavam em ser escritores. Eu apenas tentava amar, apenas tentava, sabendo que não conseguiria.
Cheguei em minha casa. Abri a porta e o cheiro de comida estragada me recebeu. Algumas contas sob a assoalho. Tudo muito feio e normal .Fiquei de cuecas, e sentado no sofá, liguei para o celular dela. Caixa postal. O pensamento viajou e eu me senti mal duplamente. Mal pela dor moral da perspectiva do engano e mal por saber que nada me dava o direito de recriminar o gozo alheio. Remoi o meu rancor e abri uma cerveja. Também acendi um cigarro. Sentei no sofá e cochilei algum tempo. Ao acordar a primeira coisa que fiz foi olhar o relógio. Duas horas depois do horário marcado ela ainda não tinha chegado. O pensamento mais uma vez saiu do controle. Ia ligar novamente quando a campanhia tocou. AO abrir a porta com a mão ainda meio estremecida seu perfume me invadiu as narinas. A arrebatei entre meus braços enquanto sugava sua boca, tomava um dos seios em minha mão e com o pé esquedo fechava a porta. Fechava a porta atrás de toda agonia vivída, fechava a porta a qualquer tipo de bom senso.
Sexta-feira, Setembro 11, 2009
Viabilidade (Trecho I)
A montanha de textos ergue-se sob a minha mesa. O trabalho parece infindo. Afastei-me por dois dias alegando dores abdominais e agora preciso encarar todo serviço acumulado. Uma babel de pseudo-literaturas, poesia barata, artigos tolos e todo o tipo de porcaria. Todos querendo ser publicados. Todos querendo ser vistos. E Cabia a mim dizer não ou sim a cada uma destas pretensões, não por reconhecer que têm talento, mas apenas por considerar que se poderia vendê-las ou não.
-Bom dia seu Oliveira! Melhorou do fígado?
O ofice-boy passa por mim e pergunta com desdém, eles sabem que meu fígado não é o problema, o meu problema real é a bebida e fazem piadas sobre isso nos intervalos. Todavia, eles mal sabem o quanto estão enganados. A bebida é tão somente um sintoma, meu único problema verdadeiro é o medo. Aliás não só o meu, mas o de todos nós eu acho. O medo leva as pessoas a casarem, terem filhos, adorar a Deus, revoltarem-se ou no auge de todo temor se tornarem escritoras. Sim, o medo. Ficaria uma tese ontológica formidável: "O medo como substrato e thelos da consciência de si". Mais seria só mais uma forma de tentar escapar ao medo.
Bom, não adianta ficar divagando. O trabalho exige urgência. Só preguiçosos e ricos podem dar-se ao luxo da divagação. Coloquei a mão na massa. O primeiro material da pilha era um resumo sobre um romance. falava sobre um relacionamento amoroso interrompido por uma morte trágica. O namorado tinha morrido em um acidente de carro e a garota se isolava em uma ilha deserta onde vivia estranhas experiências extra sensoriais. Me pareceu uma porcaria. A forma de usar a linguagem era óbvia, o tema era apenas um apelo espiritualista superficial conjugado com uma concepção muito tradicional de afeto. todavia, era exatamente isso que as senhoras estavam comprando atualmente. Coloquei o selo de OK em cima do texto e o empilhei na bandeja: Para entrevista.
O próximo texto era sobre um jovem muito tímido e anti social que refugiara-se no mundo dos livros e que cultivava um certo desdém em relação as pessoas. Não havia um único dialogo na trama. O jovem se apaixonava, mas não dizia isso para a garota. Ele pensava nela "abstractamente". O jovem se achava um fracassado, mas com certeza achava as outras pessoas bem mais fracassadas que ele. O jovem não dizia mas achava que era um gênio. O jovem também associava o sexo a pulsões animais e vergonhosas. Devido a isso ele também não conseguia amar as mulheres que a ele se ofereciam carnalmente. Para ele estas eram apenas maquinas de sexo. Coisas para serem usadas. Sujeito doente, eu pensei. Me veio a cabeça alguns conhecidos que pensavam exatamente daquela maneira. Isso, eu creio, talvez até venda. Tem muito mais gente doente como esse sujeito. Por outro lado, eu pensei, quem pensa dessa maneira já tem Baudelaire, Albino Forjaz e Schopenhauer para os divertir. Não, é inviavel comercialmente, concluí. E ademais, também não gosto desse pessoal pretencioso que acha que pode lançar na lama tudo que as outras pessoas aspiram e amam, só porque eles leram um ou dois livros. Coloquei o selo vermelho escrito NÃO sobre o texto e o enviei para a bandeja: Inviável.
Quinta-feira, Setembro 10, 2009
A suspeita Parte I
Luciana debatia-se com a tarefas do seu lar. Tinha acordado cedo, levado os flhos para a escola, a preparado o almoço. Todavia, todo seu esforço para manter a casa em ordem até a chegada do seu marido tinha sido em vão; mais uma vez ele iria almoçar na rua. Seu coração premeditava alguma traição do Arnaldo, embora durante todos os anos de convivência ele sempre tenha se mostrado atencioso, afável e companheiro. "Afavel até demais". Ela pensou. Não seria isso também um sinal de traição? Essa dúvida lhe corroia as entranhas há meses. Como saber? Já revirara seus bolsos, carteira e até havia conseguido a senha do email de Arnaldo, mas nada de conclusivo. Apenas combustível para novas suspeitas. Perdia-se assim nessa diagações quando alguém lhe bateu a porta. Lavava os produtos do almoço e imaginou tratar-se de mais um vendedor que vinha lhe oferecer algum produto inutil para os seus propósitos. Qual foi sua supresa ao deparar-se com um sujeito muito elegante, vestido em um terno preto, de óculos escuros e com o cabelo penteado para trás.
-Boa tarde- Ele disse.
-Boa tarde- Ela respondeu desconfiada.
-Sou um prepresentante, e vim fazer-lhe uma irrecúsável proposta.
-Olha moço não estou interessada em comprar nada.
-Nem eu em vender senhora. Trata-se de algo muito mais sério e interessante- Falou isso como um tom jocoso, com um sorriso dissimulado que deixou a dona de casa apreensiva.
- Se o senhor é da policia....
-Nada disso - O homem de terno a imterrompeu continuou- Venho lhe fazer uma proposta. Trago comigo dois envelopes. Em um deles a senhora terá a resposta para todas as perguntas que for capaz de formular antes de abri-lo. No outro a senhora irá descobrir como ser feliz e ter uma vida tranquila. Todavia, devo lhe lembrar: ao abrir o envelope das respostas e outro automaticamente terá seu conteúdo convertido em uma página em branco.
-Olha se isso é algum tipo de brincadeira....
-Não é brincadeira alguma, nem lhe custará nada. Aqui estão os envelopes.
Estendeu os dois envelopes pardos na direção de Luciana que ainda atônita os segurou com incerteza. Em seguida o homem deu-lhe as costas e saiu. Luciana continuou parada olhando-o sumir-se na esquina. Ao se recobrar do susto o sistema corretivo de seu entendimento rapidamente a convenceu de que se tratava de uma brincadeira. Certamente uma piada de algum amigo ou parente. Isso não evitou que ela sentisse uma súbita compulsão para abrir os envelopes. Mas...E se ele estivesse falando a verdade? Seria Terrivel se ela perdesse a maior chance de sua vida. Mas, qual seria essa chance? Saber a verdade ou ser feliz?
(continua)
-Boa tarde- Ele disse.
-Boa tarde- Ela respondeu desconfiada.
-Sou um prepresentante, e vim fazer-lhe uma irrecúsável proposta.
-Olha moço não estou interessada em comprar nada.
-Nem eu em vender senhora. Trata-se de algo muito mais sério e interessante- Falou isso como um tom jocoso, com um sorriso dissimulado que deixou a dona de casa apreensiva.
- Se o senhor é da policia....
-Nada disso - O homem de terno a imterrompeu continuou- Venho lhe fazer uma proposta. Trago comigo dois envelopes. Em um deles a senhora terá a resposta para todas as perguntas que for capaz de formular antes de abri-lo. No outro a senhora irá descobrir como ser feliz e ter uma vida tranquila. Todavia, devo lhe lembrar: ao abrir o envelope das respostas e outro automaticamente terá seu conteúdo convertido em uma página em branco.
-Olha se isso é algum tipo de brincadeira....
-Não é brincadeira alguma, nem lhe custará nada. Aqui estão os envelopes.
Estendeu os dois envelopes pardos na direção de Luciana que ainda atônita os segurou com incerteza. Em seguida o homem deu-lhe as costas e saiu. Luciana continuou parada olhando-o sumir-se na esquina. Ao se recobrar do susto o sistema corretivo de seu entendimento rapidamente a convenceu de que se tratava de uma brincadeira. Certamente uma piada de algum amigo ou parente. Isso não evitou que ela sentisse uma súbita compulsão para abrir os envelopes. Mas...E se ele estivesse falando a verdade? Seria Terrivel se ela perdesse a maior chance de sua vida. Mas, qual seria essa chance? Saber a verdade ou ser feliz?
(continua)
Terça-feira, Setembro 08, 2009
Fantasias
Nunca mais ouvi falar a respeito dela. Acho que cansou-se das minhas inconstâncias, ausências e queixas ou quem sabe era o meu desempenho físico que já não a satisfazia. Mas não cabe culpar, só posso acha-la muito razoável, não importa o motivo. Existem tantas carências a determinar nossas escolhas que não posso recriminar nenhum dos possíveis motivos femininos. Tampouco posso dizer que é como se nada tivesse acontecido. Coloco-me diante das coisas com a sensação da destruição iminente. Tudo para mim é urgente e intenso. Não sei lidar com leveza e despreocupação. Em cada jogada aposto todas as fichas e isso me atrapalha, tanto por me deixar sem cachê para outras apostas importantes quanto porque isso me deixa realmente esgotado. Saí de casa a noite para espairecer as ideias. O senhorio deu o ultimato de desocupação do imóvel. Meu ultimo salário desemprego acabaria dentro de uns dois ou três dias. A chance de eu conseguir ganhar alguns trocados com o que escrevia era também muito remota. Ao contrário do que Genet, Bukowiski ou Artaud diziam não existe nenhum charme em ser um vagabundo incompetente para o sucesso social. Se tal sucesso dependesse de algum tipo de doença eu a contrairia com a máximo prazer.
Vi uma placa flutuando na escuridão anunciando algum tipo de emprego. Me aproximei e vi que se tratava de um pequeno pub, destes que a rapaziada descolada usa para divertir-se em grupo. Com as roupas desgastadas que eu estava usando certamente seria enxotado a pontapés caso resolvesse frequentar um lugar assim. Tudo era pintado de preto. A decoração era em estilo gótico, ou coisa parecida, o pessoal lá dentro cultuava a morte. Quando eu era muito mais jovem eu tinha a impressão de que viveria bem pouco. A morte para mim sempre esteve por perto. Não que eu fosse portador de alguma patologia terminal, mas eu tinha aquela inclinação bem romântica de que uma vida longa não fazia muito sentido. É claro que isso foi superado, até certo ponto pelo menos. Entre as indas e vindas de meus interesses essas inclinações também foram dividindo lugar com outras formas de lidar comigo mesmo. Uma certa forma de insegurança me levava a não querer estabelecer raízes definitivas em nada. Eu poderia dizer que minha vida e infância levou-me a isso como já fiz em outros textos. Não quero fazer isso agora. Lido melhor com a morte e com a vida hoje. Logo, esses guris trepando com tudo e com todos e cultuando a morte me pareciam algo bastante cômico, mas eu precisava de trabalho.
Vi uma placa flutuando na escuridão anunciando algum tipo de emprego. Me aproximei e vi que se tratava de um pequeno pub, destes que a rapaziada descolada usa para divertir-se em grupo. Com as roupas desgastadas que eu estava usando certamente seria enxotado a pontapés caso resolvesse frequentar um lugar assim. Tudo era pintado de preto. A decoração era em estilo gótico, ou coisa parecida, o pessoal lá dentro cultuava a morte. Quando eu era muito mais jovem eu tinha a impressão de que viveria bem pouco. A morte para mim sempre esteve por perto. Não que eu fosse portador de alguma patologia terminal, mas eu tinha aquela inclinação bem romântica de que uma vida longa não fazia muito sentido. É claro que isso foi superado, até certo ponto pelo menos. Entre as indas e vindas de meus interesses essas inclinações também foram dividindo lugar com outras formas de lidar comigo mesmo. Uma certa forma de insegurança me levava a não querer estabelecer raízes definitivas em nada. Eu poderia dizer que minha vida e infância levou-me a isso como já fiz em outros textos. Não quero fazer isso agora. Lido melhor com a morte e com a vida hoje. Logo, esses guris trepando com tudo e com todos e cultuando a morte me pareciam algo bastante cômico, mas eu precisava de trabalho.
Me aproximei da recepção onde um segurança imenso recepcionava os convidados. Antes que eu pudesse abrir a boca ele me lançou um destrutivo olhar de desprezo.
-EU gostaria de me candidatar a vaga.-Eu disse.
Sem se dar ao trabalho de me dirigir uma palavra ele acenou desdenhosamente em minha direção pedindo que eu aguardasse. Fiquei ao lado da entrada fumando um cigarro e vendo aquela meninada criada a leite-com-pêra transitar de um lado para o outro fantasiada de roupas pretas, adereços prateados e maquiagem escura ao redor dos olhos. Não sabiam o que lhes faltava , não queriam saber o que lhes faltava , não queriam ter o que lhes faltava simplesmente porque precisavam acreditar que absolutamente tudo lhes faltava.
-Preencha essa ficha. - Disse o brutamontes ao (após meia hora) estender o pedaço de papel em minha direção. A ficha de candidatura a vaga solicitava dados como nome, endereço, idade etc. Um dos campos também perguntava: "aceita trabalhar fantasiado". Marquei o sim. Afinal de contas que diferença fazia? Não é isso que fazemos em qualquer trabalho?
Comecei a trabalhar na segunda. Eu era garçom e servia os drinks para a rapaziada gótica. As bebidas tinham nomes esquisitos tipo, Maria sangrenta, cabeça arrancada e coisas assim. A musica era horrivel. Faltava coragem, brio ou um desespero honesto. A pior parte era minha roupa. Eu trabalhava vestido com uma capa preta, uma gravata vermelha e uma peruca espetada. Me sentia ridículo como quando era obrigado a frequentar as igrejas protestantes do subúrbio para conseguir um beijo das garotinhas religiosas. Ao sair do trabalho estava moído física e psicologicamente, vocês não podem imaginar como aquela garotada bebia. Para chegar no ponto de ônibus eu tinha que passar por outros barzinhos onde um pessoal mais adulto procurava diversão. Numa destas passagens eu a vi novamente. Ela estava lá, sentada com um sujeito que, com certeza, não tinha que se vestir de palhaço para ganhar a vida. Muito sorridente e tranquilo, com aquele tipo de masculinidade óbvia no rosto que não deixa ninguém duvidar de que existe um caminho pronto para ele. Ela fingiu não me ver, menina esperta. Eu não consegui repreender um sorriso. De fato, apenas eu é que precisava vestir a fantasia para sobreviver, eles não precisavam, traziam uma de berço.
Segunda-feira, Setembro 07, 2009
Efeito Suspensivo.
A cabeça anda partida. Sem muito ânimo para escrever, espero estar melhor amanhã. A palavra "problema" é muito vaga, nem sempre se basta. Todo mundo tem alguma teoria para se explicar, para trazer a luz o próprio sentido. Estou sem nenhuma agora. Até aceitaria se pudesses me emprestar alguma das suas. Prometo que devolvo amanhã.
Domingo, Setembro 06, 2009
No verão de 82
No verão de 82 meu avô não se sentiu muito bem,
e minha mãe dormia com comprimidos.
EU não fui a escola no verão de 82
pois faltavam livros e planos para nortear
meu conflito.
Eram fartas as lições de moral
e escassos os cuidados humanos
e eu crescia na umidade escura dos dias
como um feijão que brota da queda.
No verão de 82 eu não tinha amigos.
no verão de 82 eu escrevia poemas,
no verão de 82 os dedos me apontavam
e eu era a piada mais divertida da rua.
As passagens da noite eram muito frias
e eu tecia paraísos e fantasias
onde exercitava impotência.
No verão de 82 ninguém se importava
tudo estava mergulhado no caos de acidentes
sem fotografias para registrar a inércia.
No verão de 82 estão as longas raízes
estão as premissas de mim,
as razões de meus tolos amores
e dessa agonia sem fim.
e minha mãe dormia com comprimidos.
EU não fui a escola no verão de 82
pois faltavam livros e planos para nortear
meu conflito.
Eram fartas as lições de moral
e escassos os cuidados humanos
e eu crescia na umidade escura dos dias
como um feijão que brota da queda.
No verão de 82 eu não tinha amigos.
no verão de 82 eu escrevia poemas,
no verão de 82 os dedos me apontavam
e eu era a piada mais divertida da rua.
As passagens da noite eram muito frias
e eu tecia paraísos e fantasias
onde exercitava impotência.
No verão de 82 ninguém se importava
tudo estava mergulhado no caos de acidentes
sem fotografias para registrar a inércia.
No verão de 82 estão as longas raízes
estão as premissas de mim,
as razões de meus tolos amores
e dessa agonia sem fim.
Sábado, Setembro 05, 2009
Hipótese de mim
Soltaram-se de mim as plenas palavras
de mim se soltaram as luzes
claras,
restando somente poucas flores esparsas
apenas ervas danihas e farpas.
Precisarias de uma alma mais terna
para aproximar-se da colheita de mim.
de mim se soltaram as luzes
claras,
restando somente poucas flores esparsas
apenas ervas danihas e farpas.
Precisarias de uma alma mais terna
para aproximar-se da colheita de mim.
Sobre a privação
Não seriam nuvens nem ruas,
sem a confirmação dos olhares,
sem o reconhecimento impresso
na retina de nossa emoção.
Sem essa sensação de derrota
não seria a despedida
a divisão entre dois momentos
que aniquilou minha fé.
Pelo teu olho de oceano
eu sustentaria o combate,
pela inquietação do teu ser
eu reverteria a dor
reverteria o instante afoito
condensaria nossa utopia
num gesto,
sem aquela tarde de adeus
eu seria um pouco mais EU.
sem a confirmação dos olhares,
sem o reconhecimento impresso
na retina de nossa emoção.
Sem essa sensação de derrota
não seria a despedida
a divisão entre dois momentos
que aniquilou minha fé.
Pelo teu olho de oceano
eu sustentaria o combate,
pela inquietação do teu ser
eu reverteria a dor
reverteria o instante afoito
condensaria nossa utopia
num gesto,
sem aquela tarde de adeus
eu seria um pouco mais EU.
Quinta-feira, Setembro 03, 2009
Os diários existenciais (fragmento)
Deixei meus dedos correrem sem direção pelo corpo dela quente até que nua entorpecida se entregasse. Sorvi sua essência quente. Provei do seu gosto salgado. Esperei que estivesse estremecendo em convulsões alucinadas, para saber como um homem de verdade faz, acostumada que estava aos imberbes rapazotes da graduação. Contorceu-se enquanto caiam por terra todos os pudores e somente então a invadi com um gesto forte e firme. Até o fundo.
Ela gozou por todo corpo apresentando com uma evidência irrefutável da minha confirmação.
Eu quis levar adiante, apesar de não oferecer muitas opções de viabilidade social. Desempregado, com filhos e completamente envolvido em uma regularidade afetiva com outra pessoa que não pretendia abandonar. Mas saquei que algo tinha mudado quando o telefone dela ficou ocupado o dia inteiro e o meu não tocou de forma alguma. Mandei vários e-mail’s desesperados e rancorosos. Esgotei minha amargura com uma interlocutora que não respondia. Talvez eu tenha exagerado. Já fiz isso muitas outras vezes e por muito menos também. Eu tinha uma mulher, uma filha, a necessidade material para me preocupar, não deveria gastar tanta energia com o sexo aleatório. Mas gastava e para mim não era só isso. Nunca é. Tinha sido um lance incrível, com nossos corpos sedentos chegando lá, Baudelaire no pé do ouvido, Beatles, blues e Pink floyd com um vermelho por do sol... Mas ela tinha razão,e eu sabia. O tempo todo elas sempre tem razão...Só o derrotado romantiza a derrota lhe emprestando ares de grandeza. Mas quem faz isso sabe que engana a si mesmo...eu sabia. Ela tinha caído fora...e as pontas de cigarro espalhadas pelo quarto,as garrafas de vinho, baíra e conhaque dançavam uma valsa insana ao redor de minha cabeça...Velho fudido. Maquiavél de subúrbio, Sartre de favela, ultima palavra na boca moribunda do futuro, e no fundo, mas no fundo, bem no fundo eu permanecia o brilho cristalino de uma inocência singular.
Ela gozou por todo corpo apresentando com uma evidência irrefutável da minha confirmação.
Eu quis levar adiante, apesar de não oferecer muitas opções de viabilidade social. Desempregado, com filhos e completamente envolvido em uma regularidade afetiva com outra pessoa que não pretendia abandonar. Mas saquei que algo tinha mudado quando o telefone dela ficou ocupado o dia inteiro e o meu não tocou de forma alguma. Mandei vários e-mail’s desesperados e rancorosos. Esgotei minha amargura com uma interlocutora que não respondia. Talvez eu tenha exagerado. Já fiz isso muitas outras vezes e por muito menos também. Eu tinha uma mulher, uma filha, a necessidade material para me preocupar, não deveria gastar tanta energia com o sexo aleatório. Mas gastava e para mim não era só isso. Nunca é. Tinha sido um lance incrível, com nossos corpos sedentos chegando lá, Baudelaire no pé do ouvido, Beatles, blues e Pink floyd com um vermelho por do sol... Mas ela tinha razão,e eu sabia. O tempo todo elas sempre tem razão...Só o derrotado romantiza a derrota lhe emprestando ares de grandeza. Mas quem faz isso sabe que engana a si mesmo...eu sabia. Ela tinha caído fora...e as pontas de cigarro espalhadas pelo quarto,as garrafas de vinho, baíra e conhaque dançavam uma valsa insana ao redor de minha cabeça...Velho fudido. Maquiavél de subúrbio, Sartre de favela, ultima palavra na boca moribunda do futuro, e no fundo, mas no fundo, bem no fundo eu permanecia o brilho cristalino de uma inocência singular.
Domingo, Agosto 30, 2009
Sobre a falta que faz.
Conflito contraditório no ser
de amar, de não poder
apertar o ser amado entre os braços.
A ansia de se dar é vencida
pelos fluxos antigos da vida
pelos muros que separam os espaços.
E o lábio, a pele a o peito
inquietos se agitam sozinhos
buscando o suave carinho
de quem conduz o desejo.
O desejo de se dar, é etermo
ultrpassa a finitude do tempo
nas asas da sua imagem, menina
é que voa o meu pensamento
de amar, de não poder
apertar o ser amado entre os braços.
A ansia de se dar é vencida
pelos fluxos antigos da vida
pelos muros que separam os espaços.
E o lábio, a pele a o peito
inquietos se agitam sozinhos
buscando o suave carinho
de quem conduz o desejo.
O desejo de se dar, é etermo
ultrpassa a finitude do tempo
nas asas da sua imagem, menina
é que voa o meu pensamento
Quinta-feira, Agosto 27, 2009
Bolero da suspeita.
Ontem eu dancei com uma linda aurora,
hoje eu me debruço sobre uma tormenta
escura
e por isso os céus se fecham como um punho ensandecido,
por isso as folhas se despedem com os lábios ressecados.
Ontem eu ouvi uma canção, hoje minhas camisas estão
amarrotadas
estão enlameadas por boatos, por resinas, por propósitos
suspeitos
e eu ainda não consegui me redimir perante o olho da plateia.
Pela estrada arrastei outros comigo,
foi uma tentativa vã e eu aboli as cercas
que separavam os girassois das contradições
insuperaveis.
Uma moeda para a caixa, um silêncio para o breve sucumbir
sem saudações para contornar rancores,
sem palavras para confirmar presságios.
hoje eu me debruço sobre uma tormenta
escura
e por isso os céus se fecham como um punho ensandecido,
por isso as folhas se despedem com os lábios ressecados.
Ontem eu ouvi uma canção, hoje minhas camisas estão
amarrotadas
estão enlameadas por boatos, por resinas, por propósitos
suspeitos
e eu ainda não consegui me redimir perante o olho da plateia.
Pela estrada arrastei outros comigo,
foi uma tentativa vã e eu aboli as cercas
que separavam os girassois das contradições
insuperaveis.
Uma moeda para a caixa, um silêncio para o breve sucumbir
sem saudações para contornar rancores,
sem palavras para confirmar presságios.
Quinta-feira, Agosto 20, 2009
As possibilidades de Soraia.
Soraia refletia sozinha enquanto saia do trabalho cansada em direção a sua casa. O celular tocava insistente em sua bolsa e ela ignorava o som irritante porque mais irritante ainda seria atendê-lo. Ela sabia, que do outro lado da linha lhe aguardava a voz outrora tão agradável de Rafael, voz essa que agora lhe lembrava o sabor caracteristico de um purgante. Porque os homens eram tão previsíveis era algo que ela não conseguia entender. Primeiro apresentá-la aos amigos, depois pedi-la em casamento e finalmente planejar as crianças. Isso quando não tentavam através de algum estúpido artificio engravidá-la pedindo para não usar camisinha. A rua não estava muito movimentada e o trânsito relativamente tranquilo lhe permitia refletir enquanto dirigia, fumava um cigarro e ouvia Marvin Gave. Pior que essa sede de família do Rafael era a fissura dele e de todos os outros homens pela fidelidade. Talvez saudades do colo materno, ou sentimento de culpa por não terem sido cristãos como seus pais e avós, ela não sabia. Achava muito estúpida a exigência da exclusividade corporéa como condição sine qua non da virtude feminina. Soraia, todavia, não se importava muito com isso. Se eles a obrigavam a mentir exigindo-lhe uma renuncia que ela julgava particularmente estúpida, tudo bem. Havia um preço a pagar, ela sabia disso, via em suas amigas padronizadas e homogêneamente fieis um tipo de estabilidade que ela não tinha, e as vez invejava. Mas sua sua vida era breve, sua juventude também. Logo tornaria-se uma anciã a realizar-se com bazares beneficentes, causas sociais e roupas de tricor para os netos, se os tivesse, claro. Não, ela não iria desperdiçar os seus anos depositando-os aos pés de um homem erigido em divindade. Queria fruir os momentos , sorver a polpa das horas, talvez até por um tempo relativamente longo com um único homem, mas não gostaria de fechar-se para outras oportunidades. Ela parou no sinal. A rua ladeava a praia e o final da tarde parecia-lhe muito bonito. Resolveu estacionar e toamar uma cerveja. No bar voltado para o poente um rapaz muito bonito parecia muito concentrado lendo um livro. Ela sentou-se na mesa em sua frente. A tarde oferecia interessantes possibilidades.
Quarta-feira, Agosto 19, 2009
êxtases
A labareda das horas consumia os granitos. Eu tive o corpo dela se contorcendo em meus braços e hoje é até dificil de acreditar. O momento é fugaz, o prazer nos escapa, mas subimos as escadas do hotel em uma tarde linda de transgressão e poesia onde tudo seguia com naturalidade. Existem pessoas que não acreditam, existem aquelas que só apostam em seus temores retraindo-se ao quarto cinzento para desfrutar da calmaria opaca, recoberta pela poeira dourada de uma velha virtude. Nós não éramos assim.
