Ela sabe que eu não seria,
não poderia,
e que a circunferência da terra
não tem começo também.
Ela fareja meus sentidos, conheçe os
meus impulsos e nunca me viu
chamando mamãe ou papai.
Ela me avalia, pesa, mede, compara e derruba
a pedra final sobre minha pobre carcaça.
Chorosa, onanista, orgulhosa, decadente e feia
e no entanto
divinamente imaculada e brilhante.
Ela me aponta as amigas,
dissemina o meu dossiê, grita nas praças após eu sair:
"Ele lê Albino Forjaz, Ele ouve Hank Wiliams,
Ele Acha que o Bukowiski, o Fante e o Steinbek são os maiores"
Ele não vai a igreja,
ao samba,
Ao Show de Rock na carlos gomes vestindo
camiseta do Che Guevara, louvando velhos panfletos pendurados
na descarga"
Ela faz tudo isso...
Se afasta das cortinas para lavar os anos que viriam no tanque
na familia, no dia a dia da certeza canonizada de um afeto acinzentado
querendo,
desejando,
ansiando
pela loucura que eu trago na virilha.
Ela vai no dia a dia petrificando-se e esvaindo-se
até o breve rio
da resignação.
Palavras acidentais, produzidas em gesto espontâneo para desaparecer em seguida no turbilhão do nada.
sábado, fevereiro 28, 2009
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Um corpo irrefutável.
Ela estava colocada a uma distância razoavel, distraida o bastante para não perceber o meu olhar. Seu namorado, marido ou amante a envolvia pela cintura em um abraço que demonstrava posse e orgulho. A exibia com a um troféu, e seu rosto liso e bem barbeado, suas roupas justas e seu carro ponta de linha denuciavam o hábito de extrair muita satisfação dessa exposição social do afeto. Decaido e ciníco demais para esperar do conluio social algo mais que perseguição ou indiferênça eu não teria tais pretensões em relação aquela garota de cintura esguia, seios firmes e olhar distante que ocupava o estreito espaço entre os braços do tacanho garotão. O cabelo cortado na altura do pescoço e o jeito coquete de quem provoca até dormindo, tratando peixe ou lavando roupa estimularia uma batalha árdua, um trabalho delicado de dedos, linguas, suspiros e sedenta invasão. Um sonho de garota, do tipo que nem em meus mais audazes sonhos esperei possuir. Todavia eu era um velho olhando para um outro mundo, um velho cético sobre os grandes espiritos iluminados, casamento, fidelidade e a sublimidade do sublime.
Minha cerveja esquentou e eu pedi outra para o pobre garçom que asfaltava o trecho que lhe cabia no acesso a sucursal do inferno. A rapaziada se refestelava indiferente ao olhar ciníco do velho e careca que observava fascinado a bela dama, suas possibilidades carnais e o regojizo infinito que ela poderia proporcionar a um amante cuidadoso e dedicado, esse seria eu, claro. A bexiga apertou depois da quinta cerveja, um tanto grogue levantei-me e fui ao banheiro que ficava aos fundos. O torpor alccolico, a convergência das imagens, a queda absoluta e a descofiança do si-mesmo eram engolidas pelo tesão intriduzido em meus pensamentos pela visão daquela beldade infante. Onde terminam as planices da poesia? Como redimir aqueles que não foram bastantes astutos para inventar a própria redenção? Lancei um bom jato de urina que demorou uma eternidade, lavei as mãos e saí do banheiro. Parei no contramarco que dava acesso a um quintal do bar e acendi um cigarro, foi quando uma perfmue suave me envolveu e uma mão me tocou o ombro. Ao virar-me ela estava de pé em minha frente. Estremeci de alto a baixo em um impulso adolescente, como se todas as trepadas, recursos aos bregas, desmitificações da feminilidade tivessem se anulado. SUa boca transpirava sexo, seu busto saliente transpirava sexo, o pé de seu umbigo exposto transpirava sexo e eu naquele momento quase acreditei em Deus.
-O senhor poderia me dizer as horas, meu tio?
O aguilhão da realidade atravesou-me o peito e eu lhe dei as costas sem conseguir contornar com algum cinismo aquela veraz acusação. Paguei a conta e fui para casa. Minha mulher assistia televisão de touca na sala e como sempre acusou minha bebedeira. Desssa vez não consegui elaborar honrosamente meu fracasso.
Minha cerveja esquentou e eu pedi outra para o pobre garçom que asfaltava o trecho que lhe cabia no acesso a sucursal do inferno. A rapaziada se refestelava indiferente ao olhar ciníco do velho e careca que observava fascinado a bela dama, suas possibilidades carnais e o regojizo infinito que ela poderia proporcionar a um amante cuidadoso e dedicado, esse seria eu, claro. A bexiga apertou depois da quinta cerveja, um tanto grogue levantei-me e fui ao banheiro que ficava aos fundos. O torpor alccolico, a convergência das imagens, a queda absoluta e a descofiança do si-mesmo eram engolidas pelo tesão intriduzido em meus pensamentos pela visão daquela beldade infante. Onde terminam as planices da poesia? Como redimir aqueles que não foram bastantes astutos para inventar a própria redenção? Lancei um bom jato de urina que demorou uma eternidade, lavei as mãos e saí do banheiro. Parei no contramarco que dava acesso a um quintal do bar e acendi um cigarro, foi quando uma perfmue suave me envolveu e uma mão me tocou o ombro. Ao virar-me ela estava de pé em minha frente. Estremeci de alto a baixo em um impulso adolescente, como se todas as trepadas, recursos aos bregas, desmitificações da feminilidade tivessem se anulado. SUa boca transpirava sexo, seu busto saliente transpirava sexo, o pé de seu umbigo exposto transpirava sexo e eu naquele momento quase acreditei em Deus.
-O senhor poderia me dizer as horas, meu tio?
O aguilhão da realidade atravesou-me o peito e eu lhe dei as costas sem conseguir contornar com algum cinismo aquela veraz acusação. Paguei a conta e fui para casa. Minha mulher assistia televisão de touca na sala e como sempre acusou minha bebedeira. Desssa vez não consegui elaborar honrosamente meu fracasso.
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Ensaio sobre o poder.
Sem falsa modéstia, eu já li quase tudo que existe para ser lido em termos de literatura religiosa. A religião gosta de nos fazer acreditar, de diversas maneiras no poder humano sobre a realidade. Ser feliz em meios as farpas, encontrar um caminho claro no meio de uma selva. Não posso afirmar que levei a sério as disciplinas que a religiosidade coloca como requisito indispensável para chegar a esse poder, e, portanto toda minha retórica pode ser acusada de incompleta, por não ter se submetido ao testemunho da experiência. Em contrapartida, nunca me pareceu uma jogada muito honesta pedir a um sujeito que se debate para não morrer, que é espancado cinco vezes por dia, que cresce nos esgotos mendigando afeto, que acrescente a sua luta a busca por iluminação ou santidade. E eu ainda nem estou filosofando... Minha única refutação é a prudência e tampouco tive uma mãe religiosa para sentir a necessidade de preservar o respeito por algumas palavras quando elas já não tem mais utilidade.
Veja, Prometi a minha filha outro dia, em um acesso redentor, que a levaria em uma viagem. Queria dar-lhe a chance de passar por situações que me foram vedadas pelo cristianismo de quem me criou, um cristianismo de renuncia, reclamações e cerebralidade fria. Prometi, e o ultimo resquício de minha antiga religiosidade é o hábito de me manter escravizado por minhas promessas, então, chegando à data da viagem prometida, mesmo não tendo dinheiro, mesmo vivendo de bicos e submetendo-me a uma dieta de pão com água , eu comprei as passagens com o que trazia guardado a sete chaves para alguma emergência e começamos a nos preparar. A pequena era só ansiedade. Oito anos de perguntas, ensaios para uma identidade e brilho refrescante de uma vida que começa. Olhando-a arrumar diligentemente as suas coisas, ignorante sobre a falta que o dinheiro da viagem ia me fazer, inconsciente do sentimento de vanidade que assalta os velhos diante da alegria, eu me perguntava se não seria uma grande crueldade a vida, mas detive esse pensamento com a mão e o esmaguei como a um inseto.