Dois animais de fogo voando no céu perigoso da entrega sem certezas. Almoçamos com naturalidade. Ela me falou um pouco da marca cega do passado que lançava uma sombra cinza em seu olho de oceano. Eu lhe retribui falando também um pouco do meu trajeto escuro pela sombra e pela luz. Rimos de outras coisas menos sérias. Nossas mãos deslizaram magnétizadas até convergir. A onda louca começou a erguer-se do meu peito como um grito ancestral que bramia na furia de um milhão de ondas. Eu a despi com gestos e lhe beijei os lábios com minha boca sedenta. A luminosidade das nossas sensações irrompeu através da fibra de nossos corpos que vibravam de eletricidade em uma violenta dança na busca da redenção. Tomei os seus seios nos lábios, suas coxas me envolveram os quadris, suas mãos apertaram as minhas e eu vi sua pupila em faiscas enquanto invadíamos as fronteiras da eternidade.
Ela tinha o corpo quente e um jeito sutil de entrega. Ela arfava tão frágil sob minhas penetrações invasoras e no entanto sua força enchia o quarto do extâse das tempestades. Meu suor ao dela se misturou, minha mente rememorava outros mundos onde juntos atravessamos desertos imensos, onde a asa da dor nos atingiu abraçados, onde partilhamos estradas que as palavras não ousam submeter. A musica dos movimentos cresceu elevando-se do fundo silencioso de nosso espírito até a corrente de luz romper-se em gozo...O gozo implosivo das constelações em um eterno momento onde tudo era paz.
Tomamos banho felizes e a tarde findou com o ruido do vento nas folhas das amendoeiras e o burburinho da tarde em direção ao crepúsculo. A distância esgueirou-se por entre as dobras do tempo carregando nos ombros a fuligem das convenções que terminaram por sepultar aquela nossa magia. O granito indiferente digeriu nossa chama e o óbvio consumou-se novamente.
,
J Krishnamurti - Uma outra visão sobre o amor.
Mas, se desejais continuar a descobrir, vereis que o medo, não é amor, a dependência não é amor, o ciúme não é amor, a posse e o domínio não são amor, responsabilidade e dever não são amor, autocompaixão não é amor, a agonia de não ser amado não é amor, que o amor não é o oposto do ódio, como também a humildade não é o oposto da vaidade. Dessarte, se fordes capaz de eliminar tudo isso, não à força, porém lavando-o assim como a chuva fina lava a poeira de muitos dias depositada numa folha, então, talvez, encontrareis aquela flor peregrina que o homem sempre buscou sequiosamente.
J. Krishnamurti
Apenas porque tu me faltas
Talvez a paixão seja um engano,
talvez não tenhamos um norte
e a mão da alegria carregue apenas poeira.
Talvez as flores se lamentem
e noites escuras me aguardem para
o arrependimento vergonhoso.
Mas apenas cogito isso tudo
porque me falta a alada presença
e seu corpo infinito para redimir minha chaga.
O perfil inexato e a trama confusa do anseio
que brota do meu coração e morre
nas mãos de femininos caprichos.
Talvez recuar para a segurança
e renunciar aos pomares suspeitos
onde soberana passeias sem mim
até que humilde eu receba teu riso.
Talvez destruir e seguir,
talvez gozar e sentir
arrancando asas de um beija-flor
para saciar essa nossa sede de vida.
Terça-feira, Agosto 11, 2009
Guilhotina das estrelas.
Mulher,
Agora certamente me detestas
Certamente a poeira de fogo que recebo no meu peito
vem do teu lábio ferido pelas minhas asas de falcão
estraçalhado.
Certamente te responderão as coisas imóveis,
certamente os padres te responderão
na época da chuva
e terás o caminho atapetado pela chaga pulsante
e escondida que sussurrará volúpia
aos ouvidos da vossa aflição
e Justificada estarás pela memória suave dos seus mortos.
Mulher,
Certamente há algum tempo desejarias um outro EU
amarias os meus animais e acalentarias um cacto florido
não fosse a gravidade obscura da estrada que nutriu essas mãos
gordurosas de assassino.
Tua dor encontra-se redimida
pois a florida lâmina da lua
também guilhotinou o meu coração
de mentiroso.
Vejo entretanto para além dessas mazelas
um dia em que não haverão trincheiras
um dia em que talvez inteiros não exigiremos
passaportes nem registros
e envolveremos nossas mãos e as mãos de outros
na compreensão imediata de um cristalino afeto.
Segunda-feira, Agosto 10, 2009
Silêncio noturno.
Eu procurei em vão a proposição mais firme
e urrei na noite por uma realidade diferente
eu era a proa do naufrágio e o timoneiro da ultima nave
estelar,
que se destinava a teus olhos femininos e a sede da ressureição
e do contato.
Era o corpo e a fome do encontro,
era a vida nova que me reclamava das entranhas
eram os lugares verdejantes,
as pradarias do infinito,
e os poemas não escritos para uma nova raça que viria.
O vôo inconstante de uma borboleta
sob brilho matutino de um rapaz apaixonado.
Eram as raízes tenras do determinismo
contra uma multidão de espaços e silêncios frios
como tumbas de concreto que engoliam poesias.
E as poesias eram engolidas por tumbas de silêncio frio.
No entanto haviam ainda os nossos corpos,
que lutaram na batalha vespertina contra as certezas
e as conspirações.
Havia o teu segredo silencioso,
tuas fantasias e aventuras,
teu gozo afirmativo que se rebelava contra qualquer forma
de poder,
havia o bosque esvoaçante,
o jardim dos cantos,
e o fruto eventual que brota do momento
Para adoçar meus lábios de poeta com a ultima palavra
e enternecer a minha alma alada para a dolorosa espera.
Divagando.
Não sei onde as sensações me conduzem, também não sei responder a pergunta do Tiago sobre a diferença entre o conto e o verso livre. Creio que existem pessoas convictas para as quais falar algo com segurança, traçar a linha e saber para onde se vai é fundamental. Eu já falei com convicção. Já afirmei certezas sobre o Tao-Te-King, Os vedas, kardec e Nietszche. Minhas convicções hoje tem uma vida curta e instável como o nivel da marés. Acredito que naturalizei-me terrestre mas ainda visito a minha patria materna das frases convictas. Mesmo minha filha disse-me outro dia achar a vida parecida com um sonho. Esses brilhos da infância que as reinvidicações do corpo se ocuparão de substituir pela diversidade das pulsões sensiveis. Surgimos na vida como no meio de um oceano imenso no qual navegam diversas embarcações. As pessoas se ocupam de procurar aquelas que julgam melhor equipadas para sobreviver as ondas que vêem, as que suspeitam, e as que viveram. Algumas outras mais sensiveis à variedade das barcaças e ao ritmo inconstante do oceano recusam-se a vincular-se definitivamente a qualquer tripulação. Estes são os "nômades" do pensamento, os naturalizados do oceano. Apesar das turbulências das marés estes piratas aprenderam a encontrar beleza por trás da destruição geral das ondas. Recusam-se a promessa daquilo que não compreendem. "Reino dos céus" que nome vago "Evolução" que má compreensão do tempo, "Fidelidade" Que peversão do sentido livre da palavra amor.
Também não concordo com o Guerra em dividir as apreciações em ambitos duais, e estabelecer fronteiras rigidas em relação às possibilidades de nossas relações. Ele entenderá. Quero estar imcompleto em tudo, em quase tudo ou melhor: Quero sorver com doçura cada gota de experiência de minha finitude.
Também não concordo com o Guerra em dividir as apreciações em ambitos duais, e estabelecer fronteiras rigidas em relação às possibilidades de nossas relações. Ele entenderá. Quero estar imcompleto em tudo, em quase tudo ou melhor: Quero sorver com doçura cada gota de experiência de minha finitude.
Domingo, Agosto 09, 2009
Sincronicidade
Da estrutura casual dos fazeres
brotou uma clareira de luz
Um espaço arbitrário de paz
entrelaçado a coincidências eternas.
Percebeste meu gesto de queda?
Amparaste meu desejo inflamado?
Ou as nuvens do esquecido conduziram
caminhos e nos levaram
um ao outro?
do De onde vieste?
De que substância és feita?
porque teu semblante me perturba os sonhos
e me torna incapaz de esquecer?
Me arrasta como uma torrente,
como uma onda de sensações
Que saem da boca cândida da poesia
para o coração incontrolável do amor.
brotou uma clareira de luz
Um espaço arbitrário de paz
entrelaçado a coincidências eternas.
Percebeste meu gesto de queda?
Amparaste meu desejo inflamado?
Ou as nuvens do esquecido conduziram
caminhos e nos levaram
um ao outro?
do De onde vieste?
De que substância és feita?
porque teu semblante me perturba os sonhos
e me torna incapaz de esquecer?
Me arrasta como uma torrente,
como uma onda de sensações
Que saem da boca cândida da poesia
para o coração incontrolável do amor.
Quarta-feira, Agosto 05, 2009
Momento azul.
Minhas mãos soltas e
Alucinadas
Os Beijos transversais na mão da tempestade e afago acidental,
na guerra inevitável de nossas sensações.
Furioso eu lhe abraço
do nervo inquieto até
a substância desejante
até a aspiração dos ramos destroçados
na seiva de sua fome natural.
e expiro minha alma pelos poros
com a ponderação corpórea que.
expõe-te em pele para revoltar
a sua timidez.
E teu olhar infinito...
E tua pulsão inquieta de fêmea originária
Que traz no ventre a estrela.
Lamina de minha língua
Fogo da ansiedade sazonal
A verdade de tua vontade invadindo meu rumo
Com a força das chuvas de junho
E a selvageria louca de um milhão de vulcões.
sempre, sempre e sempre
ir ao fundo do fundo
de seu lugar mais profundo
Penetrando com minhas palavras
o lar de sonho e tristeza que
tens guardado no teu coração
flor acalentada e seu prisioneiro
Acidental que canta da janela,
Talvez eu pudesse ser a torre
E o príncipe das veredas
Embutido no passado e no banquete de infinito e de estrela
Que denominamos
E que nos domina no silêncio de nosso cansaço.
Terça-feira, Agosto 04, 2009
Horizontes
Quem procura por horizontes não poderá evitar tempestades. Não clamo por calmarias, conheço a fado da minha angustia e o signo precoce daquela vontade. Sei que estracalhei muitas roseiras e fui ferido por milhões de flagelos. Os passaros que navegam nos dedos do vento devem possuir, assim penso eu, as suas angustias também. Não vou reduzir-me ao cálculo oportuno nem atirar-em em ímpeto romântico nos braços da destruição. Desejo fruir com alegria e clareza. Se minto é para preservar uma verdade maior, uma verdade que destroçaria os muros de covardias que não me cabe apontar. Permaneço inteiro e de pé. Sedento da seiva do gesto e aberto ao fogo incinerador do acaso. Sou um residente na terra, olhando um horizonte que se desdobra em mistério.
Sábado, Agosto 01, 2009
Sexta-feira, Julho 31, 2009
Carta ao amor faminto.
Hoje eu acordei insano meu amor,
com uma palavra faminta nos meus lábios
e com o sangue tingindo meus olhos de pardal
atormentado.
Será que você não percebeu, meu amor?
Será que não mapeou as mudanças
nem recolheu aquelas impressões obscenas
que rangiam os dentes na tempestade?
Eu envei para ti meus arautos
eu lhe arrebanhei um milhão de palavras
e refiz quase minha própria dor
para apenas iniciar-me nos teus mandamentos.
E eu nem tinha segredos...
E eu nem possuia uma casa...
Meu coração era um filho da sombra
sem era, sem laço e sem lar.
E no entanto tu não vieste...
No entanto não me acenaste...
Me deixaste com a taça em pranto
e a semente do futuro defunta.
Meu amor o que fazer desse laço sem curvatura?
O que eu diria ao carcereiro de me faltar o teu colo?
Como racionalizar com a loucura
quando a erva do sonho falece sem agua, sem luz
e sem solo?
Segunda-feira, Julho 27, 2009
Queria tanto abrir o peito,
esvaziar o silêncio dos meus ouvidos,
e reter a seiva de um olhar ausente.
Queria tanto libertar meu sonho,
esmagar receios e pulverizar cansaços,
abrir caminhos sem visões de mortos
e ressucitar da vida para o teu abraço.
esvaziar o silêncio dos meus ouvidos,
e reter a seiva de um olhar ausente.
Queria tanto libertar meu sonho,
esmagar receios e pulverizar cansaços,
abrir caminhos sem visões de mortos
e ressucitar da vida para o teu abraço.
Quarta-feira, Julho 22, 2009
Compreensão
Atado ao frio geral do dia que corre
e ao desencontro geral dos corpos
cansados,
Procuro esmeraldas que cantem o que calam
as palavras
e proposições de afeto tecidas para além das promessas.
Palmilho as medidas que nos separam do encontro,
EU me coloco diante do mar com o peito faminto
esperando um rosto que desembarque
em mim.
Um rosto sem máculas, um sorriso sem futuro
colocado diante das coisas
com a disposição da entrega.
Com a polpa da vida rebrilhando ao sol
com os lábios sensiveis à brisa da voz
e a presença de si localizada no beijo.
Procuro esmeraldas que cantem o que calam palavras,
e um horizonte sensível sem promessas nem tempo,
Procuro a clareira para percepção de nós dois
Incendiados nos raios exatos
da compreensão do Amor.
e ao desencontro geral dos corpos
cansados,
Procuro esmeraldas que cantem o que calam
as palavras
e proposições de afeto tecidas para além das promessas.
Palmilho as medidas que nos separam do encontro,
EU me coloco diante do mar com o peito faminto
esperando um rosto que desembarque
em mim.
Um rosto sem máculas, um sorriso sem futuro
colocado diante das coisas
com a disposição da entrega.
Com a polpa da vida rebrilhando ao sol
com os lábios sensiveis à brisa da voz
e a presença de si localizada no beijo.
Procuro esmeraldas que cantem o que calam palavras,
e um horizonte sensível sem promessas nem tempo,
Procuro a clareira para percepção de nós dois
Incendiados nos raios exatos
da compreensão do Amor.
Sexta-feira, Julho 17, 2009
Apoio
Experimentar sem muitas certezas
e observar os conselhos do temor
Não preciso de amarras muito firmes
me basta o equilibrio que ampara a flor.
Quinta-feira, Julho 16, 2009
Medida
Não possuir medida,
arrastar as correntes do passado
acalentando paixões ensandecidas
Alma de palhaço e combatente desertado
com a flor brotando da cabeça
para um por do sol sem pranto.
Minhas mãos são dois pêndulos inquietos
perdidos entre metas e projetos
cultivando as lições do leito
e a decepção desatenta da partida
um oceano de questões mal resolvidas
suficientes para entorpecer mil vidas.
arrastar as correntes do passado
acalentando paixões ensandecidas
Alma de palhaço e combatente desertado
com a flor brotando da cabeça
para um por do sol sem pranto.
Minhas mãos são dois pêndulos inquietos
perdidos entre metas e projetos
cultivando as lições do leito
e a decepção desatenta da partida
um oceano de questões mal resolvidas
suficientes para entorpecer mil vidas.
Segunda-feira, Julho 13, 2009
Ela colhia auroras com as mãos
da solidão.
Seu vestido de estrelas e sua boca de outono
acobertava infinitas crises
e terremotos no seu peito.
Ela precisa de um grito...
Ela procurava o nome exato que
daria a sua dor o selo nobre da fatalidade.
Mas ela não encontrou o lirio
e apesar de conhecer o rio e sua direção
deitou-se na orla das coisas congeladas
para ver o seu pássaro morrer.
da solidão.
Seu vestido de estrelas e sua boca de outono
acobertava infinitas crises
e terremotos no seu peito.
Ela precisa de um grito...
Ela procurava o nome exato que
daria a sua dor o selo nobre da fatalidade.
Mas ela não encontrou o lirio
e apesar de conhecer o rio e sua direção
deitou-se na orla das coisas congeladas
para ver o seu pássaro morrer.
Convite em vermelho
Meu horizonte poderia não ser
Um imenso abismo,
Com estrelas insensatas e meteoros inquietos
Costurando o espaço frio entre nossos corpos
Sedentos de uma aurora que ainda não chegou.
Nossos caminhos poderiam deixar de ser palmeiras
Agitando-se nas caricias de um temporal que jamais se afasta,
Mergulhando as raízes em nossas vidas atuais,
Frias como a terra, cinzas como o pó,
Isensatas e prudentes como tudo que se passa
No passado.
E o futuro é um largo mar,
Que convida nosssos passos e os nossos medos
Para dançarmos na destruição alegre
Dos muros e das pedras que impedem
O amor.
E o amor é uma palavra ousada que tomba no final,
É a bandeira sustentada pela nossa fome,
Fome de um brilho que se veste do olhar,
De um pedaço de aceno que se consuma no destino
De uma sentença clara calada pelo mêdo.
Um imenso abismo,
Com estrelas insensatas e meteoros inquietos
Costurando o espaço frio entre nossos corpos
Sedentos de uma aurora que ainda não chegou.
Nossos caminhos poderiam deixar de ser palmeiras
Agitando-se nas caricias de um temporal que jamais se afasta,
Mergulhando as raízes em nossas vidas atuais,
Frias como a terra, cinzas como o pó,
Isensatas e prudentes como tudo que se passa
No passado.
E o futuro é um largo mar,
Que convida nosssos passos e os nossos medos
Para dançarmos na destruição alegre
Dos muros e das pedras que impedem
O amor.
E o amor é uma palavra ousada que tomba no final,
É a bandeira sustentada pela nossa fome,
Fome de um brilho que se veste do olhar,
De um pedaço de aceno que se consuma no destino
De uma sentença clara calada pelo mêdo.
Sexta-feira, Julho 10, 2009
O combate das flores
Eu disse para ela: preciso de você. Seu corpo tinha gestos que não consigo traduzir, e eu estava faminto por alguma coisa que ela trazia no olhar. Seu cabelo era brilhante, seus olhos eram misteriosos, seu signo de fogo, sua boca a perdição e a loucura. Seria um encontro contingente,
mais uma frase impressa no texto inacabado de nossas breves vidas. Subimos a escada, abri a porta...Ela estava um pouco tímida. Na rádio do quarto Sexual Healing espalhava ondas de orgone combativo pelo ar. Tomei um banho e deitei-me esperando ela vir preparada para mim, e ela veio. veio sedenta e sorrindo, Vita Brevis, e não era só um corpo. Era substância sensivel, experimentação do agora que tentava evadir-se de si mesma se fundindo com o meu desejo. Ela era o olhar, o gesto, a confirmação e um painel infinito de possibilidades e caminhos. A envolvi com o pulsar de minha musculatura tensa apertando-a, todavia com ternura. Ela me beijou desesperada um beijo amplo, quente e molhado, como a busca pelo ar que caracteriza os afogados. Depois foi a entrega louca, a cópula sensivel, a luta suave de penetração e resitência. Sem plateia, sem pretensão, apenas dois mortais desfrutando e consumindo o tempo que lhes foi dado. Seu seio, suas costas, o arfar irregular se ampliando e retraindo, a progressão lenta do deleite violento em que eu me perdi e ela se perdeu de todas as amarras, de todos os limites, até a explosão selvagem do grito de alegria calado em nossso corações. Um único extâse gozozo. Um único grito arremessado de nossas gargantas de encontro a eternidade. E o jorro quente. E os espasmos incontrolaveis de uma alma que descobriu sua verdade. Descanso e rendição. A porta se abrirá. E os rios nunca mais irão convergir para o mesmo oceano.
mais uma frase impressa no texto inacabado de nossas breves vidas. Subimos a escada, abri a porta...Ela estava um pouco tímida. Na rádio do quarto Sexual Healing espalhava ondas de orgone combativo pelo ar. Tomei um banho e deitei-me esperando ela vir preparada para mim, e ela veio. veio sedenta e sorrindo, Vita Brevis, e não era só um corpo. Era substância sensivel, experimentação do agora que tentava evadir-se de si mesma se fundindo com o meu desejo. Ela era o olhar, o gesto, a confirmação e um painel infinito de possibilidades e caminhos. A envolvi com o pulsar de minha musculatura tensa apertando-a, todavia com ternura. Ela me beijou desesperada um beijo amplo, quente e molhado, como a busca pelo ar que caracteriza os afogados. Depois foi a entrega louca, a cópula sensivel, a luta suave de penetração e resitência. Sem plateia, sem pretensão, apenas dois mortais desfrutando e consumindo o tempo que lhes foi dado. Seu seio, suas costas, o arfar irregular se ampliando e retraindo, a progressão lenta do deleite violento em que eu me perdi e ela se perdeu de todas as amarras, de todos os limites, até a explosão selvagem do grito de alegria calado em nossso corações. Um único extâse gozozo. Um único grito arremessado de nossas gargantas de encontro a eternidade. E o jorro quente. E os espasmos incontrolaveis de uma alma que descobriu sua verdade. Descanso e rendição. A porta se abrirá. E os rios nunca mais irão convergir para o mesmo oceano.
Quinta-feira, Julho 09, 2009
O gato de louça.
As proposições de Minha tristeza
Velam minha vigília
Para que meu ser tenha
Repouso.
Quarto de menino, coração de gaivota
destroçada,
Ponte partida e pão da espera
Para aguardar por nada.
Para aguardar por aquilo que me falta
E Pela dor inevitável
Que sinto por ser gente
Seria eu um tolo?
Um sapato sem canção esperando
O amanhecer?
Um tigre desolado e cercado
Pelo seu rugido
Pelo elo contingente que se cria
Nas circunvoluções
Do sexo.
Velam minha vigília
Para que meu ser tenha
Repouso.
Quarto de menino, coração de gaivota
destroçada,
Ponte partida e pão da espera
Para aguardar por nada.
Para aguardar por aquilo que me falta
E Pela dor inevitável
Que sinto por ser gente
Seria eu um tolo?
Um sapato sem canção esperando
O amanhecer?
Um tigre desolado e cercado
Pelo seu rugido
Pelo elo contingente que se cria
Nas circunvoluções
Do sexo.
Quarta-feira, Julho 08, 2009
Co - Incidências
Como o revoar dos pássaros
ela se foi sem ter marcado,
sem ter esperado para observar
encantos.
Se partiu com a aurora e a magia
levando a primavera
sem deixar as flores.
Ela não quis me conceder
amores,
nem partilhar dos meus temores
que fervilham na escuridão
Ela foi uma ponte no espaço
Uma proposta falida de abraço
Um calor que não chegou a ser vulcão.
Que não chegou a ser delírio
Nem embriaguês, nem gozo, nem vontade
Apenas observações, coincidências
encontros imprevistos nas ruas da cidade.
ela se foi sem ter marcado,
sem ter esperado para observar
encantos.
Se partiu com a aurora e a magia
levando a primavera
sem deixar as flores.
Ela não quis me conceder
amores,
nem partilhar dos meus temores
que fervilham na escuridão
Ela foi uma ponte no espaço
Uma proposta falida de abraço
Um calor que não chegou a ser vulcão.
Que não chegou a ser delírio
Nem embriaguês, nem gozo, nem vontade
Apenas observações, coincidências
encontros imprevistos nas ruas da cidade.
Terça-feira, Julho 07, 2009
Saliva da poeira.
Contra as coisas e os intevalos
Eu nada tenho a protestrar
Senão a poeira da memória.
E a gargalhada insana do
asfalto.
Estas mãos que se estendem e
Esse retorno infindavel do abraço.
Para iludir o fardo
E adocicar o passo.
Eu nada tenho a protestrar
Senão a poeira da memória.
E a gargalhada insana do
asfalto.
Estas mãos que se estendem e
Esse retorno infindavel do abraço.
Para iludir o fardo
E adocicar o passo.
“Minha sentença doce
Onde estará minha sentença?”
E eu levanto minhas mãos para agarrar
o ar.
Meu ramo de hortelã obeserva tantos campos
De delirios penitentes e de afetos tantos
E refresca o lábio rubro que suga-me
ao luar.
Trago um esboço de euforia e uma loucura
Relativa,
Para consumar o leito
Para consumir a vida
E cultivar os meus passos
Na dimensão do entardecer.
Onde estará minha sentença?”
E eu levanto minhas mãos para agarrar
o ar.
Meu ramo de hortelã obeserva tantos campos
De delirios penitentes e de afetos tantos
E refresca o lábio rubro que suga-me
ao luar.
Trago um esboço de euforia e uma loucura
Relativa,
Para consumar o leito
Para consumir a vida
E cultivar os meus passos
Na dimensão do entardecer.
Entrega em eco
Para enfeitar teu leito
De estrelas e de luto
Me coloco ante sua decisão.
E se eu não passo pela porta,
Com os olhos deslumbrantes
Se permaneço um estranho,
Observando a sucessão,
Se não me contenho entre os
Espasmos horizontais do seu desejo
É que trago em meu peito
Mariposas de asas
Devastadas.
Pois de asas devastadas são as minhas mariposas.
Inquietas e distantes, infinitas e sedentas
Ansiosas por uma implosão distante
E pela redenção da entrega absoluta.
Esses olhos calcinados, essa contabilidade dos abraços
Essa irregularidade que se consuma
Em eco.
Esse eco que reverbera em grito
Esse grito que quer clamar
Amor.
De estrelas e de luto
Me coloco ante sua decisão.
E se eu não passo pela porta,
Com os olhos deslumbrantes
Se permaneço um estranho,
Observando a sucessão,
Se não me contenho entre os
Espasmos horizontais do seu desejo
É que trago em meu peito
Mariposas de asas
Devastadas.
Pois de asas devastadas são as minhas mariposas.
Inquietas e distantes, infinitas e sedentas
Ansiosas por uma implosão distante
E pela redenção da entrega absoluta.
Esses olhos calcinados, essa contabilidade dos abraços
Essa irregularidade que se consuma
Em eco.
Esse eco que reverbera em grito
Esse grito que quer clamar
Amor.
Sábado, Junho 27, 2009
Você poderia me levar para longe,
E poderia se nutrir com silêncio
Poderiamos acalentar um cacto confuso e
Uma multdão de formigas.
A lua devoraria nossos corações e o
Sereno cairia sobre o livro aberto
Em nossa cama.
Seriamos dois e não teriamos
A ninguém,
Seriamos multidão
E um grito surdo no vazio
Não rasgariamos nossas consciências
Nem invocariamos o asfalto
Para defender a nossa causa.
O sorriso do tempo passaria
com a colheita geral dos encontros
mas adormecemos com nossos fantasmas no leito
Lábios opacos de encanto
mãos dadas com uma velha profecia.
E poderia se nutrir com silêncio
Poderiamos acalentar um cacto confuso e
Uma multdão de formigas.
A lua devoraria nossos corações e o
Sereno cairia sobre o livro aberto
Em nossa cama.
Seriamos dois e não teriamos
A ninguém,
Seriamos multidão
E um grito surdo no vazio
Não rasgariamos nossas consciências
Nem invocariamos o asfalto
Para defender a nossa causa.
O sorriso do tempo passaria
com a colheita geral dos encontros
mas adormecemos com nossos fantasmas no leito
Lábios opacos de encanto
mãos dadas com uma velha profecia.
Quarta-feira, Junho 24, 2009
Quero que me queiras, que me queiras com manhãs
E caminhadas
Com o júbilo silvestre no sorriso do capim,
Com o crescer silencioso das pedras sobre milhões de
Estrelas.
Eu tenho asas e você nunca cantou para meu sono,
Nunca levantou um só protesto contra o anoitecer
Que se aproximava.
E toda vez que meu sono de menino desertado
Rasgava teias,
Desfolhava girassóis
Você consumava a negociação
Com o vendedor do nada.