No dia da viagem tão sonhada minha mulher chegou atrasada do trabalho, e como se um duende maligno estivesse conspirando, não achamos ônibus também para a rodoviária. O desespero de mim se apossou: Quanto vale a decepção de uma garotinha de oito anos? Pegamos um taxi em meio a minhas projeções sobre os cinco meses fazendo hora extra que me esperavam. Parecia-me ter visto impresso no bilhete que o ônibus sairia as onze e trinta e tínhamos então apenas dez minutos quando chegamos a rodoviária. Fui a um caixa eletrônico tirar alguma grana para um lanche e o caixa estava quebrado. Minha mulher blasfemava por eu não ter feito isso antes, mas tínhamos pão com banana guardado na sacola e fomos para o embarque. Achei a plataforma bem vazia, onde estavam todos? Somente nós, em pleno carnaval íamos embarcar? Foi quando percebi que me enganara: O ônibus estava marcado para as 11h15min e já tinha partido. Corri para tentar alcançá-lo na saída, minha mulher e filha vieram atrás de mim. Caíram pães e bananas atrás de nós, as pessoas riam e perdemos nosso ônibus.
Meu coração estava estraçalhado. Não tinha outro ônibus. Não consegui reaver o dinheiro da passagem. Minha filha chorava, minha mulher estava pasma eu...bem, eu não era nada senão um poço de Caos e impotência.
Veja, Prometi a minha filha outro dia, em um acesso redentor, que a levaria em uma viagem. Queria dar-lhe a chance de passar por situações que me foram vedadas pelo cristianismo de quem me criou, um cristianismo de renuncia, reclamações e cerebralidade fria. Prometi, e o ultimo resquício de minha antiga religiosidade é o hábito de me manter escravizado por minhas promessas, então, chegando à data da viagem prometida, mesmo não tendo dinheiro, mesmo vivendo de bicos e submetendo-me a uma dieta de pão com água , eu comprei as passagens com o que trazia guardado a sete chaves para alguma emergência e começamos a nos preparar. A pequena era só ansiedade. Oito anos de perguntas, ensaios para uma identidade e brilho refrescante de uma vida que começa. Olhando-a arrumar diligentemente as suas coisas, ignorante sobre a falta que o dinheiro da viagem ia me fazer, inconsciente do sentimento de vanidade que assalta os velhos diante da alegria, eu me perguntava se não seria uma grande crueldade a vida, mas detive esse pensamento com a mão e o esmaguei como a um inseto.
No dia da viagem tão sonhada minha mulher chegou atrasada do trabalho, e como se um duende maligno estivesse conspirando, não achamos ônibus também para a rodoviária. O desespero de mim se apossou: Quanto vale a decepção de uma garotinha de oito anos? Pegamos um taxi em meio a minhas projeções sobre os cinco meses fazendo hora extra que me esperavam. Parecia-me ter visto impresso no bilhete que o ônibus sairia as onze e trinta e tínhamos então apenas dez minutos quando chegamos a rodoviária. Fui a um caixa eletrônico tirar alguma grana para um lanche e o caixa estava quebrado. Minha mulher blasfemava por eu não ter feito isso antes, mas tínhamos pão com banana guardado na sacola e fomos para o embarque. Achei a plataforma bem vazia, onde estavam todos? Somente nós, em pleno carnaval íamos embarcar? Foi quando percebi que me enganara: O ônibus estava marcado para as 11h15min e já tinha partido. Corri para tentar alcançá-lo na saída, minha mulher e filha vieram atrás de mim. Caíram pães e bananas atrás de nós, as pessoas riam e perdemos nosso ônibus.
Meu coração estava estraçalhado. Não tinha outro ônibus. Não consegui reaver o dinheiro da passagem. Minha filha chorava, minha mulher estava pasma eu...bem, eu não era nada senão um poço de Caos e impotência.
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
Chuang Tsé pulando carnaval
Todos desejam destacar-se. Ensaiam gestos, fingem talento, criam cavanhaque, estudam filosofia, escrevem horriveis contos, esboçam algo que pretendem chamar arte ou pulam carnaval. Todos querem destacar-se. Não ser visto, não ser comentado, tornar-se uma palmeira falante em meio ao mundo é a nossa concepção de inferno. Todos querem destacar-se, todavia, ninguém quer ser diferente. Sem novos caminhos, sem novas palavras...A velha estrada e, se possivel, seguindo as marcas de alguém que já passou. A polpa tenra do hálito vital de nossas almas expira sempre, doa de si algo que não tem. Vive em débito perpétuo pois nada produz que sacie a própria fome. Somos Hematófagos de seres feitos de madeira. Mumias celebradas e baterias esquecidas...Mas nos sustentamos do barulho e da aparência do barulho. Perdemos tudo...Perdemos a folha que caiu sobre o teu dedo do teu pé.
"o sábio não explica a questão, mas se revela na clara luz do dia"
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
No cais
Eu quero atravessar a rua e não falar.
Eu preciso desse momento sem palavras,
sem a junção esquizofrênica entre a consideração e a ida,
como um bêbado precisa do regurgito e do desmaio,
eu preciso atravessar a rua em vão.
Abandonar a cidade dos motivos sem mapas ou tratados.
deixar-me levar pelos meus passos adormecido e sem sonhos
mas olhando abertamente o riso sepultado das pessoas
em dias translúcidos de chá mate, água fria e mim.
Eu preciso de uma brecha no pensar,
de uma janela no seguir,
de uma desembarcação para o lugar onde cessam direções
e compromissos.
Eu preciso atravessar a rua, sem ser interpretado
querido,
dito
ou esquecido...
Eu só preciso atravessar a rua.
Eu preciso desse momento sem palavras,
sem a junção esquizofrênica entre a consideração e a ida,
como um bêbado precisa do regurgito e do desmaio,
eu preciso atravessar a rua em vão.
Abandonar a cidade dos motivos sem mapas ou tratados.
deixar-me levar pelos meus passos adormecido e sem sonhos
mas olhando abertamente o riso sepultado das pessoas
em dias translúcidos de chá mate, água fria e mim.
Eu preciso de uma brecha no pensar,
de uma janela no seguir,
de uma desembarcação para o lugar onde cessam direções
e compromissos.
Eu preciso atravessar a rua, sem ser interpretado
querido,
dito
ou esquecido...
Eu só preciso atravessar a rua.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Blog, auto critica e vaidade flatulenta.
Uma das criticas mais razoaveis a serem feitas a sociedade conteporanêa é a de que ela varreu da face terra a presença da auto-critica. Embora essa observação, por si mesma não seja suficiente para corroborar a tese de que vivemos os piores momentos da história humana, não posso deixar de apontar a guiza de sarcasmo os incidentes que nossa civilização tornou possivel. Um deles é crênça generalizada na natureza democratica do talento. Hoje em dia quase todo mundo acredita-se um artista habilidoso em alguma aréa. A musica é a mais requisitada entre os adeptos dessa crênça. Um rostinho bonito, tocar um instrumento, achar-se "diferente"uma herança artistica familiar e pronto: eis o cantor. Esse fenomêno é um tanto óbvio, não irei portanto deter_me nele. Quero falar de um outro, aparentado desse, mas que me diz respito de uma forma mais estreita. É o fenomêno da internet, e dos blogs em particular.
A internet permitiu que todos os indivíduos tivessem a possibilidade de expor o que produzem ao olhar de outros indivíduos, não importa a natureza dessa produção. Em consequência disso todos passaram a expor, e a querer ser visto. Mas quem iria ver, se todos querem expor? Logo surgiu a solução: as pesoas passaram a visitar os "my espace" "bloggs" e "orkut's" alheios a fim de serem notadas. Aqueles que eram visitados passaram a retribuir as visitas para manter a clientela. E assim todos garantiram olhares e seguiram acreditando que tinham algum tipo de talento em suas planas e óbvias pessoas. O plágio também tornou-se uma constante, e é desesperador perceber como as pessoas são semelhantes a buracos negros que de tão vazios acabam sugando tudo que vêem para tentar preencher-se e seguir acreditando que têm substancia. Eu citaria nomes, mas isso não seria elegante. Todavia é deprimente ver indivíduos tentarem corroborar as próprias auto-imagens através do plágio, da bajulação e do auto engano . É claro que a internet, assim como nossa sociedade, proporciona tantas possibilidades interessantes e ricas que essa perda não chega a ser relevante. Demais, quem defende a democracia a qualquer custo como eu, não pode opôr-se ao livre exercicio da flatulência, mas também não posso deixar de expor o que registra o meu olfato.