Quero que me queiras, mas também que não esqueças
Do quintal
Que não percas a contabilidade e
As perpendiculares coisas simples
Que nos afligem a cada amanhecer.
Que a cada amanhecer sempre nos afligem.
A caminho do trabalho eu estou tranqüilo:
Tenho um alaúde e um chapéu de zinco
E sou o filho preferido
Do brilho que existe
Em cada lembrança de desejo
Deserdado.
E caminhadas
Com o júbilo silvestre no sorriso do capim,
Com o crescer silencioso das pedras sobre milhões de
Estrelas.
Eu tenho asas e você nunca cantou para meu sono,
Nunca levantou um só protesto contra o anoitecer
Que se aproximava.
E toda vez que meu sono de menino desertado
Rasgava teias,
Desfolhava girassóis
Você consumava a negociação
Com o vendedor do nada.
Quero que me queiras, mas também que não esqueças
Do quintal
Que não percas a contabilidade e
As perpendiculares coisas simples
Que nos afligem a cada amanhecer.
Que a cada amanhecer sempre nos afligem.
A caminho do trabalho eu estou tranqüilo:
Tenho um alaúde e um chapéu de zinco
E sou o filho preferido
Do brilho que existe
Em cada lembrança de desejo
Deserdado.
Domingo, Junho 21, 2009
Projeto de a(r)mar
Amaria melhor e mais intensamente, sem as cores de meu verbo
Sem o galopar dos meus presságios.
Seria eu então um menininho privado de algarismos, garrafa de vinagre e lembrança
Das janelas.
Beijo perene ancorado na visão de novas primaveras congeladas,
Eu amaria melhor e mais intensamente sem minhas visões de mortos
Sem meus serões noturnos sem a voz dos campos desolados
Sem meu temor,
Sem minha dor,
Sem o coração de pássaro molhado acolhido pela relva em construção.
Eu amaria melhor e mais intensamente se brotassem margaridas
em minhas sombraçelhas,
se eu capturasse a essência do sereno
o dom da paciência e do florescimento.
EU amaria melhor se eu fosse alguma coisa,
se tivesse gravidade
Se me deslocasse para uma outra ansiedade.
Sem o galopar dos meus presságios.
Seria eu então um menininho privado de algarismos, garrafa de vinagre e lembrança
Das janelas.
Beijo perene ancorado na visão de novas primaveras congeladas,
Eu amaria melhor e mais intensamente sem minhas visões de mortos
Sem meus serões noturnos sem a voz dos campos desolados
Sem meu temor,
Sem minha dor,
Sem o coração de pássaro molhado acolhido pela relva em construção.
Eu amaria melhor e mais intensamente se brotassem margaridas
em minhas sombraçelhas,
se eu capturasse a essência do sereno
o dom da paciência e do florescimento.
EU amaria melhor se eu fosse alguma coisa,
se tivesse gravidade
Se me deslocasse para uma outra ansiedade.
Quinta-feira, Junho 18, 2009
Nosso amor é uma pequena ponta mesquinha
de horror.
Nossos afetos são os arames que cercam a planice
irregular do futuro.
Precisamos fazer algo a respeito das nuvens,
a urgência de uma ação corretiva grita nas alamedas
da aurora,
e os manifestos da rotina estão inscritos em nossos pulmões
abstratos.
Mas não existem coisas abstratas!
Não existem nuvens!
Não existem manifestos e a rotina não se inscreve em nada,
apenas no temor diário que nos mantém prisioneiros.
Pois não sabemos olhar nos olhos do incerto,
e devastamos nossas asas com fuligem, suspeita e controle.
Para no final de tudo seguirmos vazios,
nos agarrando a fumaça
com a marca das garras tatuada no peito
de outros tantos limites .
de horror.
Nossos afetos são os arames que cercam a planice
irregular do futuro.
Precisamos fazer algo a respeito das nuvens,
a urgência de uma ação corretiva grita nas alamedas
da aurora,
e os manifestos da rotina estão inscritos em nossos pulmões
abstratos.
Mas não existem coisas abstratas!
Não existem nuvens!
Não existem manifestos e a rotina não se inscreve em nada,
apenas no temor diário que nos mantém prisioneiros.
Pois não sabemos olhar nos olhos do incerto,
e devastamos nossas asas com fuligem, suspeita e controle.
Para no final de tudo seguirmos vazios,
nos agarrando a fumaça
com a marca das garras tatuada no peito
de outros tantos limites .
Domingo, Junho 07, 2009
sábado a noite.
Sentado em um bar qualquer
observando um velho ricaço
sugar o lábio neurótico de sua
esposa.
Bebendo para investir novamente
e para acelerara inevitável
derrota.
Eu conheço a rota de fuga,
sei consumar o processo,
mas apenas me sento em um bar.
Para observar moçinhos preservados da treva
com suas garotinhas sem cancros
e eu bebendo apenas por despeito e inveja,
para simplificar o julgamento do mundo.
Eu palmilhei a estrada,
sei onde está a saída,mas apenas me sento
em
um
bar.
observando um velho ricaço
sugar o lábio neurótico de sua
esposa.
Bebendo para investir novamente
e para acelerara inevitável
derrota.
Eu conheço a rota de fuga,
sei consumar o processo,
mas apenas me sento em um bar.
Para observar moçinhos preservados da treva
com suas garotinhas sem cancros
e eu bebendo apenas por despeito e inveja,
para simplificar o julgamento do mundo.
Eu palmilhei a estrada,
sei onde está a saída,mas apenas me sento
em
um
bar.
Domingo, Maio 31, 2009
Sobre a ansiedade.
Como pode um homem pressionado pela pobreza material sentir que toda sua vida é uma mentira? Não é a sobrevivência a primeira exigência que a vida impõe? Ou algum distúrbio mental poderia ser responsável pelo delírio burguês ao qual damos o nome de “busca da felicidade” na alma de um condenado? Essas perguntas afligiam a esse mesmo condenado que extraia o seu sustento de uma vida falsa que se dividia entre o trabalho angustiante e uma vida afetiva insossa. Talvez essa fosse a razão da sua ansiedade. Ou talvez a causa de tal insatisfação fosse muito mais profunda e estivesse localizada nas esquinas do seu passado, nas marcas cegas e nos hematomas que a realidade lhe tinha tatuado na carne pouca. Havia muitas vozes a falar em seu nome, e algumas delas até alegavam que ele era feliz, outras afirmavam, todavia, que ele era feliz apenas na medida do possível e finalmente algumas que afirmavam que a felicidade não existia, ou que era inatingível. E entre esses pensamentos que se revezavam esse homem seguia falando aos seus amigos, amantes e parentes sobre coisas das quais não tinha certeza alguma. Impedia-lhe talvez o medo a verbalização de sua incerteza. A ansiedade das pessoas em verem suas próprias escolhas confirmadas por ele pressionava-o e exigiam dele a mentira como único recurso de convivência social. O hábito, o medo e as próprias dúvidas desse homem colaboravam para levá-lo a repetir os seus dias em uma constância admirável, embora nele mesmo tudo fosse um jogo permanente de forças prontas para ceder as circunstâncias. Esse homem duvidava que qualquer vida humana possuísse um ponto final em determinada escolha. As mudanças que ele constatava em si mesmo faziam-lhe cético em relação a estabilidade das emoções e crenças alheias. Todavia, ele não duvidava absolutamente que houvesse pessoas estáveis para as quais o que é bom, belo e desejável não muda nunca. Enfim, ele duvidava da própria duvida e assim acabavam acreditando que os outros estavam certos e que sua insatisfação era apenas algo passageiro, que sua vida ia melhorar, que iria ter um emprego melhor, uma casa própria, netos etc.
De todas as coisas o que mais deixava esse homem triste é que com a sua incerteza ele fazia sofrer a quem ele tinha em alta conta, pessoas em quem ele depositava um grau relativamente estável de afeto, e que sofriam com a simples menção da palavra “dúvida”. Essas pessoas precisam da “certeza” do seu afeto, da sua eterna fidelidade, da impossibilidade de mudanças e da clareza sobre sua verdadeira natureza. Então ele acrescentava ao seu fardo o cuidado polido de ocultar os seus pressentimentos, afinal além de não ter certeza destes, eles poderiam ferir a quem não merecia. A mentira, como já dito, era algo inevitavel para esse homem, fosse ela acerca de seus atos, fosse ela acerca dos seus pensamentos e sentimentos. Era ele um joguete de circunstâncias e uma vitima de seus próprios atos. Cada um destes atos e escolhas cristalizava-se ao seu redor como uma pele de diamante e cada um que o observava acreditava que essa pele era ele mesmo e exigia-lhe, implicita ou explicitamente a confirmação deste preconceito. Se um dia ele mostrou-se interessado em barcos e por esse interesse conheceu pessoas, estas o encontravam na rua e colocavam-se a falar interminavelmente em barcos, e ele já não se interessava de forma alguma neste assunto. Essa incomoda situação repetia-se em muitas áreas da sua existência.
Viu esse homem lugares lindos onde poderia ter vivido outras vidas mais belas, ou sofrido de dores maiores. Conheceu esse homem mulheres que poderiam ter-lhe dado uma vida mais plena, filhos fortes e autênticos ou simplesmente loucura e morte. Sabia de profissões promissoras que poderiam lhe ter garantido uma carreira brilhante, inscrevendo seu nome na história ou somente garantido-lhe uma vida monótona e a pobreza mendicante.
Assim a vida desse homem foi escorrendo, não sem mudanças, claro, mas sem a realização da maioria das possibilidades de sua alma que se revolviam em seu amâgo como filhos. Esse homem não viveu amores que em sua mente poderia ter vivido se ele mesmo vivesse em um mundo movido por forças outras, nem se aventurou aos horizontes que ora sorriam com suas promessas e ora ameaçavam com suas ameaças. Ele envelheceu sem ver diminuídas tantas inquietações. Silenciosamente progredia nele a consciência de que agora só lhe restava à pergunta: E se?
De todas as coisas o que mais deixava esse homem triste é que com a sua incerteza ele fazia sofrer a quem ele tinha em alta conta, pessoas em quem ele depositava um grau relativamente estável de afeto, e que sofriam com a simples menção da palavra “dúvida”. Essas pessoas precisam da “certeza” do seu afeto, da sua eterna fidelidade, da impossibilidade de mudanças e da clareza sobre sua verdadeira natureza. Então ele acrescentava ao seu fardo o cuidado polido de ocultar os seus pressentimentos, afinal além de não ter certeza destes, eles poderiam ferir a quem não merecia. A mentira, como já dito, era algo inevitavel para esse homem, fosse ela acerca de seus atos, fosse ela acerca dos seus pensamentos e sentimentos. Era ele um joguete de circunstâncias e uma vitima de seus próprios atos. Cada um destes atos e escolhas cristalizava-se ao seu redor como uma pele de diamante e cada um que o observava acreditava que essa pele era ele mesmo e exigia-lhe, implicita ou explicitamente a confirmação deste preconceito. Se um dia ele mostrou-se interessado em barcos e por esse interesse conheceu pessoas, estas o encontravam na rua e colocavam-se a falar interminavelmente em barcos, e ele já não se interessava de forma alguma neste assunto. Essa incomoda situação repetia-se em muitas áreas da sua existência.
Viu esse homem lugares lindos onde poderia ter vivido outras vidas mais belas, ou sofrido de dores maiores. Conheceu esse homem mulheres que poderiam ter-lhe dado uma vida mais plena, filhos fortes e autênticos ou simplesmente loucura e morte. Sabia de profissões promissoras que poderiam lhe ter garantido uma carreira brilhante, inscrevendo seu nome na história ou somente garantido-lhe uma vida monótona e a pobreza mendicante.
Assim a vida desse homem foi escorrendo, não sem mudanças, claro, mas sem a realização da maioria das possibilidades de sua alma que se revolviam em seu amâgo como filhos. Esse homem não viveu amores que em sua mente poderia ter vivido se ele mesmo vivesse em um mundo movido por forças outras, nem se aventurou aos horizontes que ora sorriam com suas promessas e ora ameaçavam com suas ameaças. Ele envelheceu sem ver diminuídas tantas inquietações. Silenciosamente progredia nele a consciência de que agora só lhe restava à pergunta: E se?
Quinta-feira, Maio 28, 2009
Ele sentou-se na cadeira que estava a sua espera de fente para multidão que aguardava ansiosa. Muitos boatos haviam corrido a seu respeito, ainda que tão fora de moda estivessem pessoas como ele. As suas viagens se haviam tornado rarissimas uma vez que a idade adiantada o afligia, bem como as inumeras doenças que ela trazia. Não ostentava uma atitude vaidosa nem complacente. Seu olhar antes
Terça-feira, Maio 26, 2009
Anamnése
Facas pontiagudas e a pressão adjacente de paredes cada vez mais próximas. Meu pensamento. Permanentemente atemorizado pela loucura dos meus chefes ou pela inanição de meu passado, e eu já não sei. Talvez a chama do desejo acossando a posse e a falta de uma couraça para insensibilizar contra a reverberação do mundo. Ação e reação. Todos estão na chuva, mas é possível que eu tenha saído sem a minha capa. O poder é a crueldade, o êxito é a crueldade, o planejamento, a meta, o anêlo recoberto da dourada poeira da auto-comtemplação estetico-moral é redundantemente…crueldade. Vejo a neurose em seus olhos, a fome em cada gesto, o poder que precisa ser exercitado e testado a cada novo evento decisório onde se consumam as definidas posições. A lingua exercita-se em direção ao dente estragado procurando pela sensação agradavel de saber-se sensitivo através do atrito e da fricção. E o poder é fricção. O poder é a densidade conferida pelo contato com aquele que se vira como pode. “Tens respeito pelo fardo!” Disse um dia Napoleão a uma bela cortesã que maltratara um estivador. mas o peso que o fardo traz, e sensação de vida que provêm do esforço, não se compara a sensação quente que emana do poder. É preciso desaperecer diante desse olho infame. É preciso escorrer para fora das contradições. O esmagamento precisa cessar de maneira radical desfazendi a mania visual, a submissão alheia, o êxito de nossas virtudes e a perda do momento inefável em que poderiamos estar LÁ.
O poder.
O poder.
O poder.
O poder.
O poder.
O poder.
Sábado, Maio 16, 2009
Escuta Zé Ninguém!
Exiges que a vida te conceda a felicidade, mas a segurança é-te mais importante, ainda que custe a dignidade ou a vida. Como nunca aprendeste a criar felicidade, a gozá-la e a protegê-la, não conheces a coragem do indivíduo reto. Queres saber o que és, Zé Ninguém? Ouve os anúncios publicitários dos teus laxantes, das tuas pastas de dentes e desodorizantes. Mas não ouves a música da propaganda. Não distingues a abissal estupidez e o mau gosto de coisas que se destinam a ficar-te no ouvido. Já alguma vez prestaste atenção às piadas que o intelectualóide larga a teu respeito nas revistas? Piadas sobre ti e sobre ele, piadas de um mundo reles e desgraçado. Escuta a tua publicidade aos laxantes e saberás o que és.
Escuta, Zé Ninguém: a miséria da existência humana é visível à luz de cada um destes pequenos horrores. Cada ato mesquinho teu faz retroceder de mil passos qualquer esperança que possa restar quanto ao teu futuro. E sentes isto tão penosamente que, para não o saberes, inventas graças de mau gosto e chamas-lhes “humor popular”. Ouves a piada que te humilha e ris-te com os outros. Ris-te do Zé Ninguém, sem entender que é de ti que te ris, tal como milhões de outros Zés Ninguéns. Já alguma vez perguntaste a ti próprio por que razão dá espaço ao longo dos séculos à tal brincadeira maliciosa? Já alguma vez te chocou até que ponto “as pessoas” são ridículas nos filmes?
Sentes-te infeliz e medíocre, repulsivo, impotente, sem vida, vazio. Não tens mulher e, se a tens, vais com ela para a cama só para provar que és “homem”. Nem sabes o que é o amor. Tens prisão de ventre e tomas laxantes. Cheiras mal e a tua pele é pegajosa, desagradável. Não.sabes envolver o teu filho nos braços, de modo que o tratas como um cachorro em quem se pode bater à vontade. A tua vida vai andando sob o signo da impotência, no que pensas, no teu trabalho. A tua mulher abandona-te porque és incapaz de lhe dar amor. Sofres de fobias, nervosismo, palpitações. O teu pensamento dispersa-se em ruminações sexuais. Falam-te de economia sexual. Algo que te entende e poderia ajudar-te. Que te permitiria viveres à noite a tua sexualidade e que te deixaria livre durante o dia para pensar e trabalhar. Que te faria ter nos braços uma mulher sorridente em vez de desesperada, ver os teus filhos sãos em vez de pálidos, amorosos em vez de cruéis. Mas quando ouves falar de economia sexual dizes: “O sexo não é tudo. Há outras coisas importantes na vida”. És assim, Zé Ninguém.
Escuta, Zé Ninguém: a miséria da existência humana é visível à luz de cada um destes pequenos horrores. Cada ato mesquinho teu faz retroceder de mil passos qualquer esperança que possa restar quanto ao teu futuro. E sentes isto tão penosamente que, para não o saberes, inventas graças de mau gosto e chamas-lhes “humor popular”. Ouves a piada que te humilha e ris-te com os outros. Ris-te do Zé Ninguém, sem entender que é de ti que te ris, tal como milhões de outros Zés Ninguéns. Já alguma vez perguntaste a ti próprio por que razão dá espaço ao longo dos séculos à tal brincadeira maliciosa? Já alguma vez te chocou até que ponto “as pessoas” são ridículas nos filmes?
Sentes-te infeliz e medíocre, repulsivo, impotente, sem vida, vazio. Não tens mulher e, se a tens, vais com ela para a cama só para provar que és “homem”. Nem sabes o que é o amor. Tens prisão de ventre e tomas laxantes. Cheiras mal e a tua pele é pegajosa, desagradável. Não.sabes envolver o teu filho nos braços, de modo que o tratas como um cachorro em quem se pode bater à vontade. A tua vida vai andando sob o signo da impotência, no que pensas, no teu trabalho. A tua mulher abandona-te porque és incapaz de lhe dar amor. Sofres de fobias, nervosismo, palpitações. O teu pensamento dispersa-se em ruminações sexuais. Falam-te de economia sexual. Algo que te entende e poderia ajudar-te. Que te permitiria viveres à noite a tua sexualidade e que te deixaria livre durante o dia para pensar e trabalhar. Que te faria ter nos braços uma mulher sorridente em vez de desesperada, ver os teus filhos sãos em vez de pálidos, amorosos em vez de cruéis. Mas quando ouves falar de economia sexual dizes: “O sexo não é tudo. Há outras coisas importantes na vida”. És assim, Zé Ninguém.
( Trecho do livro Escuta Zé Ninguém - Wilhelm Reich )
Sexta-feira, Maio 15, 2009
Contra os comediantes.
Rir ou chorar diante de fatos demonstra a incapacidade de lidar com eles . A piada assim como o terror brotam da extrema impotência. Por isso o sexo é protagonista tanto dos mais terríveis crimes como das melhores piadas.
Juan Leon
Aos incautos.
As palavra que escrevo nesse blog querem ser lidas. As musicas que eu coloco nesse blog querem ser ouvidas. Os lamentos que escoam desse blog, que correm pelas ruas, que supuram nas esquinas querem despertar a piedade. O tesão frustrado que move os péssimos versos desse blog querem seu harém. Esse blog é uma lamuria, uma fanfarronada, um gesto vergonhoso que traria risos a boca desdentada de um mendigo. Mas esse blog não implora, não pede comentário e vai continuar se abarrotando das inutilidades que são destiladas pelo meu pensamento. Muito úteis para mim, elas são a esquiva e o golpe certo, a dança de Muhamed Ali e o soco de uma polegada do B. Lee. Acima de tudo ó incautos...Esse blog não barganha comentários.
Segunda-feira, Maio 11, 2009
Eu estou aqui
Nunca esperei nada de muito fantástico da vida. O que sou foi forjado na luta agoniada contra três temores: a fome, o abandono e a vergonha. A vontade intensifica-se quando se reúnem em uma mesma pessoa um orgulho imenso e um terror inominável. Sem o orgulho para reagir o horror geralmente esmaga e o que resta é um frangalho mal ajustado e bem conformado. Sem o horror para acossar a decisão, para obrigar os sentidos a lidar com a emergência a vida corre letargia e perde-se muito tempo e energia com mesquinharias. Preocupação com a publicação antes da produção da obra, com a popularidade antes da própria vida. O gozo pleno é uma função da urgência. Só os urgentes são criveis e reais. A urgência não permite planos, não pode perder tempo, não cede espaço para a intrusão do alheio. O pressentimento da extinção talvez seja aparentado com essa posição, mas não quero adentrar esse terreno. Para mim ele inspira vida. Vida rica e produtiva, vida de multiplicação e sorte, vida de atenção e pertinência. A urgência move o Leão, pois sua presa é rara e cada momento é decisivo. Nem só o talento, ao contrário do que pensam, determina sua existência, mais principalmente o acaso. O acaso é o Deus do forte.
Ela veio para mim desinibida. Seu lábio vermelho tremia na expectativa de prazer que ela também já não sentia há muito tempo. os dias não tinham sido generosos com ela e a tinham deixado marcada pela tristeza, tatuada de olheiras e com o corpo tenso por medo de sofrer. Mas eu sabia de sua historia mesmo sem jamais tê-la visto antes. Abracei seu corpo magro com força e a puxei de encontro a mim, ela sentiu meu desejo pulsar,eu senti sua alma vibrar, ela sabia que eu a queria. Arranquei a sua roupa com uma brandura cheia de fúria e lhe acariciei os cabelos- Seus olhos brilhavam- Ela disse-me sussurrando:
-Eu não sabia que podia ser assim...
-Geralmente não pode meu bem - Lhe respondi- Mas nós estamos perdidos , e pessoas como nós não tem nada a perder.
Deixei meus dedos correrem sem direcção pelo corpo dela quente até que nua ela entorpecida se entregasse. Sorvi sua essência quente. Provei do seu gosto salgado. Esperei que ela estivesse estremecendo em convulsões alucinadas, para saber como um homem de verdade faz, acostumada que estava aos imberbes rapazote da graduação. Contorceu-se enquanto caiam por terra todos os pudores e somente então a invadi com um gesto forte e firme. Até o fundo.
Ela gozou por todo corpo apresentando com uma evidência irrefutável a minha confirmação.
Eu quis levar adiante, apesar de não oferecer muitas opções de viabilidade social. Desempregado, com filhos e completamente envolvido em uma regularidade afetiva com outra pessoa que não pretendia abandonar. Saquei que algo tinha mudado quando o telefone dela ficou ocupado o dia inteiro e o meu não tocou de forma alguma. Tinha sido um lance incrivel, com nossos corpos sedentos chegando lá, baudelaire no pé do ouvido, beatles, blues e pink floyd com um vermelho por do sol... mas ela tinha razão,e eu sabia. O tempo todo elas sempre tem razão...Só o derrotado romantiza a derrota lhe emprestando ares de grandeza. Mas quem faz isso sabe que engana a si mesmo...eu sabia. Ela tinha caido fora...e as pontas de cigarro espalhadas pelo quarto,as garrafas de vinho, baíra e conhaque dançavam uma valsa insana ao redor de minha cabeça...Velho fudido. Maquiavel de suburbio, Sartre de favela, ultima palavra na bôca moribunda do futuro, e no fundo, mas no fundo, bem no fundo eu permanecia o brilho cristalino de uma inocência singular. Muitos meses depois desse incidente ainda me arrastava pelos bares imundos bebendo e trepando tudo que aparecesse pela frente...Havia perdido o pouco de brio e dignidade que possuia...Tudo cheirava a merda.... passei por ela outro dia e vi que estava bem. O cara ao lado dela era bem mais novo e mais sensato que eu e minha barba em contraste com a careca, minhas roupas amarrotadas cheirando a vômito, meu livro de neruda amassado em baixo do braço devem tê-la feito suspirar de alivio por ter caido fora a tempo...Sem saber do que eu poderia ter sido se ela tivesse ficado. Provavelmente nada, mas essa era um dúvida que ela deveria considerar e por não ter considerado ela ficou lá e eu estou aqui.
Quinta-feira, Maio 07, 2009
Machado de Assis, O maior e talvez o único escritor brasileiro
"O Homem é uma errata pensante . Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes."
Sábado, Maio 02, 2009
Para variar.
Eu estava esperando a minha mulher chegar em frente a um tumultuado shoping center e resolvi entrar em um sebo para passar o tempo procurando alguma coisa de interessante ou de inesperado para alimentar-me de metafóras ou pontos de vista. Pilhas e pilhas de livros atestavam milhares de tentativas mal sucedidas de deixar um registro do percurso finito de outros. Um livrinho pequeno com uma gravura sinistra na capa me chamou a atenção, chamava-se "banquete dos vermes". Não conhecia aquele autor. O sujeito estava realmente de mal com a vida. Sempre conseguimos encontrar alguém mais radical que nós, e isso não deixa de ser engraçado, embora não sirva de conforto. "Os vermes tem mais sorte que nós, pois desconhecem o passado horrendo de sua sinistra refeição." Putz. Isso sim é tentar acabar com o brinquedo dos outros. Todavia não comprei o livro, já tenho espécimes exóticos em demasia em meu terrário de sombras. Minha mulher chegou e fomos as compras, procurei ser simpático e não reclamar muito das pessoas. É mais importante estar atento.
Sexta-feira, Maio 01, 2009
Dois lados.
OS vencedores tem músculos de bronze
Reluzindo ao sol poente
Com um Deus elevando-se sobre seus passos
Radiante brancura e zombante sorriso
Até a meta final.
Vencedores tem um nome a zelar,
Precisam de lindas mulheres para ostentar
Em vitrinas
ou de carros brilhantes para consumar
seu orgasmo.
Vencedores possuem, agarram, rasgam, batem o pé
Telefonam para o tio da policia,
Ou para o paizão empresário,
Estão nos sonhos de suas mães
Na contracapa da vida contada em salões
Míticos de devastadores boatos.
Vencedores vivem em um palco do filme que foi
Feito para eles.
Vencedores comparam-se, medem-se, maldizem a expressão menor
E só aceitam o sucesso.
Vencedores se não envelhecem cercados por mulheres gananciosas
Enfiam uma bala na cabeça como recurso final
De impotência.
Fracassados se olham com olhos de opera
Contam canções de lirismo quando desce a cortina
Amam como quem recebe uma esmola
e aceitam a migalha que lhes
Cai sobre os pés em confirmação ao pressagio.
Fracassados geralmente encontram na virtude um argumento
E na história uma desculpa.
Fracassados são incapazes de elaborar uma dança,
O NÃO está em seus lábios e seus olhares são a pretensão
Que se esquiva
Para os banheiros out-sideres onde difamam o anfitrião
Que lhes impôs um convite.
Fracassados são preguiçosos e impopulares,
Cultivam suas dores ou se escondem delas
Em bueiros de palavras confusas.
Fracassados chegam sempre ao final
Com as mãos cheias de fábulas
Fracassados geralmente acabam cedendo a alguma forma de
Igreja,
tombando como cepos dementes em poças de sangue ou
esvaindo-se em loucura e veneno enquanto consideram a nobreza.
Reluzindo ao sol poente
Com um Deus elevando-se sobre seus passos
Radiante brancura e zombante sorriso
Até a meta final.
Vencedores tem um nome a zelar,
Precisam de lindas mulheres para ostentar
Em vitrinas
ou de carros brilhantes para consumar
seu orgasmo.