Para prosseguir- Ensaio de um pragmatismo romantico 2
Viver entre outras coisas requer paciência e tato. Uma estratégia mais sutil, um desejo melhor articulado, expectativas mais razoáveis e menos exageradas. Veja, se as coisas não correspondem ao que desejamos a responsabilidade sobre o desgosto que daí advém me parece que é muito mais nossa, que escolhemos nossos desejos, que da vida que não os satisfaz. Afinal quem foi que determinou a necessidade absoluta de certos desejos? E quem foi que determinou qual atitude iremos adotar diante do impedimento de obtermos um certo resultado? E, ademais, bater o pé no chão e maldizer forças invisíveis como a sorte, deus, carma, a sociedade ou a biologia e etc não irá ajudar-nos, eu acho, a obtermos o resultado que desejamos. Saúde, controle, satisfação e um certo sentido de maleabilidade e adaptação são as coisas que todos nós mais desejamos, no entanto , elas devem ser dimensionadas de forma que não estrangulem seus próprios projetos.
Todavia, o problema apresenta-se quando percebemos que ninguém tem apenas um desejo e toda escolha que contempla um desejo ,ou um “bem”, implica a desistência de outro. Não percebemos isso quando o desejo contemplado extrapola imensamente todos os outros que possuímos ou não apresenta contradição com estes no momento mesmo da escolha. No momento em que isso ocorre nos encontramos na difícil situação de ter que fazer um escolha sem o referencial necessário para nela nos sentirmos seguros, pois todo referencial só irá apresentar-se APÓS termos feito a eleição de qual bem fundamental irá nortear nossa ação. Agir assim implica possuir os valores citados no inicio desse texto, estes, Não são valores EM SI MESMOS como aqueles divulgados pela religião ou pela bíblia, são valores que me parecem úteis, quando precisamos realizar nossas escolhas e avançar um passo que seja em direção a uma vida mais clara, aberta e sem contradições dramáticas.
Todavia, o problema apresenta-se quando percebemos que ninguém tem apenas um desejo e toda escolha que contempla um desejo ,ou um “bem”, implica a desistência de outro. Não percebemos isso quando o desejo contemplado extrapola imensamente todos os outros que possuímos ou não apresenta contradição com estes no momento mesmo da escolha. No momento em que isso ocorre nos encontramos na difícil situação de ter que fazer um escolha sem o referencial necessário para nela nos sentirmos seguros, pois todo referencial só irá apresentar-se APÓS termos feito a eleição de qual bem fundamental irá nortear nossa ação. Agir assim implica possuir os valores citados no inicio desse texto, estes, Não são valores EM SI MESMOS como aqueles divulgados pela religião ou pela bíblia, são valores que me parecem úteis, quando precisamos realizar nossas escolhas e avançar um passo que seja em direção a uma vida mais clara, aberta e sem contradições dramáticas.
sábado, janeiro 31, 2009
Rancor.
A culpa é o seu argumento...
Queimar cidades que não se curvam a teu poder.
Dias destroçados de lamuria,
rancores semeados
Pela tentativa vã de erguer-se
ao patamar de uma antiga condição.
A pulverização do brio,
A vingança a qualquer custo,
A consideração movida pelo desejo de fugir
à condição finita que nos determina a todos.
que nos determina a todo
se você consome o breve tempo destinado
em horas arrogantes de resgate do passado
Queimar cidades que não se curvam a teu poder.
Dias destroçados de lamuria,
rancores semeados
Pela tentativa vã de erguer-se
ao patamar de uma antiga condição.
A pulverização do brio,
A vingança a qualquer custo,
A consideração movida pelo desejo de fugir
à condição finita que nos determina a todos.
que nos determina a todo
se você consome o breve tempo destinado
em horas arrogantes de resgate do passado
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Sentenças - Um estudo topológico do abismo.
Pequenos grãos de poeira voavam no quarto quando acordei. O leve mal estar da bebedeira e o conhecido sintoma da falta de meta. Exausto, mastigado e sem qualquer prerrogativa.
Sonhar nunca foi um anestésico desejável para os meus cancros. Terminações do inacabado e opressões simbólicas que não alimentavam minhas trincheiras com sentido. O remorso também é uma alegação vazia, um fantasma desenvolvido por professores sem competência para a vida. A dor passada e o medo de sua recorrência é que se encarnavam quando a benção da noite sem delírios não me acobertava. O dia que me esperava poderia trazer uma nova aurora, o reconhecimento contingente de outras linhas que, a semelhança destas, escrevi entre catarses contingentes de dramas revividos. Haveria a entrevista, eu talvez fosse confirmado, não havia outra possibilidade maior de sobreviver com brio, pagar as contas e talvez, quem sabe, mostrar a minha filha que o pai dela não era um completo fracassado. Mas havia o medo, havia o inevitável, havia a incerteza que sempre fiz questão de admitir. Olhei firme para o canto da casa e podia jurar que havia alguma coisa movendo-se na sombra, algo esperto, malicioso planejando a próxima jogada para esmagar-me o nobre coração. Lancei-lhe uma cusparada em desafio e saí para comprar cigarros e algum repasto atravessando a turba das vozes que se misturavam ao sol do meio dia. As pernas estavam doendo e sinceramente não sentia nenhuma disposição para ser sociável, portanto, procurei o mais vazio dos mercados. Perdi alguns minutos nesse processo e outros tantos olhando as prateleiras e pensando no que comer, sem conseguir estabelecer uma média ponderada entre o melhor prato para o meu refinado paladar e o preço acessível aos trocados que trazia no bolso da calça desgastada.
Às vezes tenho a estranha sensação de que todos estão me observando, e tentando (por algum sórdido motivo) chamar minha atenção. Uma senhora imensa, com o cabelo coberto de rolinhos de papelão parou do meu lado e começou a falar dos preços, da qualidade das mercadorias e do atendimento do mercado. Vespas gigantescas não me dariam tanto medo, invasões alienígenas não me dão tanto medo, patrões obesos e suas esposas viajando de iate em um ensolarado final de semana não me dariam tanto medo quanto pessoas que falam sozinhas. Abrigo-me no requisito que mais prezo em uma democracia, o direito A SACROSSANTA INDIFERENÇA. A mulher me olha uma, duas, três vezes, desiste e vai procurar uma outra vitima. Eu me resolvo pelo molho de tomate, macarrão e algumas lingüiças. A garota que passa as mercadorias recorre a estratégia da invisibilidade sorridente, no gesto pago meramente objetivado ela se salva da possessão alheia. Cada um quer o seu feudo, e as pessoas amáveis são as piores. O seu olhar escorre para dentro de si em um ódio calado e sorridente. Penso que o mundo seria muito mais suave, as estradas seriam mais abertas se não houvessem tantas exigências penumbrosas, tantos círculos confusos para chegar ao mesmo ponto de partida. Como nos casamentos por exemplo. Energia gasta, tesão desperdiçado automutilação inútil. E eu me ponho a pensar na minha utopia: “Senhor Juan Leon, no quesito desempenho sexual o senhor contemplou as exigências do contrato, mais nos tópicos seguridade social, previsibilidade afetiva, exclusividade corpórea e apresentabilidade social o senhor realmente não foi bem avaliado e terá de ser demitido desta relação” Simples direto e sem meias palavras. O fim do absolutismo na vida das pessoas. Tangibilidade e espaço para soluções mais rápidas. Aleluia Huxley!
Chego ao desterro pequeno e abafado do meu quarto, carregado destas palavras absurdas e destas parcas e vergonhosas compras. Os livros estão por toda parte, assim como as revistas masculinas, os rascunhos mal acabados de possíveis contos e poemas e recibos nunca pagos que me levarão para o abismo. Coloco a água do macarrão no fogo, separo as lingüiças com uma faca em pequenas rodelas e faço o mesmo com as cebolas. Frito tudo no óleo e aguardo que a água ferva enquanto ouço um Hank Wiliams colocando uma fumaça no juízo e acompanhando o Krishnamurti em sua tentativa. Nada de tentar resolver. Nada de tentar não tentar. Afinal de contas, seus infelizes, vocês vão ou não vão encarar QUAL É MESMO O PROBLEMA? Bom, muito bom. A água ferve, jogo o macarrão lá e fico misturando para evitar o grude. O satanás do macarrão. Queimem seus infelizes, cozinhem no meu fogo, derretam seus corpos esbeltos de farinha de trigo hahahaha. O macarrão chega ao ponto, lavo a massa em um encardido escorredor plástico, jogo a coisa toda no meu prato, cubro com o molho pronto comprado por trocados e laureio minha obra com as rodelas de lingüiça engorduradas. Um manjar. Coca-cola para minha ulcera e tudo está perfeito.