Vencedores possuem, agarram, rasgam, batem o pé
Telefonam para o tio da policia,
Ou para o paizão empresário,
Estão nos sonhos de suas mães
Na contracapa da vida contada em salões
Míticos de devastadores boatos.
Vencedores vivem em um palco do filme que foi
Feito para eles.
Vencedores comparam-se, medem-se, maldizem a expressão menor
E só aceitam o sucesso.
Vencedores se não envelhecem cercados por mulheres gananciosas
Enfiam uma bala na cabeça como recurso final
De impotência.
Fracassados se olham com olhos de opera
Contam canções de lirismo quando desce a cortina
Amam como quem recebe uma esmola
e aceitam a migalha que lhes
Cai sobre os pés em confirmação ao pressagio.
Fracassados geralmente encontram na virtude um argumento
E na história uma desculpa.
Fracassados são incapazes de elaborar uma dança,
O NÃO está em seus lábios e seus olhares são a pretensão
Que se esquiva
Para os banheiros out-sideres onde difamam o anfitrião
Que lhes impôs um convite.
Fracassados são preguiçosos e impopulares,
Cultivam suas dores ou se escondem delas
Em bueiros de palavras confusas.
Fracassados chegam sempre ao final
Com as mãos cheias de fábulas
Fracassados geralmente acabam cedendo a alguma forma de
Igreja,
tombando como cepos dementes em poças de sangue ou
esvaindo-se em loucura e veneno enquanto consideram a nobreza.
Segunda-feira, Abril 27, 2009
É impossível achar palavras para descrever o que é necessário para aqueles que não conhecem o horror. O horror tem um rosto...e você deve ficar amigo do horror. Horror e terror moral devem ser seus amigos, do contrário são inimigos a temer.
Marlon Brando (Coronel Kurtz) Apocalipse Now
Domingo, Abril 26, 2009
Habeas Corpus para Juan Leon
Juan Leon tem um girassol que padece
e registra suas petições e reclames
sem obter resultados ou corpos.
Juan Leon está só
em um sentido que ultrapassa a física,
Juan Leon está vendado, atado, amputado,condenado,
com o único sonho restante dissolvendo-se
em um redemoinho insano de desmaios, desafeto e paradoxos.
Juan Leon estende a mão para a aurora
mas ela está com a mão ocupada
segurando um x-burguer
com o seio imenso escapando pela camiseta
indiana.
Juan Leon não está surpreso pois
Os arcanos previam,
Os Aurivedas previam,
Nostradamus previa,
O psicanalista obeso que estacionou o carro importado sobre seus pés previu,
Todas as merdas de passarinho que tombaram sobre seu rosto impotente
desde a primeira masturbação solitária previram
TERIA QUE SER DESSA FORMA.
Mas ele tentou reverter a jogada apostando mais alto
em uma rodada de cartas contra um Royal Straight Flush
enquanto toda a mesa entregava as pontas.
Juan Leon é um caso confuso,
um insucesso aplaudido,
que permanecerá contestando
o ruído das dobradiças
e a progressão geométrica da dor.
Sábado, Abril 25, 2009
Sábado, Abril 18, 2009
Pais e FIlhos
Quando eu era um adolescente vagando pelas paisagens devastadas do subúrbio, gastava o meu tempo entre os esportes de rua, investidas mal-sucedidas a garotas e bravatas com alguns amigos na esquina. Eu era o rei do escárnio, da maledicência e da picardia; No mais era uma garoto muito mais inofensivo e tonto que os demais. Todavia, sempre exerci um papel bem marcante nas rodas de bate papo, dominó e baralho. As mães dos outros garotos tinham algeriza da minha pessoa. Consideravam-me, via de regra, má influência. Demasiado livre, demasiado solto e sem amarras, e o pior: sem uma mãezinha para me puxar as orelhas. Na época, creio que isso era bem doloroso. Não podia ir a casa desses meus colegas, precisa aguardar que saíssem para tratar dos planos para o próximo jogo de cartas, a próxima partida de volei e outros arranjos com os quais me ocupava para ocultar minha falta de meta ou propósito.
Hoje olhando retrospectivamente eu vejo o quanto a minha inveja era injustificada. A maioria dos meus amigos se dividiu entre três rotas de vida que são para mim igualmente feias e sem gosto como bocados velhos e frios de pão sem manteiga. Alguns deles ainda moram com suas famílias ou mães. Tornaram-se perpétuos apêndices da mentalidade gregária que a familia geralmente representa. Outros seguiram exatamente o caminho traçado pelos pais e perderam com isso a confiânça neles mesmos. Suas vidas são uma copia fajuta do que seus pais foram e, eu acho, ninguém convive bem com isso. Mas o pior caso para mim é o daqueles que passaram tanto tempo mentindo para os pais, fazendo-os acreditar que eram aquilo que eles queriam, que perderam completamente a capacidade de lidar com a vida de peito aberto, sem enlamear tudo que tocam, e sem a capacidade de encantar-se definitivamente com as coisas. É o que R.D Laing chama de vínculo duplo. Venera-se alguém e essa veneração implica negar alguns anseios e pulsões. Mas para negar nossos anseios sem nos negarmos a nós precisamos acreditar que o objeto de nossos anseios não é digno deles, pois são sujos, feios, maus, falsos, mentirosos e etc.
Assim venera-se o que não satisfaz e o que poderia dar satisfação se odeia.
É claro que tenho minhas patologias e desesperos (basta ler rapidamente esse blog para perceber) mas existe algo que para mim está para além da alegria ou da dor, é a criatividade e o heroismo pessoal. Naõ creio que essas vidas que listei tenham qualquer traço desses valores.
Quinta-feira, Abril 16, 2009
"Mulher mata marido, irmã e sobrinha."
"A delegada Rosane de Oliveira revelou os detalhes do crime que chocou a comunidade de Novo Hamburgo nesta quarta-feira. A empresária Roselani Radaeli D´Avila, 45 anos, matou o marido Flávio Machado D´Avila, por volta das 5h38 de terça-feira, para evitar ser internada em um clínica devido a um quadro de depressão."
Extraído do Jornal o Diário de Canoas 15/04/2009
Mais uma vez nosso conhecimento acerca do que convencionamos chamar de limites morais para a ação humana revelam-se insuficientes. Mais insuficientes ainda revelam-se também nossas pretensões de justificar esse sentido ético por recorrência ao que denominamos de "essência humana". Para tentar reconstruir e cimentar o abismo que abre-se sob os nossos pés ao refletir sobre essa tragica situação, os psicológos, sociológos, psiquiatras e criminalistas irão, certamente, falar bastante e talvez convençam as massas que tem sede dessa desculpas como o beduíno tem de Água. Todavia as conversas nas ruas ainda revelam que o emplastro dos especialistas por enquanto ainda não cicatrizou a ferida na consciência ética da multidão. Como explicar, sustentando nosso senso do que é um ser humano, a situação na qual sem um motivo minimamente consistente uma mulher mata fria e calculisticamente uma mãe que também era sua irmã, uma criança que também era sua sobrinha, e um homem que era seu marido. Com três cortes secos feitos a faca ela ceifou a vida daqueles que ela mais deveria amar e nós, que nos consideramos "normais", precisamos encontrar uma explicação, um motivo, algo que pudessemos imaginar que nos levaria a fazer a mesma coisa se estivéssemos em seu lugar.
Temo ter que dizer que não temos essa explicação. A grande quantidade de fatores que interferem sobre a ação e a deliberação, desde a necessidade material às necessidades psicológicas e simbólicas inviabilizam, penso eu, uma explicação no sentido lógico-metafisico como estamos acostumados. O amor é uma palavra que usamos para legitimar nossa dedicação a algumas pessoas pessoas mesmo a custa de prejuízos para nós; Bem poderia, por outro lado, ser considerado também uma loucura e um disparate causar uma dor ou abrir mão de um gozo por outro indivíduo. Mas somos assim, na maioria das vezes, e outras pessoas também o são e por isso nos sentimos legitimados nesse nosso comportamento, mas isso é apenas uma questão estatística.
O fato é que não sabemos se há ou não limites, regras e fatores determinantes para o comportamento dos indivíduos, nem como o trabalho, a história e o quotidiano destes interage com as suas escolhas e preferências. Mas vivemos em uma sociedade que precisa de seus mitos para conseguir coexistir. Um deles é o da "normalidade psíquica" o outro é o que que qualquer ser humano sadio só age com propósitos racionais". Ouvi dizer que depois de certo tempo na corporação ou no exercito alguns policiais e soldados passam a ter uma espécie de compulsão gratuita pela violência e até mesmo pelo desejo de matar. Mas se a sociedade precisa de soldados e policiais o que fazer? Bom, o melhor é acreditar que os indivíduos que praticam tais atos são doentes e casos a parte.
(...) Não importam as explicações, precisamos seguir vivendo.
Terça-feira, Abril 14, 2009
Meus sentimentos sobre a maioria das pessoas.
Valhacouto de marginais! Filhos de meretrizes soezes! Sibaritas! Porcos nefelibatas! Corruptos corruptores! Ladravazes, ladroaços, ladravões e ladronaços! Mequetrefes! Vira-bostas! Apedeutos! Mefíticos! Mentecaptos! Rufiões! Cáftens! Proxenetas! Caraxués! Tuberculosos cerebrais! Boçais e boçaloides! Bunodontes! Peçonhentos! Relapsos! Contumazes! Mussaranhos! Obnubilados! Patetas! Patuscos! Pancrácios! Vacuns! Torpes! Insidiosos! Melífluos! Caras-de pau! Pérfidos! Falsos varões de Plutarco! Sepulcros caiados! Filisteus! Traidores! Sacripantas! Maquiáveis de subúrbio! Provincianos! Fariseus! Crápulas! Vândalos! Cafonas! Bregas! Gonorréicos! Disentéricos! Excrementiformes! Equinococos! Larvares! Alvares! Patetas! Bucaneiros! Bifrontes! Sofistas! Cínicos! Bufões! Merdosos! Sicofantas! Songamongas! Genocidas! Embusteiros! Parasitas! Coprófagos! Vampiros! Estupradores! Sodomitas! Prostitutos! Delinqüentes! Marginais! Narcotraficantes! Criminosos! Tintureiros de dinheiro! Rapaces! Predadores! Velhacos! Ali Babás! Nauseabundos! Prepotentes! Arrogantes! Preguiçosos! Furrecas! Jurássicos! Coliformes! Estelionatários! Bonifrates! Mambembes! Boquirrotos! Apocalípticos! Covardes! Vendidos! Comprados! Traiçoeiros! Formadores de quadrilha! Vendilhões! Cínicos! Mentirosos compulsivos! Abortos da natureza!
Desespero cuotidiano (como permanece atual)
Manhã estúpida depois do sono e o banheiro
cheirando a vomito e desespero...
Não foi um sonho.
Cheiro de café,oração matinal, pássaros cantando,
e Deus em seu trono rindo
obsceno.
está ficando
pior...
8 horas imensas esperando
para engolir minha alma,
o açougue gelado,
o riso amarelo das velhas,
querendo o melhor pedaço de carne.
Eu e outros fracassados
golpeando com força e retirando a vontade de viver
das tripas da morte para sair rastejando aos últimos raios
moribundos do sol
sem ninguém para contar
o quanto é difícil....
cheirando a vomito e desespero...
Não foi um sonho.
Cheiro de café,oração matinal, pássaros cantando,
e Deus em seu trono rindo
obsceno.
está ficando
pior...
8 horas imensas esperando
para engolir minha alma,
o açougue gelado,
o riso amarelo das velhas,
querendo o melhor pedaço de carne.
Eu e outros fracassados
golpeando com força e retirando a vontade de viver
das tripas da morte para sair rastejando aos últimos raios
moribundos do sol
sem ninguém para contar
o quanto é difícil....
Sábado, Abril 11, 2009
A dor e a percepção da dor.
As portas precisam estar livres dos batentes e
a gravidade cuotidiana das coisas pressiona para fora um milhão de inquietos anseios.
Eu questiono meu sonhar
e as imagens que borbulham da cabeça
após um dia de trabalho & sangue.
O medo acossa o batalhão das taras
e a sede do prazer não é um impulso claro
e nem sem contrações nervosas que esgotam nossa singularidade.
Mas eu, que me escrutino na perspectiva do atrito indispensável para prosseguir desperto daquelas confusas alucinações e me pergunto...
Onde nos furtaremos ao golpe sangrento da ânsia
e do anêlo evidente de ser?
As portas precisam estar livres dos batentes e
a gravidade cuotidiana das coisas pressiona para fora um milhão de inquietos anseios.
Eu questiono meu sonhar
e as imagens que borbulham da cabeça
após um dia de trabalho & sangue.
O medo acossa o batalhão das taras
e a sede do prazer não é um impulso claro
e nem sem contrações nervosas que esgotam nossa singularidade.
Mas eu, que me escrutino na perspectiva do atrito indispensável para prosseguir desperto daquelas confusas alucinações e me pergunto...
Onde nos furtaremos ao golpe sangrento da ânsia
e do anêlo evidente de ser?
Sábado, Abril 04, 2009
Politica, cultura e intelectualidade no Brasil.
O panorama politico, intelectual - cultural brasileiro oferece tanta variedade quanto nossa fauna. Nesse quesito podemos nos orgulhar de ser a maior democracia da América latina, não só em tamanho mas também em variedade. vejamos algumas características desta nossa diversidade tão original . Começarei pelos políticos: como é normal no imaginário cultural de um pais que ainda não livrou-se de sua tríplice herança católico-tribal-feudal, no Brasil a actividade politica é exercida com um espírito muito pouco profissional. Politica, na maioria dos casos, é uma prática sacerdotal, esotérica, envolta em uma aura de mistério, onde os "irmãos da ordem"(do dinheiro) protegem uns aos outros, enquanto o público que os elege e é por tais sacerdotes surrupiado cala-se e venera como convém fazer em assuntos religiosos. Ou então desdenha destas pessoas (como nossos avós faziam pelas costas dos padres ao final das missas) mas sem fazer nada de positivo acerca delas.
Com relação ao panorama cultural a variedade é tão grande que eu precisaria escrever mas do que já fiz até aqui nesse blog e não conseguiria tal façanha, vou citar apenas alguns poucos elementos desta. Quem já morou em um subúrbio pobre de Salvador vai entender do que falo. O primeiro aspecto que quero ressaltar é a falta de preocupação com o próprio destino. Os jovens vivem até a maturidade na casa dos pais e se as oportunidades são poucas, por razões que conhecemos bem, eles as tornam ainda menores com algumas inclinações nada pragmáticas. A primeira delas é o ancoramento no solo materno e paterno. Fico bestificado como os jovens que tenho conhecido nas periferias reluta em sair dali. Os vínculos familiares ancoram os indivíduos em seus lares, os vínculos sociais estimulam a repetição, a padronizarão e as vezes as únicas opções possíveis são: tornar-se protestante, criminoso, pai de família sub-remunerado ou militante de esquerda. Isso sem falar das contradições inseridas em nossas praticas comunicativas, o machismo ralaaxerecanoxão, o pessimismo nadavalenadafoda-seosistema e etc, etc, etc.
Com a intelectualidade brasileira não é diferente. Ainda mal recuperada da embriagues do idealismo marxista (muito necessária em certas circunstâncias) saudosa do encantamento medieval e rancorosa em relação a vida mediana, nossa vida intelectual nos oferece um curioso (mas nada novo) painel. A critica pela critica, a pouca disposição em assumir demandas realizáveis, a compaixão pelas massas mas sem sequer sonhar em ocupar as mesmas fileiras que essa mesma massa que pretende defender. Além disso existe a ideia de que ser intelectual é ser critico, radical e profundo. Valores que o cristianismo já havia incorporado ao seu catecismo.
Enfim, ficaria listando essas e outras manias por horas, mas basta olhar para os lados para perceber que nem conseguiria fazer a metade deste imenso trabalho.
Quinta-feira, Abril 02, 2009
O confronto (fragmento III)
Coloco os óculos, o boné pego as chaves e estou pronto para a loucura de de novo. No leito ela ainda dorme enroscada na almofada com um sorriso iluminando sua face linda. Pois que repouse enquanto puder, ao despertar cada um de nós que atender as reivindicações do horror. Desço pelo elevador social e o porteiro me cumprimenta desconfiado, a viatura com outros agentes me espera na saída do prédio. Eu sei o que as pessoas pensam sobre os policiais. Em sociedades virtualmente guerreiras soldados são venerados. O lavrador, o comerciante e até mesmo o religioso; Todos eles sabem que suas vidas dependem do trabalho insalubre daqueles homens estranhos. Mais meus vizinhos me temem pois a guerra que eu travo não está na fronteira, eu a trago para o batente de suas casas, porta adentro de seus lares. Eles temem a nossa face obscura que comunga com um lado da vida que gostariam de esquecer, mas invejam o fato de exercermos legalmente a violência que só lhes cabe dentro de limites. As putas balançam suas bolsas ao passarmos pela rua 28 para estourar mais uma boca de tráfico. è claro que já fodi umas duas ou três nessa região, mas as da orla são melhores, menos arriscadas e de farda elas sugam um sujeito sem cobrar pelo serviço. Mas porque foder algumas putas quando as gatinhas da universidade, doces e suaves oferecem suas vaginas, seus seios, sua alma diante da nossa farda e do nosso distintivo?
Somos recebidos a bala na subida da favela. A chuva assassina desce sobre os carros e os blindados adotam as posições de guerra. Alguns grãos de poeira serão soprados para longe hoje. Como um sedento amante empunho meu fuzil, desço da viatura como um raio e antes de me dar conta disso já estou espremendo o gatilho satisfeito. Esse é o meu trabalho.
Somos recebidos a bala na subida da favela. A chuva assassina desce sobre os carros e os blindados adotam as posições de guerra. Alguns grãos de poeira serão soprados para longe hoje. Como um sedento amante empunho meu fuzil, desço da viatura como um raio e antes de me dar conta disso já estou espremendo o gatilho satisfeito. Esse é o meu trabalho.
Quarta-feira, Abril 01, 2009
Break fast de Sombra
Eu corro pelas ruas despido sob olhares que enxovalham, acossado pela vergonha que não poupa transeuntes, semáforos fechados, vizinhanças temerosas e o assassino que habita ao meu lado perturbando meu jardim.
Vejo oceanos negros onde bóiam nossos mortos, nossas casas de madeira se erguem sob a lama, escombros de sentença abraçam nossas vidas e eu tento me erguer e formular uma resposta que escoa entre meus lábios e tomba no silêncio e no vazio.
Boca costurada,
seráfico mistério,
amor de impotência,
compaixão universal por uma totalidade inexistente,
mahakaruna do absurdo,
Buda deserdado, sexo rasteiro gritado pelas ruas fode, trepa, tabaco, corno, puta, cachorra,Buceta,
Violentamente, violentamente, violentamente.
E seguimos cegos sem parâmetros para mensurar o nosso equívoco achamos gasolina, penduramos os sapatos e construímos setas pontes e embrulhos para conter a inquietude faminta que revolve entranhas derruba os governos e empunha armas
parado aí filhodaputaquevouteestouraracabeça
todos querem ver, todos querem... participar.
E a vida segue em seguida definhando até o gran finale tedioso ou o esmagamento súbito.
E ninguém pode se esquivar
E ninguém pode se esquivar
e
ninguém
pode
se
esquivar.
Sábado, Março 28, 2009
Vomitório reflexivo de um profeta aposentado
Senhores, venho até vós comunicar-vos o manifesto definitivo do direito a ser singular em oposição aos velhos celebralísticos processos, religiosos e medianos de apenas estar sob a face da terra para depois desaparecer sob as cortinas indevassadas, sob as coisas gerais que nos tocam sem sabermos .
Venho até vós enaltecer-vos pela grandiloqüência dos supermercados, pela futilidade dos vossos pensamentos, pela inutilidade das letras que escrevestes enquanto a garra arrasava vossa polpa tenra de imaculada consciência.
Quero agradecer-lhes, sobretudo, por quase coisa alguma, pois sou reticente, quero elogiar-vos por engravidar crianças, por antecipar a dor, por fazer a própria criança acreditar que deve engravidar, que não há espaço sobre a terra sem calça Saint-trópé, beijo na boca internet, sexo rala a xareca no chão, favela ê favela, favela eu sou favela, nos subúrbios para substituir a fome .
Apenas bandeiras, clamores, bandos, foices, edifícios, o capitalismo deve cair, morte a burguesia, que venha Jesus meu todo poderoso, esperando pela definitiva mão do acaso, desertificação absurda que cavalga na noturnidade seca de preâmbulos rochosos, sem a noção exata de sua finitude cada um prossegue com seu dom justamente adquirido
De comparar-se
De acusar como dedo fétido
De viver voltado para fora
As escarradas que chamamos decisões perpetuam nossa ofensa
E seguimos sorridentes acrescentando nossas razões ao panorama indiferentemente lúcido de milhões de estrelas.
Venho até vós enaltecer-vos pela grandiloqüência dos supermercados, pela futilidade dos vossos pensamentos, pela inutilidade das letras que escrevestes enquanto a garra arrasava vossa polpa tenra de imaculada consciência.
Quero agradecer-lhes, sobretudo, por quase coisa alguma, pois sou reticente, quero elogiar-vos por engravidar crianças, por antecipar a dor, por fazer a própria criança acreditar que deve engravidar, que não há espaço sobre a terra sem calça Saint-trópé, beijo na boca internet, sexo rala a xareca no chão, favela ê favela, favela eu sou favela, nos subúrbios para substituir a fome .
Apenas bandeiras, clamores, bandos, foices, edifícios, o capitalismo deve cair, morte a burguesia, que venha Jesus meu todo poderoso, esperando pela definitiva mão do acaso, desertificação absurda que cavalga na noturnidade seca de preâmbulos rochosos, sem a noção exata de sua finitude cada um prossegue com seu dom justamente adquirido
De comparar-se
De acusar como dedo fétido
De viver voltado para fora
As escarradas que chamamos decisões perpetuam nossa ofensa
E seguimos sorridentes acrescentando nossas razões ao panorama indiferentemente lúcido de milhões de estrelas.
E isso é o que somos.
Sexta-feira, Março 27, 2009
Pesquisas
Pesquisas mostram que as pessoas negras têm complexo de inferioridade ao ver famílias brancas
Pesquisas mostram que os Judeus se preocupam exclusivamente com a sua lascívia financeira
Pesquisas mostram que o Socialismo é um fracasso universal onde quer que seja praticado pela polícia secreta
Pesquisas mostram que a Terra foi criada 4.004 anos a.C, um Divino Bang
Pesquisas mostram que pardais, abelhas, lagartas, galinhas, porcos e vacas exibem sinais de comportamento homossexual quando aprisionados
Pesquisas mostram que a Confissão da Inerrância Batista do Sul é a mais virulenta forma da Verdade Cristã
Pesquisas mostram que 90% das pessoas que vão ao Dentista têm dentes ruins escovar seus dentes violentamente três vezes ao dia após as refeições estraga as raízes
Pesquisas mostram que Hollywood continua fazendo os melhores filmes, a sexualidade degenerada que as Nações Unidas é Boa [ ] Ruim [ ] Indiferente [ ] para os interesses americanos
Marque uma opção
Pesquisas mostram que a homossexualidade Reconstrucionista Cristã é Pecado, Lesbianismo crime contra a natureza, AIDS uma praga enviada para punir papa-Anjos gays bissexualidade desaprovada por 51% dos Americanos
Pesquisas mostram que jovens metaleiros que assistem TV alcançam maior QI do que os nativos dos rios Amazonas e Ucayali que não têm antenas
Pesquisas mostram que as orcas e as baleias apresentam Inteligência Mais Alta
Pesquisas mostram que a Corrupção Espiritual do Individualismo Elitista & a Arte Degenerada foram as causas de Ditaduras na União Soviética China e Alemanha que a posse de pornografia no Instituto da Família Americana resultou em um aumento de 35% dos crimes sexuais entre as bibliotecárias do instituto ver comportamento assassino em besteiróis de TV aumentou em 100% o comportamento de linguagem violenta pelos Chefes de Estado intercontinentais
Para concluir pesquisas mostram que o universo material não existe
Domingo, Março 22, 2009
Não é a semelhança que engendra a mediocridade e sim o hábito de medir-se com o outro."
Juan Leon domingo ás 22:00 após duas cervejas
"Todo amor é o aceno da vida com uma das mãos e o golpe da morte com a outra"
Juan leon Domingo às 23:00 depois de cinco cervejas
"Todo mundo deseja ser original, mas ninguém está disposto a chupar um parafuso
ou limpar latrinas para isso"
Juan leon 00:00 de segunda, vomitado falando merda e incapaz de ser coerente.
Juan Leon domingo ás 22:00 após duas cervejas
"Todo amor é o aceno da vida com uma das mãos e o golpe da morte com a outra"
Juan leon Domingo às 23:00 depois de cinco cervejas
"Todo mundo deseja ser original, mas ninguém está disposto a chupar um parafuso
ou limpar latrinas para isso"
Juan leon 00:00 de segunda, vomitado falando merda e incapaz de ser coerente.
Sábado, Março 21, 2009
Juan Leon
Juan Leon Não tem chance.
Está de pé em um ringue por mero descuido
da morte.
Juan Leon é um fardo até para si,
um estorvo completo no caminho da vida.
Juan Leon não consegue,
não é viavel nem forte.
Juan Leon não teve um pai,
Juan Leon não teve uma mãe,
Juan Leon se arrastou entre os restos e
ficou feliz quando encontrou algumas migalhas.
Juan Leon conta bravatas e acredita nelas as vezes
Juan Leon ouve musica para perdedores
se veste como perdedores
ama como perdedores
E fica fascinado com o silêncio na tarde.
Juan Leon é um projeto sem meta
com a consciência da morte enterrada
entre as gordas costelas
careca, faminto, vaidoso, egoista, machista,
e irremediavelmente contaminado
pela inocente ternura das coisas sem peso.
Juan Leon Sofreu como um porco
e não sabe passar a bola para frente.
Juan Leon Vai deixar de existir logo, logo
e o nada irá refletir-se em seu olho
opaco de quem encontrou uma casa vazia.
Está de pé em um ringue por mero descuido
da morte.
Juan Leon é um fardo até para si,
um estorvo completo no caminho da vida.
Juan Leon não consegue,
não é viavel nem forte.
Juan Leon não teve um pai,
Juan Leon não teve uma mãe,
Juan Leon se arrastou entre os restos e
ficou feliz quando encontrou algumas migalhas.
Juan Leon conta bravatas e acredita nelas as vezes
Juan Leon ouve musica para perdedores
se veste como perdedores
ama como perdedores
E fica fascinado com o silêncio na tarde.
Juan Leon é um projeto sem meta
com a consciência da morte enterrada
entre as gordas costelas
careca, faminto, vaidoso, egoista, machista,
e irremediavelmente contaminado
pela inocente ternura das coisas sem peso.
Juan Leon Sofreu como um porco
e não sabe passar a bola para frente.
Juan Leon Vai deixar de existir logo, logo
e o nada irá refletir-se em seu olho
opaco de quem encontrou uma casa vazia.
Sexta-feira, Março 20, 2009
Expurgo
A praia era distante e suas dunas de areia alva erguiam-se por toda orla até sumir-se no horizonte onde começava a cidade e sua loucura. Eu estava tentando fugir de algo que me perseguia há algumas semanas. Não tinha dinheiro, não tinha uma garota, não tinha uma filosofia, uma família ou qualquer outra estrutura sobre a qual pudesse montar minhas fortalezas. Os poucos trocados que me sobravam após pagar o aluguel não me garantiam o bastante para ir a um bar encher a cara sem ter o saco escrotal pressionado pelas botas de uma cultura que me era indigesta. Rejeição tácita daquilo que não nos oferece oportunidade de barganha. Rejeitava, rejeitava e rejeitava. Ficassem eles com seus pactos sombrios, seu cerebralismo faminto e seu punho de sangrento sucesso. Eu me esquivava para uma vida extremamente cinza por fora, mas ardente, pulsante e criativa por dentro, esperando apenas o momento oportuno para explodir em uma torrente de vida, que o silêncio iria coroar gargalhando nas minhas auroras. Diante dessa impotência sombria adquiri o hábito de acampar em meus finais de semana. Arrumava alguns trapos na mochila, pegava o ônibus e retirava-me para uma praia não muito distante, mas afastada o bastante para isolar-me da exposição aos ruídos horrendos que as pessoas normais produzem quando cessa o trabalho.
As pequenas elevações encimadas por coqueiros e cobertas em alguns pontos de vegetação rasteira separavam o mar de um longo e estreito rio com águas escuras. Do alto era possível ver seu caudaloso percurso, quase se perdendo no infinito. O som do mar era a soma do ruído de todas as ondas, grandes e pequenas, rebentando-se nas pedras. Ouvindo-as atentamente, separando o som aparentemente uniforme em suas partes integrantes, o meu pensamento louco e suas inquietações silenciava-se, punha-se apenas a observar. Em um ponto do rio as pessoas, turistas e nativas, banhavam-se e faziam barulho perturbando a harmonia do local com seus estridentes gritos. Em meio à imensa beleza daquela paisagem eles eram exceções, um pequeno tanque de confusão em meio ao imenso reservatório da paz e do silêncio. O momento as parecia pressionar, o encontro social lhes irritava a polpa do afeto e eles tinham que falar, falar e falar. Falar para justificar, para lamentar, para defender-se e permanecerem os mesmos apesar das injunções do destino.
Eu armei a minha barraca, tirando as roupas meticulosamente da mochila, separando os alimentos dos livros. Arrumei alguns gravetos e palhas de coqueiro secas, fiz uma pequena fogueira, fiquei fumando um cigarrinho enquanto o tempo passava por mim desdenhoso. A Tarde estava acabando e os turistas começavam a se retirar com seus carros para sua vida confusa e espremida entre preços e danos, apetites e cobranças, medos e desejos. Eu estava satisfeito, apesar de ainda sentir a coisa movendo-se por detrás das reflexões. Peguei minha uma toalha e me dirigi para o rio. A areia fina fazia atrito em minhas carcumidas sandálias. O céu estava ficando avermelhado e misterioso. Sozinho cheguei a beira do rio, sozinho nela sentei-me e fiquei constrangido ao perceber que estava interrompendo a vida em seu curso. Um casal namorava bem perto de mim empolgado. O rapaz estava jogando duro e a garota lhe dava todas as razões necessárias para justificar seu esforço. Linda como a essência da sinceridade calada, os cabelos morenos caídos sobre os seios polpudos que o rapaz sugava ávido, com uma lagrima caindo do olho direito. Me senti um criminoso, um facínora por ali me encontrar observando um mundo do qual eu tinha sido expurgado. Eles não me viram. Uma pequena moita e a empolgação brilhante do momento lhes asseguravam a continuidade autêntica de suas pulsões. Eu, calado e embasbacado fiquei tão mudo e seco de vergonha que me levantei e saí tremendo por dentro. A consciência plena de que não era viável. Na fuga esqueci uma de minhas sandálias, segui até o acampamento com a certeza do exílio e apenas um dos meus pés calçados.
As pequenas elevações encimadas por coqueiros e cobertas em alguns pontos de vegetação rasteira separavam o mar de um longo e estreito rio com águas escuras. Do alto era possível ver seu caudaloso percurso, quase se perdendo no infinito. O som do mar era a soma do ruído de todas as ondas, grandes e pequenas, rebentando-se nas pedras. Ouvindo-as atentamente, separando o som aparentemente uniforme em suas partes integrantes, o meu pensamento louco e suas inquietações silenciava-se, punha-se apenas a observar. Em um ponto do rio as pessoas, turistas e nativas, banhavam-se e faziam barulho perturbando a harmonia do local com seus estridentes gritos. Em meio à imensa beleza daquela paisagem eles eram exceções, um pequeno tanque de confusão em meio ao imenso reservatório da paz e do silêncio. O momento as parecia pressionar, o encontro social lhes irritava a polpa do afeto e eles tinham que falar, falar e falar. Falar para justificar, para lamentar, para defender-se e permanecerem os mesmos apesar das injunções do destino.
Eu armei a minha barraca, tirando as roupas meticulosamente da mochila, separando os alimentos dos livros. Arrumei alguns gravetos e palhas de coqueiro secas, fiz uma pequena fogueira, fiquei fumando um cigarrinho enquanto o tempo passava por mim desdenhoso. A Tarde estava acabando e os turistas começavam a se retirar com seus carros para sua vida confusa e espremida entre preços e danos, apetites e cobranças, medos e desejos. Eu estava satisfeito, apesar de ainda sentir a coisa movendo-se por detrás das reflexões. Peguei minha uma toalha e me dirigi para o rio. A areia fina fazia atrito em minhas carcumidas sandálias. O céu estava ficando avermelhado e misterioso. Sozinho cheguei a beira do rio, sozinho nela sentei-me e fiquei constrangido ao perceber que estava interrompendo a vida em seu curso. Um casal namorava bem perto de mim empolgado. O rapaz estava jogando duro e a garota lhe dava todas as razões necessárias para justificar seu esforço. Linda como a essência da sinceridade calada, os cabelos morenos caídos sobre os seios polpudos que o rapaz sugava ávido, com uma lagrima caindo do olho direito. Me senti um criminoso, um facínora por ali me encontrar observando um mundo do qual eu tinha sido expurgado. Eles não me viram. Uma pequena moita e a empolgação brilhante do momento lhes asseguravam a continuidade autêntica de suas pulsões. Eu, calado e embasbacado fiquei tão mudo e seco de vergonha que me levantei e saí tremendo por dentro. A consciência plena de que não era viável. Na fuga esqueci uma de minhas sandálias, segui até o acampamento com a certeza do exílio e apenas um dos meus pés calçados.
Quinta-feira, Março 19, 2009
"Tenho um bastão comprido de bambu, com um laço de couro na ponta, que uso para tratar com mulheres. Eu coloco o laço em volta do pescoço delas, para que não possam fugir nem se aproximar muito. É como o negócio que se usa para pegar cobras"
"Nunca me esforcei para ser um sucesso. Simplesmente aconteceu. Eu apenas tentava sobreviver."
"Não importa com quem você se case, sempre acorda casado com outra pessoa"
Marlon Brando
"Nunca me esforcei para ser um sucesso. Simplesmente aconteceu. Eu apenas tentava sobreviver."
"Não importa com quem você se case, sempre acorda casado com outra pessoa"
Marlon Brando
Terça-feira, Março 17, 2009
A garota virtuosa.
Ela era muito bonita, sem dúvida uma das garotas mais estupendas que já conheci. Também não era estupida, pelo contrário, lia muito, escrevia alguns textos muito inteligentes e possuia um ar fantastico de quem está desabrochando em metamorfose constante. Todavia, ela era ríspida e seca. estava sedimentada sobre uma base a partir da qual rejeitava a maioria das pessoas. Não recebia bem a conjuntura dos fatos e gritava contra a poeira da convivência. Não sei que espinhos entranharam-se em sua alma e ela vivia uma mentira. Naõ aceitava nada que não fosse o reconhecimento da sua sublimidade outorgada pela dor, pelo brio...por suas virtudes. Ela não sabia fazer concessões. E quando as fazia era por desprezo a si mesma. Arrastava um olhar de desterro ou um falso encanto por coisas a toa, detalhes insignificantes para esquivar-se as comparações. Não comia carne, odiava os U.S.A, desprezava o prazer mediano em que os homens se esqueçem de fardos tão pesados que ela jamais sonharia carregar. Ela interpretava si mesma de uma forma ímpar e com isso negava as vestimentas que o mundo lhe oferecia para vestir. Não sei se sua aptidão artistica, se seu intelecto inquieto era um produto dessa fissura nos gestos ou se era algo mais próprio e regular em seu ser. De quealquer forma era impossivel trocar alguns verbos com ela a menos que se estivesse caido, revoltado ou absolutamente cativo de seus encantos, encantos esses que ela sempre tentou demonstrar que não dava muita importância.
No entanto a despeito de suas pretensões essa garota cresceu e casou-se. Seu marido, um eterno adolescente sem muito senso de responsabilidade viveu toda a vida dos pecúnios paternos. Ela acrescentou aos seus fardos o da velhice. Não viveu os encantos de si mesma, não colheu os frutos de seu corpo durante as suas primaveras, não testou muitas hípóteses, tornou-se seca e rancorosa e murchou sobre os compromissos de um mundo contra o qual tentou mover sua batalha.
Sexta-feira, Março 13, 2009
"O homem é a fera dilatada."
"Certos homens são sonhos, outros gritos."
"Os ricos ocupam um lugar definitivo e inabalável na existência;
os pobres fazem-se mais pequenos para não ocuparem lugar."
"O amor é cada qual ser como um cão. É a gente ser menos que nada e eles
serem tudo."
Raul Brandão - Os pobres
"Certos homens são sonhos, outros gritos."
"Os ricos ocupam um lugar definitivo e inabalável na existência;
os pobres fazem-se mais pequenos para não ocuparem lugar."
"O amor é cada qual ser como um cão. É a gente ser menos que nada e eles
serem tudo."
Raul Brandão - Os pobres
O confronto (trecho II)
A decisão de escrever é uma atitude louca, uma tentativa desesperada de conseguir contornar o precipício. Poucos conseguem. Atravessamos, na maioria dos casos, o deserto sozinhos e somente na narração dessa história alguém caminha conosco. Acenamos com nossos gestos e com nossas palavras, alguém nos retorna outros gestos e outras palavras e a necessidade de fugir ao fato cruel de nossa solidão transforma esses acidentes em união, mas estamos sempre sozinhos. Imploramos para que leiam nossos poemas, desejamos ser amados por nossos corpos ou nossas escolhas e tudo isso não mais é que a fuga desse isolamento que não queremos. E o motivo pelo qual não queremos não importa, não modificaria em nada essa ânsia sabê-lo. Eu não me arrependi de atirar no traficante ontem a noite, ouvi depois o choro de sua familia, era só mais um trabalho. Creio que também não guardaria magoa se fosse ele a me atingir. Creio. Ambos os lados compõem um jogo, uma dança cujo propósito, se é que existe algum, desconhecemos. O capitão quer me condecorar pela ação, tentei faze-lo entender que isso não me interessa, que não me diz respeito e que o sucesso e a vitória são tão acidentais quanto contrair uma gripe. Todavia, ele tem seus próprios motivos. Noite de folga, a mulher fala em sair e ir a uma festa com amigos de trabalho, mando ela ir sozinha e fico em casa bebendo, ouvindo Stravinsky e fumando uns cigarros. A rua lá embaixo está agitada todos procuram alguma coisa e eu apenas reajo e espero. Um novo confronto haverá de chegar.
Quinta-feira, Março 12, 2009
Espere a primavera Bandini.
John Fante Morreu cego.
Ditava as imagens para sua esposa e não podia consumir nicotina.
Seus olhos estavam voltados para o mundo de dentro onde ele transitava
Entre as ruas e conversava com as palmeiras risonhas.
John fante elaborou seu relato com a caneta tinteiro
Da coragem de estar.
Ele sabia o que estava acontecendo e não tentou ir muito longe com aquilo.
John fante comprou seus cigarros,
viu o combate seguindo,
não se misturou com a lama
E permaneceu de pé em seu encanto e espantado.
John fante era bastante sutil para não espremer as palavras
John Fante era um homem e não estendeu seu clamor ao além,
John Fante não se revoltou, senão brevemente.
Consumiu as suas energias com a vida para além da revolta.
E translucidamente foi homem o bastante
Para não conceber desistências,
Para não cantar heroísmos ou fugas
Para olhar a noite chegando
O tempo passando
E a primavera esvaindo.
John Fante terminou em silêncio
transitando entre os caminhos confusos que ele tateou
buscando a alegria,
buscando a dignidade
e um bom vinho para celebrar
sua vida.
Ditava as imagens para sua esposa e não podia consumir nicotina.
Seus olhos estavam voltados para o mundo de dentro onde ele transitava
Entre as ruas e conversava com as palmeiras risonhas.
John fante elaborou seu relato com a caneta tinteiro
Da coragem de estar.
Ele sabia o que estava acontecendo e não tentou ir muito longe com aquilo.
John fante comprou seus cigarros,
viu o combate seguindo,
não se misturou com a lama
E permaneceu de pé em seu encanto e espantado.
John fante era bastante sutil para não espremer as palavras
John Fante era um homem e não estendeu seu clamor ao além,
John Fante não se revoltou, senão brevemente.
Consumiu as suas energias com a vida para além da revolta.
E translucidamente foi homem o bastante
Para não conceber desistências,
Para não cantar heroísmos ou fugas
Para olhar a noite chegando
O tempo passando
E a primavera esvaindo.
John Fante terminou em silêncio
transitando entre os caminhos confusos que ele tateou
buscando a alegria,
buscando a dignidade
e um bom vinho para celebrar
sua vida.
Quarta-feira, Março 11, 2009
"Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor"
"Até quando nos sentaremos nós nos nossos alpendres a praticar virtudes ociosas e bolorentas, que qualquer trabalho tornaria descabidas? "
"A virtude a que chamamos de boa vontade entre os homens é apenas a virtude dos porcos na pocilga, que dormem juntinhos para se aquecer"
"Mil vezes sentar-me à vontade em cima de uma abóbora do que comprimir-me entre outras pessoas numa almofada de veludo'
( HENRY DAVID THOREAU )
"Até quando nos sentaremos nós nos nossos alpendres a praticar virtudes ociosas e bolorentas, que qualquer trabalho tornaria descabidas? "
"A virtude a que chamamos de boa vontade entre os homens é apenas a virtude dos porcos na pocilga, que dormem juntinhos para se aquecer"
"Mil vezes sentar-me à vontade em cima de uma abóbora do que comprimir-me entre outras pessoas numa almofada de veludo'
( HENRY DAVID THOREAU )
Domingo, Março 08, 2009
O confronto (trecho)
A coronha do revolver estava espremida entre os meus dedos enquanto eu atravessava a favela. Ouvimos tiros vindo do alto do morro, provavelmete os traficantes estavam resistindo a nossa invasão. Era somente mais um dia de trabalho. Mais um maldito dia de trabalho que poderia ser de qualquer outro trabalho. Qualquer trabalho, em qualquer parte do mundo: seria a mesma merda de luta, as mesmas pessoas se chocando, querendo, querendo e querendo; Não importa o quê. Só esse movimento louco importava. Os rapazes do meu batalhão agora capturaram um pobre infeliz com uma arma enferrujada e alguns papelotes. Provavelmente deve ter tido sua glória e seu heroismo como um soldado do tráfico. Mas e agora? Em poucos minutos as coronhas dos rifles descem sobre seu rosto e ele é só mais um saco de sangue pisado e ossos quebrados. E é somente isso que somos? As vezes gosto de imaginar que estou me afastando, e então ficar apenas olhando. Olhando a crênça cega na vida e no seu beneficio, no prazer desejante e na fome de ser algo diante dos olhos de alguém. ondas e ondas imensas de pesoas se rasgando, mordendo, beijando...Querendo permanecer acima de tudo. Eu consegui mirar na cabeça do sujeito que se acreditava escondido no alto de uma laje. O tiro foi certeiro. A mulher e os filhos daquele traficante iriam chorar naquele dia.
Vale encantado - Para Indra meu eterno Girassol.
Ela poderia ser tanto,
ela teria horizontes imensos,
os barcos a aguardavam no porto
mas quem a recebeu tinha garras e jaulas.
E seus dias alegres foram pulverizados,
com a cinza dos mortos
e com fracasso herdado que precisa ser transmitido.
Açougueiros se reproduzem,
harpias nefastas amamentam com fel
e meu girassol está condenado.
Você lembra-se do riso do verão?
você recorda da doçura do vale encantado?
tua memória embotada não alcança
seus sonhos?
você foi engolida pelo sistema odioso
que rejeitei
Mas não consegui te salvar...
Mas não consegui te salvar...
Lama para paredes brancas!
Fogo, para a pele da face!
Sede para a necessidade de repouso que arrastamos
tentando preservar nossa sanidade.
Eu guardei alguns doces para você entre os bosques
e minha mão está estendida com o SIM tatuado,
Cultivarei aquilo que o ódio arrasou,
cuidarei dos arcanjos, das fadas e do vale encantado.
ela teria horizontes imensos,
os barcos a aguardavam no porto
mas quem a recebeu tinha garras e jaulas.
E seus dias alegres foram pulverizados,
com a cinza dos mortos
e com fracasso herdado que precisa ser transmitido.
Açougueiros se reproduzem,
harpias nefastas amamentam com fel
e meu girassol está condenado.
Você lembra-se do riso do verão?
você recorda da doçura do vale encantado?
tua memória embotada não alcança
seus sonhos?
você foi engolida pelo sistema odioso
que rejeitei
Mas não consegui te salvar...
Mas não consegui te salvar...
Lama para paredes brancas!
Fogo, para a pele da face!
Sede para a necessidade de repouso que arrastamos
tentando preservar nossa sanidade.
Eu guardei alguns doces para você entre os bosques
e minha mão está estendida com o SIM tatuado,
Cultivarei aquilo que o ódio arrasou,
cuidarei dos arcanjos, das fadas e do vale encantado.
"o gênio está morto. Temos necessidade de mãos fortes, de espiritos que estejam dispostos a abandonar o fantasma e criar a carne."
Henry Miller
Henry Miller
Sábado, Março 07, 2009
Sexta-feira, Março 06, 2009
A arte do amor.
A arte
de devorar o desejo não ultrpassa instantes
nem exsitem raizes sob a superficie do afeto
mas processos de gozo persitem nas horas
caladas em que teçemos processos e metas
contabilizando privações da infância,
e projeções de pessoas
que sustentam em suas estruturas a própria
envergadura do amor.
E o amor é uma palavra gasta,
mastigada
e suja,
erguida pelas mãos de matronas
padres,
juizes,
e acorvadados poetas.
Mas o amor que flosresce nos gozos
sem intenção ou propósito,
na afinidade do acaso entre os corpos e vidas
sem permanência
irá persistir
e sobre suas colunas cantaremos um dia.
de devorar o desejo não ultrpassa instantes
nem exsitem raizes sob a superficie do afeto
mas processos de gozo persitem nas horas
caladas em que teçemos processos e metas
contabilizando privações da infância,
e projeções de pessoas
que sustentam em suas estruturas a própria
envergadura do amor.
E o amor é uma palavra gasta,
mastigada
e suja,
erguida pelas mãos de matronas
padres,
juizes,
e acorvadados poetas.
Mas o amor que flosresce nos gozos
sem intenção ou propósito,
na afinidade do acaso entre os corpos e vidas
sem permanência
irá persistir
e sobre suas colunas cantaremos um dia.
Quinta-feira, Março 05, 2009
A Igreja e o Aborto- Vale a pena reclamar?
A igeja recentemente manifestou-se contra o aborto legal de uma garota de 9 anos que depois de ser abusada pelo padrasto ficou grávida de gêmeos. Ora, aconstituição assegura que as vitimas de violência sexual ou cuja gravidez pode implicar risco de vida tenham direito ao chamado "aborto legal", mas até a esse tipo de aborto a igreja se opõe. Isso causou indignação por parte dos movimentos feministas, mas eu não entendo porque. Afinal, a religião é e sempre foi em todas as suas expressões institucionais e politicas um freio e uma pedra atada aos pés da sociedade em geral, e desejar que a religião deixe de sê-lo é pedir que ela seja outra coisa e não religião. O protestantismo é menos radical com relação ao aborto, pelo menos em algumas de suas facções, mais nem por isso pode ser considerado uma religião liberal. Basta consultar qual a opnião dos pastores acerca dos homosexuais, lésbicas, travestis ETC. Em qualquer desses casos as palavras doente ou posseso será utilizada para referir-se a orientação desses indivíduos. Agora veja: Nós que assimilamos Freud e Darwin, que acreditamos que a religião é obsoleta em todos os seus aspectos, que acreitamos qe um comportamento moral não precisa estar vinculado a uma posição religiosa, será que ainda precisamos reclamar da religião? Acho que não. Deixemos o papa, os "Bispos" berrarem aos seus asseclas sua rejeição do liberalismo, eles nada poderão contra nossas instiuições, nem contra nossa liberdade. A menos que a miséria e a pobreza continuem aumentando ou que hecatombes naturais ou bélicas nos assolem, pois diante da dor e do desespero a fragilidade dos indivíduos os levam a recorrer quase inevitavelmente a formas atávicas de fundamentalismo religioso. Portanto o verdadeiro desafio é promover e acreditar através da ação em uma sociedade economicamente inclusiva e não protestar contra os conservadores religiosos.
Terça-feira, Março 03, 2009
Um excelente ensaio sobre a Psicanálise e Richard Rorty por Jurandir Freire :
http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/Rorty2.htm
http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/Rorty2.htm
Papo cabeça
- Uma das piores coisas dessa pós modernidade relativista é que não podemos mais condenar nada nem ninguém ! Todo mundo pode dizer que está certo , todo mundo pode achar que tem razão, e o mundo escorre lentamente para o inferno.
- Bom, seria preciso em primeiro lugar determinar se podemos realmente afirmar que há um mal essencial (o inferno) e depois se o mundo caminha necessariamente para ele através da pós-modernidade. E segundo, se constitui algum tipo de anti natureza o fato de alguns projetos humanos fracassarem.
- Bom, seria preciso em primeiro lugar determinar se podemos realmente afirmar que há um mal essencial (o inferno) e depois se o mundo caminha necessariamente para ele através da pós-modernidade. E segundo, se constitui algum tipo de anti natureza o fato de alguns projetos humanos fracassarem.
Ensaios Sobre Freud, Darwin e a Crise. Parte II
Em que circuntâncias procuramos a verdade e qual é sua relevância para cada um de nós? Penso que o que chamamos de verdade constitui, na maioria das vezes, o ponto a partir do qual pretendemos nos firmar para provar que os propósitos ou afirmações de alguém estão em contradição com ele mesmo, com sua essência ou com a essência do mundo ou da linguagem. Como o cientista de nosso liberalismo, Freud Poderia nos auxiliar a considerar obsoletas essas recorrência a verdade com o próposito de dobrar o outro, de fazê-lo reconhecer que suas opções e escolhas pessoais devem submeter-se a algo maior que ele mesmo. Devidamente incorporada a nossa cultura essa interpretação permitiria a produção de um amplo espectro de liberdades nunca dantes sonhadas, bom como um grau superlativo de tolerâncias e de convergências de interesses através da relativização de nossas exigências particulares acerca do que é o bem, o certo,e o desejavel.
Darwin poderia fazer o mesmo com nossa politica. A naturalização do bem estar, e a descrição da felicidade com um processo contigente de adequação entre o ser humano e o mundo poderia facultar-nos a descrição da politica com uma permanente tentativa de superar problemas momentâneos e injunções do contexto. Essas tentativas, obviamente teriam seu sucesso vinculado a dependência da criação de ferramentas, dispositivos, leis e práticas que ainda não temos e que só poderiam ser desenvolvidos "coletivamente" uma vez que o que estaria em jogo seria a sobrevivência e o bem estar de nossa "especie.
Darwin poderia fazer o mesmo com nossa politica. A naturalização do bem estar, e a descrição da felicidade com um processo contigente de adequação entre o ser humano e o mundo poderia facultar-nos a descrição da politica com uma permanente tentativa de superar problemas momentâneos e injunções do contexto. Essas tentativas, obviamente teriam seu sucesso vinculado a dependência da criação de ferramentas, dispositivos, leis e práticas que ainda não temos e que só poderiam ser desenvolvidos "coletivamente" uma vez que o que estaria em jogo seria a sobrevivência e o bem estar de nossa "especie.
Segunda-feira, Março 02, 2009
Duas histórias de externalismo
Katia era unanimidade em nossa rua. Quando ela saia de casa no final da tarde para comprar pão ou ir ao mercado fazia os pobres fedelhos que jogavam bola na esquina tremer em suas bases, mas Katia não lhes dava a miníma. Orgulhosa, de andar altivo que impunha um certo respeito a molecada do suburbio mantendo-a a distância, Katia era assunto recorrente em nosso imaginário. Ela dispensava os estudos, afinal para que estudar quando o mundo inteiro parece abrir as portas quando ela passava rebolativa e se como exemplo de feminilidade ela não via nada para além dos horizontes românticos cantados nas novelas e rerpodzido por sua mãe e amigas? A Tania era diferente, sempre levada e sapeca, embora não menos formosa, ela misturava-se aos moleques na maioria das brincadeiras e não disfarça um certo atrevimento nas roupas que usava e no vocabulário que empregava. Tania identificava-se com as fêmeas aventureiras, fatais e sedutoras que via estampadas nas capas de revista masculina e nos vidéo clipes. ELa também tinha pouco a fazer na escola além de ensaiar seus artificios sedutores e namorar. As duas cresceram e se tornaram mulheres deslumbrantes. Diante da apreciação masculina Katia descobriu uma estrada para a construção de si-mesma. Cedeu as cantadas do rapaz mais possesivo e laborioso do lugar. Seu primeiro e ultimo namorado, o Paulo César era cobrador de ônibus, o que para os padrões da periferia era grande coisa. Ela tornou-se a sua esposa com 16 anos, sobre os protestos do pais, claro, e daí em diante a história de suas dores, alegrias e futuro confundiu-se com a história de Paulo Cesar, e para ela, essa fusão não foi muito vantajosa. KAtia, como era, brilhante e luminosa, em menos de 10 anos converteu-se em uma matrona ressentida, imensa, fofoqueira e permanetemente atormentada pelo ciúme.
A Tania, por sua vez, não casou-se. Transou pela primeira vez com 13 Anos e como sabemos, garota que transa fora de um relacionamento "estavel" na pereiferia fica "falada", foi o que aconteceu e Tania nunca mais teve o que chamamos de namoro "sério". Teve várias experiências afetivas e sexuais, com jovens deliquentes, motoristas de ônibus, Traficantes perigosos até virar mãe solteira aos 18 anos pela primeira vez, aos 20 pela segunda e com 25 já tinha 04 filhos. Cada um filho de um pai diferente, o resultado de um diferente insucesso. Aos 26 Tania converteu-se a uma igreja Protestante radical, a mesma que frequentava a matrona chorosa chamada Katia. Tornaram-se irmãs de culto e amigas e inventaram muitas justificativas para o sucesso dessa amizade erigida com os destroços de um imenso fracasso.
A Tania, por sua vez, não casou-se. Transou pela primeira vez com 13 Anos e como sabemos, garota que transa fora de um relacionamento "estavel" na pereiferia fica "falada", foi o que aconteceu e Tania nunca mais teve o que chamamos de namoro "sério". Teve várias experiências afetivas e sexuais, com jovens deliquentes, motoristas de ônibus, Traficantes perigosos até virar mãe solteira aos 18 anos pela primeira vez, aos 20 pela segunda e com 25 já tinha 04 filhos. Cada um filho de um pai diferente, o resultado de um diferente insucesso. Aos 26 Tania converteu-se a uma igreja Protestante radical, a mesma que frequentava a matrona chorosa chamada Katia. Tornaram-se irmãs de culto e amigas e inventaram muitas justificativas para o sucesso dessa amizade erigida com os destroços de um imenso fracasso.