Acabo com a minha criação em algumas garfadas. Uma metáfora perfeita do que é viver, e só me resta terminar o trabalho soltando a massa marrom e desprezível no vaso sanitário. 15:00 horas. Aproxima-se o horário do fatídico resultado. Será Juan Leon publicado finalmente? Será o romantismo trágico refutado pela contingência desejada da democracia? Leitores para quem não traz consigo as credenciais? Eu quero ter meu pessimismo refutado e também não vou dizer que é nobre. Vou para o chuveiro e esfrego bem as partes, mas não me masturbo, poderia dar azar, é melhor não arriscar a essa altura do campeonato. Quase chego a rezar... quase. Vestido com uma puída calça jeans e uma camisa social desbotada me atiro novamente as ruas.
Após atravessar metade da cidade chego ao reluzente centro empresarial onde as rapinas de gravata decidem o destino das ratazanas estropiadas. O edifício da editora perde-se na imensidão do espaço. Uma torre inimaginável, um castelo cercado pelos fossos de tradições herdadas, de filhos que seguiram os seus pais, de pais que seguiram os pais deles, de acumulação determinada pelo medo e eles tem razão. A vida oferece as premissas para isso e eu não posso refutá-los, todavia, estou situado em uma posição desvantajosa e por isso os desprezo. Desprezo a sua falta de criatividade, o seu senso de acordo, a convicção de seu parco senso do que é viver... áridos desertos, mais não é culpa do dinheiro e sim da preguiça alimentada com o leite tenebroso da família. Mas preciso da migalha deles e por isso estou aqui. O recepcionista me olha com suspeita e me mostra o elevador. O que há com esse cara? Nunca viu um escritor? Que tolice a minha, esqueci repentinamente que agora os escritores falam sobre “caminhos sagrados de Santiago Compostela” “como ficar rico sem fazer esforço” e vestem ternos bem cortados ou descontraídas blusas brancas sem estampa no calçadão de Ipanema.
Chego ao escritório no 26° andar e uma secretária linda me recebe. Peitos formidáveis. Como uma juventude sadia fazendo amor em prados verdejantes e redenção absoluta em um gozo apenas, mas ela estraga tudo me olhando com desprezo. Eu me apresento, ela me pede para sentar e eu espero tremulo pela minha sentença.
A porta se abre. Um sujeito cheio de trejeitos femininos sai da sala com um ar blasé. È isso que é ser um escritor hoje em dia? A garota chama meu nome e diz que eu posso entrar. Minhas pernas quase não respondem. Os supermercados não estão oferecendo vagas. Não tenho contatos que possam me conseguir um emprego como professor. Já não tenho idade para carregar os fardos de farelo que me permitiram alimentar a minha filhinha até os sete anos. Talvez essa seja minha ultima chance. Atrás da imensa mesa um sujeito mais redondo que eu ocupa o centro de uma sala repleta de livros enfileirados nas paredes. O cabelo grisalho meio despenteado tenta me convencer de que ele é um sujeito comprometido com a cultura, mas os vincos de sua testa insana me mostram que na verdade quais são as suas verdadeiras intenções.
- Sr, Juan Leon, Avaliamos os teus contos e devo lhe confessar que estou surpreso. São muitos bons
Eu gelo. Será que finalmente alcancei o meu lugar? Então é isso? Sim, Sim, agora percebo que tudo faz sentido. Ah! Como fui tolo duvidando, era só um experimento para burilar minha palavra, sim, sim um longo e tenebroso sonho do qual despertei agora. Mas ele não tinha terminado ainda.
-Todavia, não temos mercado para o que escreves.
O chão desaparece sob os meus sapatos, o frio toma conta de meu peito enquanto ele desfia seu rosário de observações prudentes sobre o iluminismo, a internet, auto-ajuda e os manuais. Após perceber que já não há mais solução, que eu sou antiquado e ressentido em demasia para ser assimilado eu balbucio a minha sentença interrompendo seu brilhante raciocínio.
- É que nos falta uma hecatombe nuclear.
-Como? Desculpe Sr Juan, não entendi.
- uma Hecatombe, sabe? Pessoas sendo queimadas nas ruas como papel sequinho, sabe? Brancos, negros, pobres, ricos... Todos, sem exceção. Queimado, tentando salvar suas peles sem pensar em mais nada. É o que falta para que algumas coisas tornem-se relevantes. Não que eu deseje que isso aconteça, claro, é apenas uma observação solta. Bom, tenho que ir, uma importante editora americana mandou-me uma carta dizendo que eu sou a maior descoberta literária depois de Hemingway.
Levanto da mesa do meganha e o deixo lá estupefato. Ao passar pela secretária peituda deixo escapar baixinho.