Domingo, Março 01, 2009
Ensaios Sobre Freud e Darwin e a crise. Parte 1
Precisamos redimir Freud e Darwin. Isso implicaria trabalhar arduamente para diferenciar a obra de Darwin de sua leitura hobesiana e obra de freud e suas interpretações marcuseanas, junguianas e Dawirnianas. Vivemos um momento delicado e perigoso da história pois certos riscos implicitos à tentativas contigencialistas como a politica democratica se concretizaram de maneira critíca. A recente crise do sistema econômico, a desorganização desse mesmo sistema econômico mundial e a conseqüente frustração momentânea de todas as expectativas dos pensadores liberais fazem resurgir o clamor pela segurança e estabilidade, bem como ao espirito de renúncia e suspeita acerca da maioridade dos indivíduos, que sabemos bem onde desagua. É um momento delicado, pricipalmente para os paises onde o processo de instauração da cultura iluminista não culminou na realização mediana dos nossos ideais de secularização e livre fruição para todos. O desemprego aumenta, o crime também e na esteira de tudo isso a possibilidade de avanço constante da barbarie em todos os seus aspectos. A reversão do presente quadro e o resgate das possibilidades de alimentar a esperança em uma sociedade secular e liberal, penso eu, dependerá em ultimo caso das decisões e acasos ocorridos no campo econômico, contudo, penso eu, existe algo que os literatos e filosófos como eu podem fazer. Poderiamos retomar Freud, publicizá-lo em uma linguagem menos chocante para o individúo que não nutre interesse pela filosofia nem pela ciência. Sim, penso na produção voltada para a ênfase aos aspectos "estetizantes", singularizantes da Psicanalize de Freud. Veja Freud permite-nos como enfatiza Rorty, vermo-nos como autores de nossa própria história. A psicanalize Freudiana aponta os acidentes e acasos da vida de cada pessoa, e a forma particular através da qual cada um reage a tais acasos, como determinantes para constituição de sua Psiquê. Sim, subtraindo s denúncia dos aspectos "patológicos" dessa determinação pelo acaso, bem como toda sua pretensão de encontrar uma metasicologia, Freud poderia ser o nosso "cientista" do liberalismo. (continua)
Decadência - Raul de Leoni
Afinal, é o costume de viver
Que nos faz ir vivendo para a frente.
Nenhuma outra intenção, mas, simplesmente
O hábito melancólico de ser...
Vai-se vivendo... é o vício de viver...
E se esse vício dá qualquer prazer à gente.
Como todo prazer vicioso é triste e doente,
Porque o Vício é a doença do Prazer...
Vai-se vivendo... vive-se demais,
E um dia chega em que tudo que somos
É apenas a saudade do que fomos...
Vai-se vivendo... e muitas vezes nem sentimos
Que somos sombras, que já não somos mais nada
Do que os sobrevivente de nós mesmos!...
Sábado, Fevereiro 28, 2009
Valsa de Ahasverus
Ela sabe que eu não seria,
não poderia,
e que a circunferência da terra
não tem começo também.
Ela fareja meus sentidos, conheçe os
meus impulsos e nunca me viu
chamando mamãe ou papai.
Ela me avalia, pesa, mede, compara e derruba
a pedra final sobre minha pobre carcaça.
Chorosa, onanista, orgulhosa, decadente e feia
e no entanto
divinamente imaculada e brilhante.
Ela me aponta as amigas,
dissemina o meu dossiê, grita nas praças após eu sair:
"Ele lê Albino Forjaz, Ele ouve Hank Wiliams,
Ele Acha que o Bukowiski, o Fante e o Steinbek são os maiores"
Ele não vai a igreja,
ao samba,
Ao Show de Rock na carlos gomes vestindo
camiseta do Che Guevara, louvando velhos panfletos pendurados
na descarga"
Ela faz tudo isso...
Se afasta das cortinas para lavar os anos que viriam no tanque
na familia, no dia a dia da certeza canonizada de um afeto acinzentado
querendo,
desejando,
ansiando
pela loucura que eu trago na virilha.
Ela vai no dia a dia petrificando-se e esvaindo-se
até o breve rio
da resignação.
não poderia,
e que a circunferência da terra
não tem começo também.
Ela fareja meus sentidos, conheçe os
meus impulsos e nunca me viu
chamando mamãe ou papai.
Ela me avalia, pesa, mede, compara e derruba
a pedra final sobre minha pobre carcaça.
Chorosa, onanista, orgulhosa, decadente e feia
e no entanto
divinamente imaculada e brilhante.
Ela me aponta as amigas,
dissemina o meu dossiê, grita nas praças após eu sair:
"Ele lê Albino Forjaz, Ele ouve Hank Wiliams,
Ele Acha que o Bukowiski, o Fante e o Steinbek são os maiores"
Ele não vai a igreja,
ao samba,
Ao Show de Rock na carlos gomes vestindo
camiseta do Che Guevara, louvando velhos panfletos pendurados
na descarga"
Ela faz tudo isso...
Se afasta das cortinas para lavar os anos que viriam no tanque
na familia, no dia a dia da certeza canonizada de um afeto acinzentado
querendo,
desejando,
ansiando
pela loucura que eu trago na virilha.
Ela vai no dia a dia petrificando-se e esvaindo-se
até o breve rio
da resignação.
Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009
Um corpo irrefutável.
Ela estava colocada a uma distância razoavel, distraida o bastante para não perceber o meu olhar. Seu namorado, marido ou amante a envolvia pela cintura em um abraço que demonstrava posse e orgulho. A exibia com a um troféu, e seu rosto liso e bem barbeado, suas roupas justas e seu carro ponta de linha denuciavam o hábito de extrair muita satisfação dessa exposição social do afeto. Decaido e ciníco demais para esperar do conluio social algo mais que perseguição ou indiferênça eu não teria tais pretensões em relação aquela garota de cintura esguia, seios firmes e olhar distante que ocupava o estreito espaço entre os braços do tacanho garotão. O cabelo cortado na altura do pescoço e o jeito coquete de quem provoca até dormindo, tratando peixe ou lavando roupa estimularia uma batalha árdua, um trabalho delicado de dedos, linguas, suspiros e sedenta invasão. Um sonho de garota, do tipo que nem em meus mais audazes sonhos esperei possuir. Todavia eu era um velho olhando para um outro mundo, um velho cético sobre os grandes espiritos iluminados, casamento, fidelidade e a sublimidade do sublime.
Minha cerveja esquentou e eu pedi outra para o pobre garçom que asfaltava o trecho que lhe cabia no acesso a sucursal do inferno. A rapaziada se refestelava indiferente ao olhar ciníco do velho e careca que observava fascinado a bela dama, suas possibilidades carnais e o regojizo infinito que ela poderia proporcionar a um amante cuidadoso e dedicado, esse seria eu, claro. A bexiga apertou depois da quinta cerveja, um tanto grogue levantei-me e fui ao banheiro que ficava aos fundos. O torpor alccolico, a convergência das imagens, a queda absoluta e a descofiança do si-mesmo eram engolidas pelo tesão intriduzido em meus pensamentos pela visão daquela beldade infante. Onde terminam as planices da poesia? Como redimir aqueles que não foram bastantes astutos para inventar a própria redenção? Lancei um bom jato de urina que demorou uma eternidade, lavei as mãos e saí do banheiro. Parei no contramarco que dava acesso a um quintal do bar e acendi um cigarro, foi quando uma perfmue suave me envolveu e uma mão me tocou o ombro. Ao virar-me ela estava de pé em minha frente. Estremeci de alto a baixo em um impulso adolescente, como se todas as trepadas, recursos aos bregas, desmitificações da feminilidade tivessem se anulado. SUa boca transpirava sexo, seu busto saliente transpirava sexo, o pé de seu umbigo exposto transpirava sexo e eu naquele momento quase acreditei em Deus.
-O senhor poderia me dizer as horas, meu tio?
O aguilhão da realidade atravesou-me o peito e eu lhe dei as costas sem conseguir contornar com algum cinismo aquela veraz acusação. Paguei a conta e fui para casa. Minha mulher assistia televisão de touca na sala e como sempre acusou minha bebedeira. Desssa vez não consegui elaborar honrosamente meu fracasso.
Minha cerveja esquentou e eu pedi outra para o pobre garçom que asfaltava o trecho que lhe cabia no acesso a sucursal do inferno. A rapaziada se refestelava indiferente ao olhar ciníco do velho e careca que observava fascinado a bela dama, suas possibilidades carnais e o regojizo infinito que ela poderia proporcionar a um amante cuidadoso e dedicado, esse seria eu, claro. A bexiga apertou depois da quinta cerveja, um tanto grogue levantei-me e fui ao banheiro que ficava aos fundos. O torpor alccolico, a convergência das imagens, a queda absoluta e a descofiança do si-mesmo eram engolidas pelo tesão intriduzido em meus pensamentos pela visão daquela beldade infante. Onde terminam as planices da poesia? Como redimir aqueles que não foram bastantes astutos para inventar a própria redenção? Lancei um bom jato de urina que demorou uma eternidade, lavei as mãos e saí do banheiro. Parei no contramarco que dava acesso a um quintal do bar e acendi um cigarro, foi quando uma perfmue suave me envolveu e uma mão me tocou o ombro. Ao virar-me ela estava de pé em minha frente. Estremeci de alto a baixo em um impulso adolescente, como se todas as trepadas, recursos aos bregas, desmitificações da feminilidade tivessem se anulado. SUa boca transpirava sexo, seu busto saliente transpirava sexo, o pé de seu umbigo exposto transpirava sexo e eu naquele momento quase acreditei em Deus.
-O senhor poderia me dizer as horas, meu tio?
O aguilhão da realidade atravesou-me o peito e eu lhe dei as costas sem conseguir contornar com algum cinismo aquela veraz acusação. Paguei a conta e fui para casa. Minha mulher assistia televisão de touca na sala e como sempre acusou minha bebedeira. Desssa vez não consegui elaborar honrosamente meu fracasso.
Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009
Ensaio sobre o poder.
Sem falsa modéstia, eu já li quase tudo que existe para ser lido em termos de literatura religiosa. A religião gosta de nos fazer acreditar, de diversas maneiras no poder humano sobre a realidade. Ser feliz em meios as farpas, encontrar um caminho claro no meio de uma selva. Não posso afirmar que levei a sério as disciplinas que a religiosidade coloca como requisito indispensável para chegar a esse poder, e, portanto toda minha retórica pode ser acusada de incompleta, por não ter se submetido ao testemunho da experiência. Em contrapartida, nunca me pareceu uma jogada muito honesta pedir a um sujeito que se debate para não morrer, que é espancado cinco vezes por dia, que cresce nos esgotos mendigando afeto, que acrescente a sua luta a busca por iluminação ou santidade. E eu ainda nem estou filosofando... Minha única refutação é a prudência e tampouco tive uma mãe religiosa para sentir a necessidade de preservar o respeito por algumas palavras quando elas já não tem mais utilidade.
Veja, Prometi a minha filha outro dia, em um acesso redentor, que a levaria em uma viagem. Queria dar-lhe a chance de passar por situações que me foram vedadas pelo cristianismo de quem me criou, um cristianismo de renuncia, reclamações e cerebralidade fria. Prometi, e o ultimo resquício de minha antiga religiosidade é o hábito de me manter escravizado por minhas promessas, então, chegando à data da viagem prometida, mesmo não tendo dinheiro, mesmo vivendo de bicos e submetendo-me a uma dieta de pão com água , eu comprei as passagens com o que trazia guardado a sete chaves para alguma emergência e começamos a nos preparar. A pequena era só ansiedade. Oito anos de perguntas, ensaios para uma identidade e brilho refrescante de uma vida que começa. Olhando-a arrumar diligentemente as suas coisas, ignorante sobre a falta que o dinheiro da viagem ia me fazer, inconsciente do sentimento de vanidade que assalta os velhos diante da alegria, eu me perguntava se não seria uma grande crueldade a vida, mas detive esse pensamento com a mão e o esmaguei como a um inseto.
No dia da viagem tão sonhada minha mulher chegou atrasada do trabalho, e como se um duende maligno estivesse conspirando, não achamos ônibus também para a rodoviária. O desespero de mim se apossou: Quanto vale a decepção de uma garotinha de oito anos? Pegamos um taxi em meio a minhas projeções sobre os cinco meses fazendo hora extra que me esperavam. Parecia-me ter visto impresso no bilhete que o ônibus sairia as onze e trinta e tínhamos então apenas dez minutos quando chegamos a rodoviária. Fui a um caixa eletrônico tirar alguma grana para um lanche e o caixa estava quebrado. Minha mulher blasfemava por eu não ter feito isso antes, mas tínhamos pão com banana guardado na sacola e fomos para o embarque. Achei a plataforma bem vazia, onde estavam todos? Somente nós, em pleno carnaval íamos embarcar? Foi quando percebi que me enganara: O ônibus estava marcado para as 11h15min e já tinha partido. Corri para tentar alcançá-lo na saída, minha mulher e filha vieram atrás de mim. Caíram pães e bananas atrás de nós, as pessoas riam e perdemos nosso ônibus.
Meu coração estava estraçalhado. Não tinha outro ônibus. Não consegui reaver o dinheiro da passagem. Minha filha chorava, minha mulher estava pasma eu...bem, eu não era nada senão um poço de Caos e impotência.
Veja, Prometi a minha filha outro dia, em um acesso redentor, que a levaria em uma viagem. Queria dar-lhe a chance de passar por situações que me foram vedadas pelo cristianismo de quem me criou, um cristianismo de renuncia, reclamações e cerebralidade fria. Prometi, e o ultimo resquício de minha antiga religiosidade é o hábito de me manter escravizado por minhas promessas, então, chegando à data da viagem prometida, mesmo não tendo dinheiro, mesmo vivendo de bicos e submetendo-me a uma dieta de pão com água , eu comprei as passagens com o que trazia guardado a sete chaves para alguma emergência e começamos a nos preparar. A pequena era só ansiedade. Oito anos de perguntas, ensaios para uma identidade e brilho refrescante de uma vida que começa. Olhando-a arrumar diligentemente as suas coisas, ignorante sobre a falta que o dinheiro da viagem ia me fazer, inconsciente do sentimento de vanidade que assalta os velhos diante da alegria, eu me perguntava se não seria uma grande crueldade a vida, mas detive esse pensamento com a mão e o esmaguei como a um inseto.
No dia da viagem tão sonhada minha mulher chegou atrasada do trabalho, e como se um duende maligno estivesse conspirando, não achamos ônibus também para a rodoviária. O desespero de mim se apossou: Quanto vale a decepção de uma garotinha de oito anos? Pegamos um taxi em meio a minhas projeções sobre os cinco meses fazendo hora extra que me esperavam. Parecia-me ter visto impresso no bilhete que o ônibus sairia as onze e trinta e tínhamos então apenas dez minutos quando chegamos a rodoviária. Fui a um caixa eletrônico tirar alguma grana para um lanche e o caixa estava quebrado. Minha mulher blasfemava por eu não ter feito isso antes, mas tínhamos pão com banana guardado na sacola e fomos para o embarque. Achei a plataforma bem vazia, onde estavam todos? Somente nós, em pleno carnaval íamos embarcar? Foi quando percebi que me enganara: O ônibus estava marcado para as 11h15min e já tinha partido. Corri para tentar alcançá-lo na saída, minha mulher e filha vieram atrás de mim. Caíram pães e bananas atrás de nós, as pessoas riam e perdemos nosso ônibus.
Meu coração estava estraçalhado. Não tinha outro ônibus. Não consegui reaver o dinheiro da passagem. Minha filha chorava, minha mulher estava pasma eu...bem, eu não era nada senão um poço de Caos e impotência.
Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009
Chuang Tsé pulando carnaval
Todos desejam destacar-se. Ensaiam gestos, fingem talento, criam cavanhaque, estudam filosofia, escrevem horriveis contos, esboçam algo que pretendem chamar arte ou pulam carnaval. Todos querem destacar-se. Não ser visto, não ser comentado, tornar-se uma palmeira falante em meio ao mundo é a nossa concepção de inferno. Todos querem destacar-se, todavia, ninguém quer ser diferente. Sem novos caminhos, sem novas palavras...A velha estrada e, se possivel, seguindo as marcas de alguém que já passou. A polpa tenra do hálito vital de nossas almas expira sempre, doa de si algo que não tem. Vive em débito perpétuo pois nada produz que sacie a própria fome. Somos Hematófagos de seres feitos de madeira. Mumias celebradas e baterias esquecidas...Mas nos sustentamos do barulho e da aparência do barulho. Perdemos tudo...Perdemos a folha que caiu sobre o teu dedo do teu pé.
"o sábio não explica a questão, mas se revela na clara luz do dia"
Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009
No cais
Eu quero atravessar a rua e não falar.
Eu preciso desse momento sem palavras,
sem a junção esquizofrênica entre a consideração e a ida,
como um bêbado precisa do regurgito e do desmaio,
eu preciso atravessar a rua em vão.
Abandonar a cidade dos motivos sem mapas ou tratados.
deixar-me levar pelos meus passos adormecido e sem sonhos
mas olhando abertamente o riso sepultado das pessoas
em dias translúcidos de chá mate, água fria e mim.
Eu preciso de uma brecha no pensar,
de uma janela no seguir,
de uma desembarcação para o lugar onde cessam direções
e compromissos.
Eu preciso atravessar a rua, sem ser interpretado
querido,
dito
ou esquecido...
Eu só preciso atravessar a rua.
Eu preciso desse momento sem palavras,
sem a junção esquizofrênica entre a consideração e a ida,
como um bêbado precisa do regurgito e do desmaio,
eu preciso atravessar a rua em vão.
Abandonar a cidade dos motivos sem mapas ou tratados.
deixar-me levar pelos meus passos adormecido e sem sonhos
mas olhando abertamente o riso sepultado das pessoas
em dias translúcidos de chá mate, água fria e mim.
Eu preciso de uma brecha no pensar,
de uma janela no seguir,
de uma desembarcação para o lugar onde cessam direções
e compromissos.
Eu preciso atravessar a rua, sem ser interpretado
querido,
dito
ou esquecido...
Eu só preciso atravessar a rua.
Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009
Blog, auto critica e vaidade flatulenta.
Uma das criticas mais razoaveis a serem feitas a sociedade conteporanêa é a de que ela varreu da face terra a presença da auto-critica. Embora essa observação, por si mesma não seja suficiente para corroborar a tese de que vivemos os piores momentos da história humana, não posso deixar de apontar a guiza de sarcasmo os incidentes que nossa civilização tornou possivel. Um deles é crênça generalizada na natureza democratica do talento. Hoje em dia quase todo mundo acredita-se um artista habilidoso em alguma aréa. A musica é a mais requisitada entre os adeptos dessa crênça. Um rostinho bonito, tocar um instrumento, achar-se "diferente"uma herança artistica familiar e pronto: eis o cantor. Esse fenomêno é um tanto óbvio, não irei portanto deter_me nele. Quero falar de um outro, aparentado desse, mas que me diz respito de uma forma mais estreita. É o fenomêno da internet, e dos blogs em particular.
A internet permitiu que todos os indivíduos tivessem a possibilidade de expor o que produzem ao olhar de outros indivíduos, não importa a natureza dessa produção. Em consequência disso todos passaram a expor, e a querer ser visto. Mas quem iria ver, se todos querem expor? Logo surgiu a solução: as pesoas passaram a visitar os "my espace" "bloggs" e "orkut's" alheios a fim de serem notadas. Aqueles que eram visitados passaram a retribuir as visitas para manter a clientela. E assim todos garantiram olhares e seguiram acreditando que tinham algum tipo de talento em suas planas e óbvias pessoas. O plágio também tornou-se uma constante, e é desesperador perceber como as pessoas são semelhantes a buracos negros que de tão vazios acabam sugando tudo que vêem para tentar preencher-se e seguir acreditando que têm substancia. Eu citaria nomes, mas isso não seria elegante. Todavia é deprimente ver indivíduos tentarem corroborar as próprias auto-imagens através do plágio, da bajulação e do auto engano . É claro que a internet, assim como nossa sociedade, proporciona tantas possibilidades interessantes e ricas que essa perda não chega a ser relevante. Demais, quem defende a democracia a qualquer custo como eu, não pode opôr-se ao livre exercicio da flatulência, mas também não posso deixar de expor o que registra o meu olfato.
Para prosseguir- Ensaio de um pragmatismo romantico 2
Viver entre outras coisas requer paciência e tato. Uma estratégia mais sutil, um desejo melhor articulado, expectativas mais razoáveis e menos exageradas. Veja, se as coisas não correspondem ao que desejamos a responsabilidade sobre o desgosto que daí advém me parece que é muito mais nossa, que escolhemos nossos desejos, que da vida que não os satisfaz. Afinal quem foi que determinou a necessidade absoluta de certos desejos? E quem foi que determinou qual atitude iremos adotar diante do impedimento de obtermos um certo resultado? E, ademais, bater o pé no chão e maldizer forças invisíveis como a sorte, deus, carma, a sociedade ou a biologia e etc não irá ajudar-nos, eu acho, a obtermos o resultado que desejamos. Saúde, controle, satisfação e um certo sentido de maleabilidade e adaptação são as coisas que todos nós mais desejamos, no entanto , elas devem ser dimensionadas de forma que não estrangulem seus próprios projetos.
Todavia, o problema apresenta-se quando percebemos que ninguém tem apenas um desejo e toda escolha que contempla um desejo ,ou um “bem”, implica a desistência de outro. Não percebemos isso quando o desejo contemplado extrapola imensamente todos os outros que possuímos ou não apresenta contradição com estes no momento mesmo da escolha. No momento em que isso ocorre nos encontramos na difícil situação de ter que fazer um escolha sem o referencial necessário para nela nos sentirmos seguros, pois todo referencial só irá apresentar-se APÓS termos feito a eleição de qual bem fundamental irá nortear nossa ação. Agir assim implica possuir os valores citados no inicio desse texto, estes, Não são valores EM SI MESMOS como aqueles divulgados pela religião ou pela bíblia, são valores que me parecem úteis, quando precisamos realizar nossas escolhas e avançar um passo que seja em direção a uma vida mais clara, aberta e sem contradições dramáticas.
Todavia, o problema apresenta-se quando percebemos que ninguém tem apenas um desejo e toda escolha que contempla um desejo ,ou um “bem”, implica a desistência de outro. Não percebemos isso quando o desejo contemplado extrapola imensamente todos os outros que possuímos ou não apresenta contradição com estes no momento mesmo da escolha. No momento em que isso ocorre nos encontramos na difícil situação de ter que fazer um escolha sem o referencial necessário para nela nos sentirmos seguros, pois todo referencial só irá apresentar-se APÓS termos feito a eleição de qual bem fundamental irá nortear nossa ação. Agir assim implica possuir os valores citados no inicio desse texto, estes, Não são valores EM SI MESMOS como aqueles divulgados pela religião ou pela bíblia, são valores que me parecem úteis, quando precisamos realizar nossas escolhas e avançar um passo que seja em direção a uma vida mais clara, aberta e sem contradições dramáticas.
Sábado, Janeiro 31, 2009
Rancor.
A culpa é o seu argumento...
Queimar cidades que não se curvam a teu poder.
Dias destroçados de lamuria,
rancores semeados
Pela tentativa vã de erguer-se
ao patamar de uma antiga condição.
A pulverização do brio,
A vingança a qualquer custo,
A consideração movida pelo desejo de fugir
à condição finita que nos determina a todos.
que nos determina a todo
se você consome o breve tempo destinado
em horas arrogantes de resgate do passado
Queimar cidades que não se curvam a teu poder.
Dias destroçados de lamuria,
rancores semeados
Pela tentativa vã de erguer-se
ao patamar de uma antiga condição.
A pulverização do brio,
A vingança a qualquer custo,
A consideração movida pelo desejo de fugir
à condição finita que nos determina a todos.
que nos determina a todo
se você consome o breve tempo destinado
em horas arrogantes de resgate do passado
Quinta-feira, Janeiro 29, 2009
Sentenças - Um estudo topológico do abismo.
Pequenos grãos de poeira voavam no quarto quando acordei. O leve mal estar da bebedeira e o conhecido sintoma da falta de meta. Exausto, mastigado e sem qualquer prerrogativa.
Sonhar nunca foi um anestésico desejável para os meus cancros. Terminações do inacabado e opressões simbólicas que não alimentavam minhas trincheiras com sentido. O remorso também é uma alegação vazia, um fantasma desenvolvido por professores sem competência para a vida. A dor passada e o medo de sua recorrência é que se encarnavam quando a benção da noite sem delírios não me acobertava. O dia que me esperava poderia trazer uma nova aurora, o reconhecimento contingente de outras linhas que, a semelhança destas, escrevi entre catarses contingentes de dramas revividos. Haveria a entrevista, eu talvez fosse confirmado, não havia outra possibilidade maior de sobreviver com brio, pagar as contas e talvez, quem sabe, mostrar a minha filha que o pai dela não era um completo fracassado. Mas havia o medo, havia o inevitável, havia a incerteza que sempre fiz questão de admitir. Olhei firme para o canto da casa e podia jurar que havia alguma coisa movendo-se na sombra, algo esperto, malicioso planejando a próxima jogada para esmagar-me o nobre coração. Lancei-lhe uma cusparada em desafio e saí para comprar cigarros e algum repasto atravessando a turba das vozes que se misturavam ao sol do meio dia. As pernas estavam doendo e sinceramente não sentia nenhuma disposição para ser sociável, portanto, procurei o mais vazio dos mercados. Perdi alguns minutos nesse processo e outros tantos olhando as prateleiras e pensando no que comer, sem conseguir estabelecer uma média ponderada entre o melhor prato para o meu refinado paladar e o preço acessível aos trocados que trazia no bolso da calça desgastada.
Às vezes tenho a estranha sensação de que todos estão me observando, e tentando (por algum sórdido motivo) chamar minha atenção. Uma senhora imensa, com o cabelo coberto de rolinhos de papelão parou do meu lado e começou a falar dos preços, da qualidade das mercadorias e do atendimento do mercado. Vespas gigantescas não me dariam tanto medo, invasões alienígenas não me dão tanto medo, patrões obesos e suas esposas viajando de iate em um ensolarado final de semana não me dariam tanto medo quanto pessoas que falam sozinhas. Abrigo-me no requisito que mais prezo em uma democracia, o direito A SACROSSANTA INDIFERENÇA. A mulher me olha uma, duas, três vezes, desiste e vai procurar uma outra vitima. Eu me resolvo pelo molho de tomate, macarrão e algumas lingüiças. A garota que passa as mercadorias recorre a estratégia da invisibilidade sorridente, no gesto pago meramente objetivado ela se salva da possessão alheia. Cada um quer o seu feudo, e as pessoas amáveis são as piores. O seu olhar escorre para dentro de si em um ódio calado e sorridente. Penso que o mundo seria muito mais suave, as estradas seriam mais abertas se não houvessem tantas exigências penumbrosas, tantos círculos confusos para chegar ao mesmo ponto de partida. Como nos casamentos por exemplo. Energia gasta, tesão desperdiçado automutilação inútil. E eu me ponho a pensar na minha utopia: “Senhor Juan Leon, no quesito desempenho sexual o senhor contemplou as exigências do contrato, mais nos tópicos seguridade social, previsibilidade afetiva, exclusividade corpórea e apresentabilidade social o senhor realmente não foi bem avaliado e terá de ser demitido desta relação” Simples direto e sem meias palavras. O fim do absolutismo na vida das pessoas. Tangibilidade e espaço para soluções mais rápidas. Aleluia Huxley!
Chego ao desterro pequeno e abafado do meu quarto, carregado destas palavras absurdas e destas parcas e vergonhosas compras. Os livros estão por toda parte, assim como as revistas masculinas, os rascunhos mal acabados de possíveis contos e poemas e recibos nunca pagos que me levarão para o abismo. Coloco a água do macarrão no fogo, separo as lingüiças com uma faca em pequenas rodelas e faço o mesmo com as cebolas. Frito tudo no óleo e aguardo que a água ferva enquanto ouço um Hank Wiliams colocando uma fumaça no juízo e acompanhando o Krishnamurti em sua tentativa. Nada de tentar resolver. Nada de tentar não tentar. Afinal de contas, seus infelizes, vocês vão ou não vão encarar QUAL É MESMO O PROBLEMA? Bom, muito bom. A água ferve, jogo o macarrão lá e fico misturando para evitar o grude. O satanás do macarrão. Queimem seus infelizes, cozinhem no meu fogo, derretam seus corpos esbeltos de farinha de trigo hahahaha. O macarrão chega ao ponto, lavo a massa em um encardido escorredor plástico, jogo a coisa toda no meu prato, cubro com o molho pronto comprado por trocados e laureio minha obra com as rodelas de lingüiça engorduradas. Um manjar. Coca-cola para minha ulcera e tudo está perfeito.
Acabo com a minha criação em algumas garfadas. Uma metáfora perfeita do que é viver, e só me resta terminar o trabalho soltando a massa marrom e desprezível no vaso sanitário. 15:00 horas. Aproxima-se o horário do fatídico resultado. Será Juan Leon publicado finalmente? Será o romantismo trágico refutado pela contingência desejada da democracia? Leitores para quem não traz consigo as credenciais? Eu quero ter meu pessimismo refutado e também não vou dizer que é nobre. Vou para o chuveiro e esfrego bem as partes, mas não me masturbo, poderia dar azar, é melhor não arriscar a essa altura do campeonato. Quase chego a rezar... quase. Vestido com uma puída calça jeans e uma camisa social desbotada me atiro novamente as ruas.
Após atravessar metade da cidade chego ao reluzente centro empresarial onde as rapinas de gravata decidem o destino das ratazanas estropiadas. O edifício da editora perde-se na imensidão do espaço. Uma torre inimaginável, um castelo cercado pelos fossos de tradições herdadas, de filhos que seguiram os seus pais, de pais que seguiram os pais deles, de acumulação determinada pelo medo e eles tem razão. A vida oferece as premissas para isso e eu não posso refutá-los, todavia, estou situado em uma posição desvantajosa e por isso os desprezo. Desprezo a sua falta de criatividade, o seu senso de acordo, a convicção de seu parco senso do que é viver... áridos desertos, mais não é culpa do dinheiro e sim da preguiça alimentada com o leite tenebroso da família. Mas preciso da migalha deles e por isso estou aqui. O recepcionista me olha com suspeita e me mostra o elevador. O que há com esse cara? Nunca viu um escritor? Que tolice a minha, esqueci repentinamente que agora os escritores falam sobre “caminhos sagrados de Santiago Compostela” “como ficar rico sem fazer esforço” e vestem ternos bem cortados ou descontraídas blusas brancas sem estampa no calçadão de Ipanema.
Chego ao escritório no 26° andar e uma secretária linda me recebe. Peitos formidáveis. Como uma juventude sadia fazendo amor em prados verdejantes e redenção absoluta em um gozo apenas, mas ela estraga tudo me olhando com desprezo. Eu me apresento, ela me pede para sentar e eu espero tremulo pela minha sentença.
A porta se abre. Um sujeito cheio de trejeitos femininos sai da sala com um ar blasé. È isso que é ser um escritor hoje em dia? A garota chama meu nome e diz que eu posso entrar. Minhas pernas quase não respondem. Os supermercados não estão oferecendo vagas. Não tenho contatos que possam me conseguir um emprego como professor. Já não tenho idade para carregar os fardos de farelo que me permitiram alimentar a minha filhinha até os sete anos. Talvez essa seja minha ultima chance. Atrás da imensa mesa um sujeito mais redondo que eu ocupa o centro de uma sala repleta de livros enfileirados nas paredes. O cabelo grisalho meio despenteado tenta me convencer de que ele é um sujeito comprometido com a cultura, mas os vincos de sua testa insana me mostram que na verdade quais são as suas verdadeiras intenções.
- Sr, Juan Leon, Avaliamos os teus contos e devo lhe confessar que estou surpreso. São muitos bons
Eu gelo. Será que finalmente alcancei o meu lugar? Então é isso? Sim, Sim, agora percebo que tudo faz sentido. Ah! Como fui tolo duvidando, era só um experimento para burilar minha palavra, sim, sim um longo e tenebroso sonho do qual despertei agora. Mas ele não tinha terminado ainda.
-Todavia, não temos mercado para o que escreves.
O chão desaparece sob os meus sapatos, o frio toma conta de meu peito enquanto ele desfia seu rosário de observações prudentes sobre o iluminismo, a internet, auto-ajuda e os manuais. Após perceber que já não há mais solução, que eu sou antiquado e ressentido em demasia para ser assimilado eu balbucio a minha sentença interrompendo seu brilhante raciocínio.
- É que nos falta uma hecatombe nuclear.
-Como? Desculpe Sr Juan, não entendi.
- uma Hecatombe, sabe? Pessoas sendo queimadas nas ruas como papel sequinho, sabe? Brancos, negros, pobres, ricos... Todos, sem exceção. Queimado, tentando salvar suas peles sem pensar em mais nada. É o que falta para que algumas coisas tornem-se relevantes. Não que eu deseje que isso aconteça, claro, é apenas uma observação solta. Bom, tenho que ir, uma importante editora americana mandou-me uma carta dizendo que eu sou a maior descoberta literária depois de Hemingway.
Levanto da mesa do meganha e o deixo lá estupefato. Ao passar pela secretária peituda deixo escapar baixinho.
- Quando quiser chupar uma pica de verdade me telefona
Desço o elevador e a rua me recebe como uma puta louca sedenta do dinheiro que não tenho. Ela não me perdoará. Me cortará os membros e eu terminarei meus dias me arrastando com um pequeno molusco a me alimentar de excrescências. A mundo rodopia. Meu corpo cresce e encolhe como uma bola de soprar. Sento em um meio fio com a cabeça entre as pernas esperando o despertar que nunca chega, o fim da longa noite que pode não trazer alivio.
Sonhar nunca foi um anestésico desejável para os meus cancros. Terminações do inacabado e opressões simbólicas que não alimentavam minhas trincheiras com sentido. O remorso também é uma alegação vazia, um fantasma desenvolvido por professores sem competência para a vida. A dor passada e o medo de sua recorrência é que se encarnavam quando a benção da noite sem delírios não me acobertava. O dia que me esperava poderia trazer uma nova aurora, o reconhecimento contingente de outras linhas que, a semelhança destas, escrevi entre catarses contingentes de dramas revividos. Haveria a entrevista, eu talvez fosse confirmado, não havia outra possibilidade maior de sobreviver com brio, pagar as contas e talvez, quem sabe, mostrar a minha filha que o pai dela não era um completo fracassado. Mas havia o medo, havia o inevitável, havia a incerteza que sempre fiz questão de admitir. Olhei firme para o canto da casa e podia jurar que havia alguma coisa movendo-se na sombra, algo esperto, malicioso planejando a próxima jogada para esmagar-me o nobre coração. Lancei-lhe uma cusparada em desafio e saí para comprar cigarros e algum repasto atravessando a turba das vozes que se misturavam ao sol do meio dia. As pernas estavam doendo e sinceramente não sentia nenhuma disposição para ser sociável, portanto, procurei o mais vazio dos mercados. Perdi alguns minutos nesse processo e outros tantos olhando as prateleiras e pensando no que comer, sem conseguir estabelecer uma média ponderada entre o melhor prato para o meu refinado paladar e o preço acessível aos trocados que trazia no bolso da calça desgastada.
Às vezes tenho a estranha sensação de que todos estão me observando, e tentando (por algum sórdido motivo) chamar minha atenção. Uma senhora imensa, com o cabelo coberto de rolinhos de papelão parou do meu lado e começou a falar dos preços, da qualidade das mercadorias e do atendimento do mercado. Vespas gigantescas não me dariam tanto medo, invasões alienígenas não me dão tanto medo, patrões obesos e suas esposas viajando de iate em um ensolarado final de semana não me dariam tanto medo quanto pessoas que falam sozinhas. Abrigo-me no requisito que mais prezo em uma democracia, o direito A SACROSSANTA INDIFERENÇA. A mulher me olha uma, duas, três vezes, desiste e vai procurar uma outra vitima. Eu me resolvo pelo molho de tomate, macarrão e algumas lingüiças. A garota que passa as mercadorias recorre a estratégia da invisibilidade sorridente, no gesto pago meramente objetivado ela se salva da possessão alheia. Cada um quer o seu feudo, e as pessoas amáveis são as piores. O seu olhar escorre para dentro de si em um ódio calado e sorridente. Penso que o mundo seria muito mais suave, as estradas seriam mais abertas se não houvessem tantas exigências penumbrosas, tantos círculos confusos para chegar ao mesmo ponto de partida. Como nos casamentos por exemplo. Energia gasta, tesão desperdiçado automutilação inútil. E eu me ponho a pensar na minha utopia: “Senhor Juan Leon, no quesito desempenho sexual o senhor contemplou as exigências do contrato, mais nos tópicos seguridade social, previsibilidade afetiva, exclusividade corpórea e apresentabilidade social o senhor realmente não foi bem avaliado e terá de ser demitido desta relação” Simples direto e sem meias palavras. O fim do absolutismo na vida das pessoas. Tangibilidade e espaço para soluções mais rápidas. Aleluia Huxley!
Chego ao desterro pequeno e abafado do meu quarto, carregado destas palavras absurdas e destas parcas e vergonhosas compras. Os livros estão por toda parte, assim como as revistas masculinas, os rascunhos mal acabados de possíveis contos e poemas e recibos nunca pagos que me levarão para o abismo. Coloco a água do macarrão no fogo, separo as lingüiças com uma faca em pequenas rodelas e faço o mesmo com as cebolas. Frito tudo no óleo e aguardo que a água ferva enquanto ouço um Hank Wiliams colocando uma fumaça no juízo e acompanhando o Krishnamurti em sua tentativa. Nada de tentar resolver. Nada de tentar não tentar. Afinal de contas, seus infelizes, vocês vão ou não vão encarar QUAL É MESMO O PROBLEMA? Bom, muito bom. A água ferve, jogo o macarrão lá e fico misturando para evitar o grude. O satanás do macarrão. Queimem seus infelizes, cozinhem no meu fogo, derretam seus corpos esbeltos de farinha de trigo hahahaha. O macarrão chega ao ponto, lavo a massa em um encardido escorredor plástico, jogo a coisa toda no meu prato, cubro com o molho pronto comprado por trocados e laureio minha obra com as rodelas de lingüiça engorduradas. Um manjar. Coca-cola para minha ulcera e tudo está perfeito.
Acabo com a minha criação em algumas garfadas. Uma metáfora perfeita do que é viver, e só me resta terminar o trabalho soltando a massa marrom e desprezível no vaso sanitário. 15:00 horas. Aproxima-se o horário do fatídico resultado. Será Juan Leon publicado finalmente? Será o romantismo trágico refutado pela contingência desejada da democracia? Leitores para quem não traz consigo as credenciais? Eu quero ter meu pessimismo refutado e também não vou dizer que é nobre. Vou para o chuveiro e esfrego bem as partes, mas não me masturbo, poderia dar azar, é melhor não arriscar a essa altura do campeonato. Quase chego a rezar... quase. Vestido com uma puída calça jeans e uma camisa social desbotada me atiro novamente as ruas.
Após atravessar metade da cidade chego ao reluzente centro empresarial onde as rapinas de gravata decidem o destino das ratazanas estropiadas. O edifício da editora perde-se na imensidão do espaço. Uma torre inimaginável, um castelo cercado pelos fossos de tradições herdadas, de filhos que seguiram os seus pais, de pais que seguiram os pais deles, de acumulação determinada pelo medo e eles tem razão. A vida oferece as premissas para isso e eu não posso refutá-los, todavia, estou situado em uma posição desvantajosa e por isso os desprezo. Desprezo a sua falta de criatividade, o seu senso de acordo, a convicção de seu parco senso do que é viver... áridos desertos, mais não é culpa do dinheiro e sim da preguiça alimentada com o leite tenebroso da família. Mas preciso da migalha deles e por isso estou aqui. O recepcionista me olha com suspeita e me mostra o elevador. O que há com esse cara? Nunca viu um escritor? Que tolice a minha, esqueci repentinamente que agora os escritores falam sobre “caminhos sagrados de Santiago Compostela” “como ficar rico sem fazer esforço” e vestem ternos bem cortados ou descontraídas blusas brancas sem estampa no calçadão de Ipanema.
Chego ao escritório no 26° andar e uma secretária linda me recebe. Peitos formidáveis. Como uma juventude sadia fazendo amor em prados verdejantes e redenção absoluta em um gozo apenas, mas ela estraga tudo me olhando com desprezo. Eu me apresento, ela me pede para sentar e eu espero tremulo pela minha sentença.
A porta se abre. Um sujeito cheio de trejeitos femininos sai da sala com um ar blasé. È isso que é ser um escritor hoje em dia? A garota chama meu nome e diz que eu posso entrar. Minhas pernas quase não respondem. Os supermercados não estão oferecendo vagas. Não tenho contatos que possam me conseguir um emprego como professor. Já não tenho idade para carregar os fardos de farelo que me permitiram alimentar a minha filhinha até os sete anos. Talvez essa seja minha ultima chance. Atrás da imensa mesa um sujeito mais redondo que eu ocupa o centro de uma sala repleta de livros enfileirados nas paredes. O cabelo grisalho meio despenteado tenta me convencer de que ele é um sujeito comprometido com a cultura, mas os vincos de sua testa insana me mostram que na verdade quais são as suas verdadeiras intenções.
- Sr, Juan Leon, Avaliamos os teus contos e devo lhe confessar que estou surpreso. São muitos bons
Eu gelo. Será que finalmente alcancei o meu lugar? Então é isso? Sim, Sim, agora percebo que tudo faz sentido. Ah! Como fui tolo duvidando, era só um experimento para burilar minha palavra, sim, sim um longo e tenebroso sonho do qual despertei agora. Mas ele não tinha terminado ainda.
-Todavia, não temos mercado para o que escreves.
O chão desaparece sob os meus sapatos, o frio toma conta de meu peito enquanto ele desfia seu rosário de observações prudentes sobre o iluminismo, a internet, auto-ajuda e os manuais. Após perceber que já não há mais solução, que eu sou antiquado e ressentido em demasia para ser assimilado eu balbucio a minha sentença interrompendo seu brilhante raciocínio.
- É que nos falta uma hecatombe nuclear.
-Como? Desculpe Sr Juan, não entendi.
- uma Hecatombe, sabe? Pessoas sendo queimadas nas ruas como papel sequinho, sabe? Brancos, negros, pobres, ricos... Todos, sem exceção. Queimado, tentando salvar suas peles sem pensar em mais nada. É o que falta para que algumas coisas tornem-se relevantes. Não que eu deseje que isso aconteça, claro, é apenas uma observação solta. Bom, tenho que ir, uma importante editora americana mandou-me uma carta dizendo que eu sou a maior descoberta literária depois de Hemingway.
Levanto da mesa do meganha e o deixo lá estupefato. Ao passar pela secretária peituda deixo escapar baixinho.
- Quando quiser chupar uma pica de verdade me telefona
Desço o elevador e a rua me recebe como uma puta louca sedenta do dinheiro que não tenho. Ela não me perdoará. Me cortará os membros e eu terminarei meus dias me arrastando com um pequeno molusco a me alimentar de excrescências. A mundo rodopia. Meu corpo cresce e encolhe como uma bola de soprar. Sento em um meio fio com a cabeça entre as pernas esperando o despertar que nunca chega, o fim da longa noite que pode não trazer alivio.
Eu não sou um escritor !
Eu não sou um escritor. Um escritor tem um plano, uma técnica, um discurso. Um escritor tem uma visão geral de mundo que ele tenta tornar concreta através de suas palavras. Um escritor tateia, anda as cegas no mundo, esbarrando nas obrigações que ele impõe, tentando delas se esquivar porque ele sabe que tem que escrever, e algumas vezes, sabe até “o quê” ele tem que escrever. Um escritor tem uma linha estável de temas e de formas. Ele acha que encontrou a maneira mais digna e apropriada de escapar da morte que nos ronda a todos. Quem se afeiçoa a um escritor, abre um de seus livros e sabe mais ou menos o que vai encontrar. Não, eu acho que não sou um escritor, eu sou mais parecido com um lutador de boxe. Sei que as pessoas que tem na leitura um prazer ou um ideal, que suspiram e se elevam ao ter um livro diante do olhar, não gostarão dessa comparação. Sei também que algumas pessoas em geral consideram o boxe uma barbárie, uma estupidez que deveria ser abolida do cosmos. Eu também acho. Mas e o funcionário da empresa de limpeza que recolhe nosso lixo? E o policial que todo dia oferece o peito às balas? Não deveriam essas profissões serem extintas? Mas elas servem aos nossos interesses, e é isso que está em jogo ao condenar o boxe, portanto eu não condeno.
Concordo com o velho F.X. Toole quando ele disse que o boxe tem algo de contrário a natureza. Quem sobe em um ringue ao invés de fugir da dor, vai de encontro a ela. Ele avança na direção do medo, fixa as pupilas no que lhe pode destruir, balança e se move ao invés de ficar petrificado pelo horror. Concordo também com Myke Tyson. Quando sobe em um ringue, todo homem tem um plano, até levar o primeiro soco. Eu procuro não ter planos. Sigo de pé, observo o que está acontecendo e tento reagir a contento. Mantenho-me em sincronia com as imposições do agora, sobrevivo como posso e registro tudo em um limbo não pensado que vai se transformar em palavras para rebater o ataque geral das coisas. Também não tento me esquivar ao fato de que sou eu sobrevivendo como posso, berrando minha dor para suscitar aliados e forças ocultas que em mim mesmo. Se eu inspiro sei que a platéia irá me levar para frente. E se for útil para eles, tanto melhor. Seremos honestos e companheiros. Eu escrevo como quem luta, e convoco cada pessoa a viver as próprias lutas com o que escrevo. Por tudo isso eu acho que não sou um escritor, eu sou um lutador de boxe. Eu carrego a marca das pancadas e preciso olhar de frente o medo para colocar meu sangue no papel. Todo boxeador um dia cai. Todo lutador tem um adversário esperando para derruba-lo, tudo que ele pode fazer é adiar esse dia, e dar um espetáculo ao publico enquanto isso.
Meus contos falam sobre desemprego, solidão, crises conjugais, traições, morte, responsabilidade. Tento não ser doce nem repulsivo. Pretendo apenas vier meus dias e me manter desperto para não ficar imobilizado pelo medo. As vidas que relato são a minha vida refletida por mim mesmo, desdobradas em outros nomes que passaram pela minha história. Quando estou escrevendo eu só tenho a mim, e ao meu desejo de compartilhar e oferecer algo a quem está me confirmando ao ler o que eu escrevo. Eu espero estimular alguém a cantar seu próprio canto, a lutar sua própria luta: Eu sou um lutador de boxe!
Concordo com o velho F.X. Toole quando ele disse que o boxe tem algo de contrário a natureza. Quem sobe em um ringue ao invés de fugir da dor, vai de encontro a ela. Ele avança na direção do medo, fixa as pupilas no que lhe pode destruir, balança e se move ao invés de ficar petrificado pelo horror. Concordo também com Myke Tyson. Quando sobe em um ringue, todo homem tem um plano, até levar o primeiro soco. Eu procuro não ter planos. Sigo de pé, observo o que está acontecendo e tento reagir a contento. Mantenho-me em sincronia com as imposições do agora, sobrevivo como posso e registro tudo em um limbo não pensado que vai se transformar em palavras para rebater o ataque geral das coisas. Também não tento me esquivar ao fato de que sou eu sobrevivendo como posso, berrando minha dor para suscitar aliados e forças ocultas que em mim mesmo. Se eu inspiro sei que a platéia irá me levar para frente. E se for útil para eles, tanto melhor. Seremos honestos e companheiros. Eu escrevo como quem luta, e convoco cada pessoa a viver as próprias lutas com o que escrevo. Por tudo isso eu acho que não sou um escritor, eu sou um lutador de boxe. Eu carrego a marca das pancadas e preciso olhar de frente o medo para colocar meu sangue no papel. Todo boxeador um dia cai. Todo lutador tem um adversário esperando para derruba-lo, tudo que ele pode fazer é adiar esse dia, e dar um espetáculo ao publico enquanto isso.
Meus contos falam sobre desemprego, solidão, crises conjugais, traições, morte, responsabilidade. Tento não ser doce nem repulsivo. Pretendo apenas vier meus dias e me manter desperto para não ficar imobilizado pelo medo. As vidas que relato são a minha vida refletida por mim mesmo, desdobradas em outros nomes que passaram pela minha história. Quando estou escrevendo eu só tenho a mim, e ao meu desejo de compartilhar e oferecer algo a quem está me confirmando ao ler o que eu escrevo. Eu espero estimular alguém a cantar seu próprio canto, a lutar sua própria luta: Eu sou um lutador de boxe!
Quarta-feira, Janeiro 28, 2009
Versos para meu cancro
Você pensa que foi uma vitima?
você acha que não vale a pena?
Você espera algo que não sabe o que é
e se queixa de não conseguir alcançar?
você chora?
você lamenta?
sente-se ao cair da tarde um pobre e desprezado
quase nada sob os raios indiferentes do crepuculo?
Eu tenho um cancro que supura toda noite,
ele fede, doi, é duro e terrivel...
Ele odeia as pessoas,
ele despreza a esperança,
Mas aprendeu a cantar.
E seu canto é tão doce...
E parece tão tolerante com tudo..
mas nunca deixou de ser um cancro horrendo explodindo em pus,
ele está tão exposto a tudo..
Sua carne viva apodrecida
se irritando e maldizendo até mesmo
a luz do sol.
Mas eu não tenho pena do meu cancro
você tem do seu?
você acha que não vale a pena?
Você espera algo que não sabe o que é
e se queixa de não conseguir alcançar?
você chora?
você lamenta?
sente-se ao cair da tarde um pobre e desprezado
quase nada sob os raios indiferentes do crepuculo?
Eu tenho um cancro que supura toda noite,
ele fede, doi, é duro e terrivel...
Ele odeia as pessoas,
ele despreza a esperança,
Mas aprendeu a cantar.
E seu canto é tão doce...
E parece tão tolerante com tudo..
mas nunca deixou de ser um cancro horrendo explodindo em pus,
ele está tão exposto a tudo..
Sua carne viva apodrecida
se irritando e maldizendo até mesmo
a luz do sol.
Mas eu não tenho pena do meu cancro
você tem do seu?
Domingo, Janeiro 18, 2009
Mêdo
As pessoas tem mêdo.
Erguem-se as baricadas e espelham-se nas multidões,
Epiderme de espuma montada sobre gravetos,
Por esse pequeno e asmatico motivo elas gritam
E gritam por esse motivo.
Atropelam-se nas exigências, retraem-se nos calabouços,
Erguem-se
No movediço.
Esperando,
Cobrando,
Vigiando,
Vingando-se com as unhas sujas
Da palavra.
Sim, as pessoas tem mêdo.
Mêdo de ser e de não ser,
Da grandeza e da pequenez
O peito exposto para o olhar subjetvo
E o ódio permante contra o que não estava lá.
Se denunciam no silêncio, estropiam pela força, revidam
De muitas formas
De muitas formas eles revidam,
Mordendo-se em bons bocados.
Em suas faces, em suas vozes, na afetação de seus sorrisos,
No resultado vaidoso de uma ponderação reticente,
Eles se mostram pra mim,
E mostram-me apenas mêdo.
Erguem-se as baricadas e espelham-se nas multidões,
Epiderme de espuma montada sobre gravetos,
Por esse pequeno e asmatico motivo elas gritam
E gritam por esse motivo.
Atropelam-se nas exigências, retraem-se nos calabouços,
Erguem-se
No movediço.
Esperando,
Cobrando,
Vigiando,
Vingando-se com as unhas sujas
Da palavra.
Sim, as pessoas tem mêdo.
Mêdo de ser e de não ser,
Da grandeza e da pequenez
O peito exposto para o olhar subjetvo
E o ódio permante contra o que não estava lá.
Se denunciam no silêncio, estropiam pela força, revidam
De muitas formas
De muitas formas eles revidam,
Mordendo-se em bons bocados.
Em suas faces, em suas vozes, na afetação de seus sorrisos,
No resultado vaidoso de uma ponderação reticente,
Eles se mostram pra mim,
E mostram-me apenas mêdo.
Domingo, Janeiro 11, 2009
Vamos...
Corram crianças...
lá estão os seus brinquedos.
Centopeis cerebrais de ferro, Muco artificial de enchofre,
Arame farpado para os jogos de afeto
e mêdo.
Saltem por sobre as estacas ensandecidas interminaveis
fincadas em suculentas carcaças de amanhã,
sem cuidado ou previdência,
assim foi
assim será e deve ser eternamente.
Até que os astros rolem sem centro sobre o umbigo carmico das coisas.
Crescer e utilizar machados, fertilizar antes de florir, apodrecer
pelos insetos antigos e louvaveis funerais queridos.
Aqui chegamos...
-Contradição para todos os desejos !
- Amaramento de toda viabilidade de clareza !
Trepada por obrigação, bater o ponto, um contrato, as telenovelas reforçando
toda negação humana formulada em claustros e mancomios espelhados.
Como o vale é amplo...
Uma brisa sutil percorre de ponta a ponta o caminho
daquele que se sufoca na poeira de suas cegas exigências.
O sangue coagula nas folhas por onde se arrastou
uma palavra.
E os passaros sorriem sem compreender a estupidez
de quem seguiu sobre os espinhos.
lá estão os seus brinquedos.
Centopeis cerebrais de ferro, Muco artificial de enchofre,
Arame farpado para os jogos de afeto
e mêdo.
Saltem por sobre as estacas ensandecidas interminaveis
fincadas em suculentas carcaças de amanhã,
sem cuidado ou previdência,
assim foi
assim será e deve ser eternamente.
Até que os astros rolem sem centro sobre o umbigo carmico das coisas.
Crescer e utilizar machados, fertilizar antes de florir, apodrecer
pelos insetos antigos e louvaveis funerais queridos.
Aqui chegamos...
-Contradição para todos os desejos !
- Amaramento de toda viabilidade de clareza !
Trepada por obrigação, bater o ponto, um contrato, as telenovelas reforçando
toda negação humana formulada em claustros e mancomios espelhados.
Como o vale é amplo...
Uma brisa sutil percorre de ponta a ponta o caminho
daquele que se sufoca na poeira de suas cegas exigências.
O sangue coagula nas folhas por onde se arrastou
uma palavra.
E os passaros sorriem sem compreender a estupidez
de quem seguiu sobre os espinhos.
Domingo, Janeiro 04, 2009
Sopros
Retornei, e estou pasmo!
Ouvi em cinco dias o rumor geral
dos seres, das rochas, das cachoeiras e
plantei em meu coração sementes de possibilidade
que agora me estrangulam todos os projetos.
Ouvi a voz do silêncio (sei que consideras isto absurdo)
E pude fluir no lento pulsar dos milênios que arrastam vivos e mortos
em seu torvelhinho.
Eu mesmo quase morri.
Eu mesmo que amaldicoei a mão da vida
agora me encontro esmagado de encontro a uma palavra
sem som.
A você que agora me escuta
A você meu amigo, minha amante, meu filho e filha
mãe, inimigo (eu sei que tenho inimigos)
sangue de minha alma e parceiro de salmos e cantigas
quero diirigir agora este breve relato:
Os homens não são arrastados pelo tempo,Suas vidas não são covas de desespero e dor somente,
Não servimos a trono algum nem existe despóta sobre nossos dias,
Somos a própria força clara e inocente que se move e quer realizar,
displicente e sem nenhuma pretensão.
Aqui estamos e seguimos,a erva segue, o capim cresce
Nós continuamos.
Estamos presentes ao espetacúlo em papeis
irrefletidos,o lavrador em sua fé na terra, o policial em sua crença no poder
da força, o intelectual em seu mundo de palavras, a garota em seus sonhos de afeto
e dor e todas as outras forças que se cruzam e se despedem como brumas multicores destinadas
ao esquecimento,
pois tudo deve ser esquecido
e essa é a nossa redenção.
Enganou-se aquele que cantou a eternidade
e a permanencia,
o designio e a premiação,
eu canto a finitude e a contigência
na qual nos abraçamos e ultrapassamos
nossas formas
e esta é uma mensagem vã
que eu achei necessario partilhar contigo.
Terça-feira, Dezembro 30, 2008
Inferno
Somos nós quem levantamos os muros de nosso próprio inferno. Esse muro é feito de um cimento brilhante e desejavel, que continuamos a venerar mesmo depois da parede erguida, e enquanto gritamos contra nosso tormento não percebemos que boa parte de sua estrutura é composta do mesmo material que alimenta nossos sonhos. Queremos atingir nossas metas, mas não queremos assumir a consequência de nossas metas. Queremos uma mulher peituda e bunduda mas não queremos uma mulher superficial e chata. Queremos um(a) parceiro(a) fiel e dedicado(a) mas não queremos ser objeto da possesividade de alguém. Queremos alguém que não tenha ciúme e não seja possesivo e não queremos que essa pessoa sinta-se livre para desejar outras pessoas. Absurdo. Como se os sentimentos humanos pudessem brotar da magia, do milagre, da rendição incondicional a nossos encantos. Como se todos os atos humanos não se originassem de uma mesma postura a respeito da vida. Queremos o alcool sem a ressaca, o sexo sem o cansaço, dinheiro sem trabalho, inteligência sem desgastante estudo, fidelidade sem possesividade...em sintese, a vida sem consequências. E quando as consequências se apresentam, como grandes crianças mimadas que somos, batemos o pé, damos chilique ou até ameaçamos suicidio. Queremos que a vida seja gratuita e que nossas escolhas não tenham um preço. E que as coisas que elegemos como as mais desejaveis não venham com algum tipo dissabor. Deve-se isso a nossa educação religiosa, pois a religiosidade estimula a irresponsabilidade. Estamos lançados ao mundo e a ele reagindo e quer aceitemos isso ou não, o que consideramos bom ou mal é a nossa resposta para a pergunta fundamental: "o que queremos nos tornar?"Penso que é impossivel responder a essa pergunta sem ter que pagar por ela de alguma maneira. E somos nós mesmos que iremos cobrar. Ainda não encontrei sobre a terra um só individúo que não tivesse queixas sobre seu modo de vida, e no entanto, quem mais poderia ser responsavel pela vida que levamos senão nós mesmos?
Sábado, Dezembro 27, 2008
Stirner
Seculos de cristianismo sedimentaram entre os individuos uma forma bem caracteristica de lidar com o mundo. A canonização dos própositos humanos em valores "transcendentais" é um dos traços dessa herança cristã. Apesar de constituir uma aréa bem especifica da filosofia, a critica dessa herança pretende ultrapassar a divisão classica entre filosofia e senso comum por questionar todas as hierarquias valorativas baseadas no que seria o valor intríseco da verdade. Para autores como o jovem Hegeliano Max Stirner o único critério para julgar o valor de uma ideia seria o interesse de quem a defende, pois as ideias assim como as demais ações humanas são modos de obter o gozo em relação ao mundo, para através desse obtermos a nossa ataraxia, nossa auto-fruição. A verdade, segundo essa descrição, seria apenas um fantasma, que veneramos quando esqueçemos que a origem das ideias é o nosso interesse. Em breve irei publicar outros pequenos artigos sobre o Stirner. Segue abaixo o link para baixar alguns livros dele.
http://www.4shared.com/network/search.jsp?searchName=stirner&searchExtention=&searchmode=2
Sábado, Dezembro 20, 2008
Os termos nos quais colocamos a coisas que consideramos uteis são os mais diversos. Ser pragmatico em um certo sentido não exlui o idealismo, pois há problemas para os quais a solução pode depender de uma certa atitude de desdém em relação ao mundo. Entre as literaturas do "ressentimento" a que considero mais bem sucedida é a de Albino Forjaz, "Palavras cinicas" a segunda é a de Matias Aires, " Reflexão sobre a vaidade dos homens" e Omar Khaiam " O Rubayat" os 3 dão os mesmos choques elétricos do cristianismo sen o ônus da falta de inteligência e da fé. Seguem os inks para baixa-los.
Matias aires
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=38089
Albino Forjaz
http://recantodasletras.uol.com.br/arquivos/770482.pdf
Omar Khayam
http://www.4shared.com/file/18375091/b1019df/rubayat.html
Matias aires
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=38089
Albino Forjaz
http://recantodasletras.uol.com.br/arquivos/770482.pdf
Omar Khayam
http://www.4shared.com/file/18375091/b1019df/rubayat.html
Quinta-feira, Dezembro 18, 2008
Condição severa.
O sopro está no centro de si
tem sua parte de espaço
e o movimento cego que corta.
A carne do tempo é opaca,
Assinalada pelo laço
inevitavel das perseguições,
dos diabos confusos,
da peste isolada,
a carcumência celebrando
em meio a castelos deserdados e setas anteriores fendendo
nossos dias de trabalho
planejamento
e sede.
Quarta-feira, Dezembro 17, 2008
Buterfly
Não escrevam.
Coletem as impressões gerais
e reguem as paginas das dor
com gestos.
Não escrevam
principalmente poesia
se não encontrarem na estrada
para a confiança
desespero, dor, loucura, fome
e uma borboleta transparente
assobiando ao sol nascente.
Poupem-se das horas gastas
sob pensamentos vastos.
Ganhem dinheiro, casem,vão aos estadios lotados, as igrejas lotadas
as praças lotadas
pela ampla estrada do sucesso a qualquer custo.
Mas não escrevam...
Preservem a unica dignidadeque lhes é possivel.
Coletem as impressões gerais
e reguem as paginas das dor
com gestos.
Não escrevam
principalmente poesia
se não encontrarem na estrada
para a confiança
desespero, dor, loucura, fome
e uma borboleta transparente
assobiando ao sol nascente.
Poupem-se das horas gastas
sob pensamentos vastos.
Ganhem dinheiro, casem,vão aos estadios lotados, as igrejas lotadas
as praças lotadas
pela ampla estrada do sucesso a qualquer custo.
Mas não escrevam...
Preservem a unica dignidadeque lhes é possivel.
Domingo, Dezembro 14, 2008
Talvez ela considere ofensivo, mas tinha uma linda xota. Alta, popuda e deliciosa quando sorvida. Conquistada sem muitos esforços, mantida sem muitas crises, cumplice das transgressões e do "deliriuns canabiens". Gostava de meter e depois fumar um ouvindo essas coisas ultrapassadas que rapazes carcumidos como eu veneram. Um Dylan (one more cup, oh sister) e aquela fome partilhada no embate corajoso do ataque quente e da recepção macia. Sim, sim e sim.Sexo é simples. Carne é simples. E as nossas almas precisam de pouco mais do que espaço e coragem. Eramos dois univeros isolados se mesclando em meios a uma tempestade de metidas, gemidos, chupões, catarses e...repouso. Repouso necessário para seguir em frente, repouso indispensavel para ter clareza e vislumbrar a face radiante...do vazio
Sexta-feira, Dezembro 12, 2008
Flama
Quero-te devastadamamente
com um sopro inflamado
e um mel de estrelas.
Quero-te com a ingenuidade da hortelã
pisada pelas geadas
e pelo temor do amanhã.
Quero-te errado
vagabundo,
cético
e totalmente dobrado
pela tua disciplina,
pela tua dobra de corpo,
pelo teu reino de dor.Quero-te incerto,
sem um amanhã
para a louca tempestade que arrasta os meus cansaços
em direção aos teus desejos.
post scrap cancel
com um sopro inflamado
e um mel de estrelas.
Quero-te com a ingenuidade da hortelã
pisada pelas geadas
e pelo temor do amanhã.
Quero-te errado
vagabundo,
cético
e totalmente dobrado
pela tua disciplina,
pela tua dobra de corpo,
pelo teu reino de dor.Quero-te incerto,
sem um amanhã
para a louca tempestade que arrasta os meus cansaços
em direção aos teus desejos.
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2008
A fofoca e a filosofia
Ainda mantemos como herança de nossos avós o hábito de comparar nossos destinos. Isso deve-se, creio, ao fato de algumas pessoas só conseguirem levar a vida adiante se acreditarem de alguma maneira que são melhores que as outras. Ainda que o que aqui eu chamo de "melhor" possa ter diversas aplicações, é no entanto um fato notório presente tanto nas fofocas das velhas comadres, na auto-promoção dos playboys através das suas façanhas sexuais ou mesmo no orgulho daqueles que acreditam-se mais fortes ou mais "realistas"que os outros. Não creio também que esse tipo de hábito seja um "mal" por si mesmo, é apenas mais uma opção entre tantas, mas que sempre vem recoberta de uma aura de superioridade que envolve quem o assume. Pode ser caricato visto de perto, ou pode ser muito útil quando se é um completo fracassado diante das próprias metas que sem essa crênça já teria estourado os próprios miólos(ou os alheios). Algumas religiões tem o mesmo efeito. Eu prefiro optar pelo que Richard Rorty chama de uma concepção Darwiniana do conhecimento. PAra tal concepção qualquer ideia ou postura visa unica e exclusivamente o bem estar de quem a sustenta. Logo, não existem ideias ou comportamentos melhores uns que os outros, todos atendem a necessidades pessoais que variam de um individúo para o outro. Nessse sentido, a "fofoca existencial" essa que tenta impor aos outros as próprias preferências seria apenas uma "hiperbole", um desejo de anular a vida privada alheia, submetendo-a a uma concepção pessoal de como o mundo deveria ser. Portanto, você que perdeu seu tempo lendo essas linhas, poupe-se de chamar o que eu escrevo de "ressentimento" ou "apologia do fracasso", há muito tempo parei de dar ouvido as comadres.
Domingo, Dezembro 07, 2008
Eu nasci nisto
Eles não poderão
alcançar.
Os seus dedos famintos e cansados
e o olhar de medo impedirão aquele gesto.,
Eles só terão explicações..
como foram fortes,
como resolveram tudo aquilo,
qual a medida exata,
E cada polegada de sucesso
ou heroismo.
E então
No tempo certo toda merda acumulada
irá jorrar dos abismos qual imensa tempestade.
Nesse exato instante
e a partir desse momento
Haverá espaço entre as trincheiras
para a vida plena.
O pequeno gesto que eles não irão lograr
é o aceno diário,
e o cumprimento leve
que lançamos ao horror.
Quinta-feira, Dezembro 04, 2008
Natalícia de Aragorn
Ficando mais velho. O cancro dos dias cada vez mais exposto, as chances cada vez menores, a corda apertando em torno do pescoço. Os momentos doces ficando cada vez mais caros. Talvez existam redenções e fugas, sucessos e vitórias, reconhecimento e admissão...mas ainda não descobri como. Sempre um mal entendido, uma nova prestação a pagar um esbarrão com o incerto. Ficando mais velho. Sem o atenuante do aproveitamento do passado nem a compensação da vitória a qulaquer custo. Mas, de uma coisa tenho certeza...a escuridão não me levará a rastejar. Não irei pedir clemência diante dos tribunais, nem implorar por misericórdia. A armadilha foi muito bem montada, reconheço, mas não vou cair com preces ou salmos entre os lábios. QUe venha a escuridão, que venha o desespero, não cheguei até aqui para desistir do estandarte vermelho que carrego. Eles estão em maior numero, eles tem o gado, os pastos, rios, mulheres e a força. Eu tenho a mim. Essa clareira há de sustentar o meu conflito.
Quarta-feira, Dezembro 03, 2008
Um dia nada bom..
Não sei o que é bom nem ruim para os outros, mas apenas para mim. Todavia, gosto de especular. Naõ sei os motivos das ações dos outros. Não sei o que leva um sujeito que nunca cortou definitavemente o cordão umbilical a se achar o "FODÃO". Também não sei o que leva uma senhora a acreditar que tem direitos de propriedade sobre alguém somente porque lhe cedeu alguns doces momentos de partilha corporal. Não sei...Mas gosto de especular, e isso me parece muitas vezes perigoso, porque não sei o motivo pelo qual eu o faço. Mas especulo que a minha especulação pretende me fazer sentir superior a quem não o faz. Mais uma estrategia sórdida entre tantas. Cada um se defende com o que tem. A verdade é o canivete mais usado para roubar a simpatia que não conseguimos conquistar. Cada um está só. As pessoas são frageis e envelheçem, a morte é o de menos. Temos mêdo uns dos outros e de não termos uns aos outros para termos mêdo. Queremos uns aos outros e não queremos que nos queiram de determinada forma. Complicado. É, hoje de fato não foi um dia bom.....
Domingo, Novembro 30, 2008
O passo e o abismo.
A diferença entre nós dois
não é uma questão de escolha.
A diferença entre nós dois é a diferença
entre o expurgo e a chegada,
entre o acolhimento
e a rotulação de estorvo sobre a testa.
Um cortina rasgada de esperança
em berço maculado de desdém,
a absoluta desertificaçãodo afeto...
Um laço claro entre a consumação da vida
e a procura do caminho a seguir.
Uma certa dose de tolice...
A diferença entre nós,
é a diferença entre ter se perdido
caminhando as cegas
e não conseguir impor o padrão herdado
ao mundo.
A diferença entre nós é a diferença
entre a absoluta falta de laços
com as pessoas
e o ninho confuso e quente que gerou
teus pesadelos.
A diferença entre um nada livremente atormentado
e as correntes que arrastas e lhe fazem sentir
a segurança.
Um vazio imenso aos domingos....
A necessidade de fingir que tem amigos...
Sábado, Novembro 29, 2008
Quarta-feira, Novembro 26, 2008
Memorial dos redimidos ( para Orlando)
Todo fracassado sonha em sair da lama
e teme retornar para lá.
Uma casa bem grande,
Um quarto arejado,
"Porra onde estão meus óculos especiais?"
"Hoje iremos com a ferrari, mercedes é para perdedores !"
Uma mulherzinha doce e sensata
Para ouvir juan baez
enquanto ele lê Henry Miller
e acha que se deu bem.
Todo fracassado tem Brio
e memória,
e sabe que as coisas ruins
não tem redenção,
e sabe que as coisas boas
tem que ser disputadas a tapa
tiro,
sangue,
e dor...
Flores indescritiveis
em meio a devastação.
e teme retornar para lá.
Uma casa bem grande,
Um quarto arejado,
"Porra onde estão meus óculos especiais?"
"Hoje iremos com a ferrari, mercedes é para perdedores !"
Uma mulherzinha doce e sensata
Para ouvir juan baez
enquanto ele lê Henry Miller
e acha que se deu bem.
Todo fracassado tem Brio
e memória,
e sabe que as coisas ruins
não tem redenção,
e sabe que as coisas boas
tem que ser disputadas a tapa
tiro,
sangue,
e dor...
Flores indescritiveis
em meio a devastação.
Sexta-feira, Novembro 21, 2008
Bosque secreto.
Amo quando vens para mim,
sem nada pedir, inteira dada.
Teu corpo rijo e sincero,
sedento e fresco,
oculto e meu.
Querendo o que me destroi
Ansiando pela visita severa
que entra e se vai como um sopro
inflamado.
Levo teu nome na lingua
Carrego na boca teu gosto
Sou filho dessa floresta
marcado por essa chaga
Bosque secreto da agua da vida
descemos ao poço,
meu bem,
para encontrar a saida.
sem nada pedir, inteira dada.
Teu corpo rijo e sincero,
sedento e fresco,
oculto e meu.
Querendo o que me destroi
Ansiando pela visita severa
que entra e se vai como um sopro
inflamado.
Levo teu nome na lingua
Carrego na boca teu gosto
Sou filho dessa floresta
marcado por essa chaga
Bosque secreto da agua da vida
descemos ao poço,
meu bem,
para encontrar a saida.
Quinta-feira, Novembro 20, 2008
Ramo
Guardo muitas coisas no quintal
Cacos estilhaçados e noites irrefletidas
Fotos de nossa senhora com saltos altos
e alguns comprimidos velhos de
voluntário desperdicio.
Todavia separo semafóros e sentenças
das pontas imberbes de grama sedenta,
acalentando com irresponsavel cuidado
um amor que se sustenta
de dores.
Mas percebi uma nuvem...
todavia, me afligiu um preságio...
e vi no olhar que me vê
um brilho despedaçado.
Ela não crê no alto
Ela não eleva uma preçe
Ela não comunga do esquecimento comum
que sustenta a multidão
Ela tem a pele brilhante como a petala
banhada no orvalho da imensidão
E tece seus dias desfiando questões e projetos
enquanto ergue os ramos para sustentar
a palavra.
contabilizando as sensações,
Eu diria que ela está do um outro lado
e que merece a felicidade
sem as pessoas no caminho.
Deni, esse poema é para você.
Cacos estilhaçados e noites irrefletidas
Fotos de nossa senhora com saltos altos
e alguns comprimidos velhos de
voluntário desperdicio.
Todavia separo semafóros e sentenças
das pontas imberbes de grama sedenta,
acalentando com irresponsavel cuidado
um amor que se sustenta
de dores.
Mas percebi uma nuvem...
todavia, me afligiu um preságio...
e vi no olhar que me vê
um brilho despedaçado.
Ela não crê no alto
Ela não eleva uma preçe
Ela não comunga do esquecimento comum
que sustenta a multidão
Ela tem a pele brilhante como a petala
banhada no orvalho da imensidão
E tece seus dias desfiando questões e projetos
enquanto ergue os ramos para sustentar
a palavra.
contabilizando as sensações,
Eu diria que ela está do um outro lado
e que merece a felicidade
sem as pessoas no caminho.
Deni, esse poema é para você.
Segunda-feira, Novembro 17, 2008
Considerções sobre o Boxe e a verdade.
Uma das frases mais razoaveis que já vi alguém pronunciar não foi dita por um filosófo nem por um santo, foi dita por um Boxeador com psicose maniaco depressiva e campeão do mundo: Mike Tyson. Questionado sobre a melhor estratégia para ganhar uma luta ele respondeu "quando sobe no ringue todo homem acha que tem um plano, até receber o primeiro soco".
Acho essa frase fenomenal, e apesar do velho Mike ter sido arrastado pelos próprios dêmonios, ela mostra quantas lições uma vida dificil pode ensinar. O motivo do meu apreço por tal sentença é simples: todo mundo tem suas certezas, e acha que não vai modoficá-las de forma alguma! certezas sobre o que é bom e mal, verdadeiro e falso, desejavel e odioso, até tomar o primeiro soco.
A única forma de manter-se toda vida com as mesma convicções, estratégias de como se sair bem de um jogo ruim, é ser preservado do ringue, coisa que muitas pessoas conseguem através da proteção conferida pela familia, pela sorte ou pela doença. Quem está vivo e fora dos muros erguidos pelo passado inevitavelmente tomará alguns socos e terá que rever seus planos, ou então beijar a lona e esperar o paraiso.
Veja, as ruas estão cheias de caras que acreditam poder enfrentar o mundo inteiro apenas com a sua revolta. Tendo nascido nas periferias e se alimentado do caldo do ressentimento que ensina que somente a "atitude" e a esperteza são suficientes para um homem se dar bem na vida esse caras terminam estampados nas paginas policiais ou se acomodando entre a escravidão, a igreja e o futebol.
Tem os religiosos , mas essses basta olha-los um pouco para rapidamente darmo-nos conta da verdadeira natureza dessa opção.
Mas no final das contas uma coisa é razoavel pontuar, também não existe nenhuma certeza de que não ter estratégias é a melhor politica.
A única coisa que se pode saber é que nossas crênças são tecidas com a teia da história de cada um, e podem e devem ser mudadas quando não satisfazem aquilo para que se destinam: a capacidade de esquivar-se dos socos da vida.
Sábado, Novembro 01, 2008
Advertência aos que tem brio
Max stirner me ligou
ontem a noite,
cansado e com sono
foi um dia difícil na zeladoriado hospício.
Sua voz estava cansada e caia
uma chuva de cachorros mortos
na rua.
“Acho que uma mosca me picou”
Ele falou
“Elas vivem me mordendo também”
Respondi
“Não consegui pagar minhas dividas,
Fui em cana,
minha mulher me deixou,
E como falei tudo aquilo,
também não encontro trabalho”
Ficamos os dois em silêncio.
A linha clara da convicção já havia ligado
os caminhos,
não podia ser diferente,
não tínhamos essa certeza também
“É isso ai”
Eu falei “
É isso ai”
Ele respondeu
Disse ainda qualquer coisa sobre um copo de vinho algum dia
e se despediu.
Eu voltei para meus cigarros psicotrópicos,
Meu site pornô,
Meu blues e meu country...
E antes de apagar minhas luzes
uma pétala de flor colorida pousou
sobre minha credencial para a vida.
ontem a noite,
cansado e com sono
foi um dia difícil na zeladoriado hospício.
Sua voz estava cansada e caia
uma chuva de cachorros mortos
na rua.
“Acho que uma mosca me picou”
Ele falou
“Elas vivem me mordendo também”
Respondi
“Não consegui pagar minhas dividas,
Fui em cana,
minha mulher me deixou,
E como falei tudo aquilo,
também não encontro trabalho”
Ficamos os dois em silêncio.
A linha clara da convicção já havia ligado
os caminhos,
não podia ser diferente,
não tínhamos essa certeza também
“É isso ai”
Eu falei “
É isso ai”
Ele respondeu
Disse ainda qualquer coisa sobre um copo de vinho algum dia
e se despediu.
Eu voltei para meus cigarros psicotrópicos,
Meu site pornô,
Meu blues e meu country...
E antes de apagar minhas luzes
uma pétala de flor colorida pousou
sobre minha credencial para a vida.
Quinta-feira, Outubro 30, 2008
Notas sobre a valentia
Tudo se resume para alguns
A estar indignado.
E para outros
A ter um membro entre as pernas.
Mas indignação, membro, herança
Ou qualquer outro predicado
passivo
Não constituem mérito algum.
E fique claro,
Flores que crescem no vale
Não erguem barricadas de chumbo
O porco esfolado que grita
E a rasa virilidade que fere
A estar indignado.
E para outros
A ter um membro entre as pernas.
Mas indignação, membro, herança
Ou qualquer outro predicado
passivo
Não constituem mérito algum.
E fique claro,
Flores que crescem no vale
Não erguem barricadas de chumbo
O porco esfolado que grita
E a rasa virilidade que fere
Estão de mãos dadas na sombra.
Uma audiência
A entrevista foi marcada para as oito, porém chego mais cedo, com o específico propósito de impressionar pela pontualidade. Tolice, ninguém percebe nem mesmo a secretária loura de óculos e decote violento, gostosa demais para ser interessante, do tipo que não goza, pede o extrato bancário para saber o que dizer depois da transa.Alguns caras chegam depois de mim para o teste, uns dez e todos com caras horríveis e gestos de exagerado cuidado ou descontração forçada. Cada vez que meu olhar se cruza com o de algum deles procuro desviar rápido, evito assim uma interlocução indesejada feita de representação e senso comum. O que teria eu para falar com esses caras? Devem ter esposa chata que reclama por causa do copo fora do lugar e pede separação todo domingo à noite, amigos que os convidam para a pelada de final de tarde e cervejinha barulhenta em pocilga de esquina ou pastor evangélico para vender paz de espírito e auto - estima. Não, conheço bem esses mal entendidos sociais, além de muito desagradáveis não acrescentam nada nem a eles nem a mim “ cada macaco no seu galho” filosofa a sabedoria popular com muita propriedade.É curioso perceber como essas pessoas facilmente se aproximam uma das outras, após alguns minutos várias linhas de conversação foram estabelecidas. Depois de uma hora parecem grandes amigos, se ficassem mais uma hora acabariam marcando um churrasco entre suas famílias e apenas eu e a loura gostosa não seríamos convidados, ela pelo orgulho de seus dotes físicos e eu pela minha chatice silenciosa. A porta se abre e uma outra mulher, também linda, sai e fala algo com a loura tão baixo que não consigo ouvir. Todos se calam e ficam esperando começar o chamado para a entrevista. Eu sou o primeiro e ao ouvir meu nome levanto-me e tenho a impressão de que todos os olhares estão sobre mim, caminho até a porta e antes de empurrá-la respiro fundo quase chego a desejar que Deus me ajude. Meu desespero, todavia não chega a esse ponto.A sala é sobriamente decorada e sentada na mesa a linda (por que só existem mulheres bonitas em agências de emprego?) de cabelo preso em rabo- de- cavalo escreve algo, ou finge que escreve:- Com licença.- Entre e sente-se, Sr. Leon.Com todo cuidado eu puxo a cadeira e sento, tentando demonstrar tranqüilidade e esconder o que sinto a respeito de toda sua fingida cordialidade.- Você é casado?- Separado.- Tem filhos?- uma filha de quatro anos – A cada pergunta respondida ela baixa a cabeça e escreve algo; como adivinhar o que ela quer ouvir? Afinal de contas ninguém está interessado em verdades, numa agência de empregos, aqui o que importa é ser aceito ou rejeitado para o jogo de ratos, e eles fazem as regras.- O que você espera desse emprego, Sr. Leon?Que raio de pergunta é essa? Espero conseguir me alimentar dar a despesa de minha filha, pagar o aluguel e talvez tomar um vinho e fumar uns cigarros. Sei porém o que ela quer ouvir.- Ora, o que todo mundo quer, um salário.- Disso nós sabemos Sr. Leon, o que não sabemos é o que você espera que a empresa faça por você: ela sorri complacente e gesticula num gesto amplo como se espalhasse pétalas de flores, nesse exato momento minha cabeça começa a rodar. Preciso do maldito trabalho, a pequena precisa, mas preciso também não perder a noção de quem sou, se isso acontecer já era sanidade... Tenho que encontrar um meio termo.- Olhe senhorita, sou experiente em diversas ocupações, domino bem a linguagem e não tenho medo de trabalho pesado, isso é o que tenho a oferecer, agora acredito que o que a empresa pode fazer por mim é me pagar pelo meu trabalho.- Mas e seu desenvolvimento pessoal, crescimento profissional, promoções, carreira. A respeito de sua realização, você