- Quando quiser chupar uma pica de verdade me telefona
Desço o elevador e a rua me recebe como uma puta louca sedenta do dinheiro que não tenho. Ela não me perdoará. Me cortará os membros e eu terminarei meus dias me arrastando com um pequeno molusco a me alimentar de excrescências. A mundo rodopia. Meu corpo cresce e encolhe como uma bola de soprar. Sento em um meio fio com a cabeça entre as pernas esperando o despertar que nunca chega, o fim da longa noite que pode não trazer alivio.
Sonhar nunca foi um anestésico desejável para os meus cancros. Terminações do inacabado e opressões simbólicas que não alimentavam minhas trincheiras com sentido. O remorso também é uma alegação vazia, um fantasma desenvolvido por professores sem competência para a vida. A dor passada e o medo de sua recorrência é que se encarnavam quando a benção da noite sem delírios não me acobertava. O dia que me esperava poderia trazer uma nova aurora, o reconhecimento contingente de outras linhas que, a semelhança destas, escrevi entre catarses contingentes de dramas revividos. Haveria a entrevista, eu talvez fosse confirmado, não havia outra possibilidade maior de sobreviver com brio, pagar as contas e talvez, quem sabe, mostrar a minha filha que o pai dela não era um completo fracassado. Mas havia o medo, havia o inevitável, havia a incerteza que sempre fiz questão de admitir. Olhei firme para o canto da casa e podia jurar que havia alguma coisa movendo-se na sombra, algo esperto, malicioso planejando a próxima jogada para esmagar-me o nobre coração. Lancei-lhe uma cusparada em desafio e saí para comprar cigarros e algum repasto atravessando a turba das vozes que se misturavam ao sol do meio dia. As pernas estavam doendo e sinceramente não sentia nenhuma disposição para ser sociável, portanto, procurei o mais vazio dos mercados. Perdi alguns minutos nesse processo e outros tantos olhando as prateleiras e pensando no que comer, sem conseguir estabelecer uma média ponderada entre o melhor prato para o meu refinado paladar e o preço acessível aos trocados que trazia no bolso da calça desgastada.
Às vezes tenho a estranha sensação de que todos estão me observando, e tentando (por algum sórdido motivo) chamar minha atenção. Uma senhora imensa, com o cabelo coberto de rolinhos de papelão parou do meu lado e começou a falar dos preços, da qualidade das mercadorias e do atendimento do mercado. Vespas gigantescas não me dariam tanto medo, invasões alienígenas não me dão tanto medo, patrões obesos e suas esposas viajando de iate em um ensolarado final de semana não me dariam tanto medo quanto pessoas que falam sozinhas. Abrigo-me no requisito que mais prezo em uma democracia, o direito A SACROSSANTA INDIFERENÇA. A mulher me olha uma, duas, três vezes, desiste e vai procurar uma outra vitima. Eu me resolvo pelo molho de tomate, macarrão e algumas lingüiças. A garota que passa as mercadorias recorre a estratégia da invisibilidade sorridente, no gesto pago meramente objetivado ela se salva da possessão alheia. Cada um quer o seu feudo, e as pessoas amáveis são as piores. O seu olhar escorre para dentro de si em um ódio calado e sorridente. Penso que o mundo seria muito mais suave, as estradas seriam mais abertas se não houvessem tantas exigências penumbrosas, tantos círculos confusos para chegar ao mesmo ponto de partida. Como nos casamentos por exemplo. Energia gasta, tesão desperdiçado automutilação inútil. E eu me ponho a pensar na minha utopia: “Senhor Juan Leon, no quesito desempenho sexual o senhor contemplou as exigências do contrato, mais nos tópicos seguridade social, previsibilidade afetiva, exclusividade corpórea e apresentabilidade social o senhor realmente não foi bem avaliado e terá de ser demitido desta relação” Simples direto e sem meias palavras. O fim do absolutismo na vida das pessoas. Tangibilidade e espaço para soluções mais rápidas. Aleluia Huxley!
Chego ao desterro pequeno e abafado do meu quarto, carregado destas palavras absurdas e destas parcas e vergonhosas compras. Os livros estão por toda parte, assim como as revistas masculinas, os rascunhos mal acabados de possíveis contos e poemas e recibos nunca pagos que me levarão para o abismo. Coloco a água do macarrão no fogo, separo as lingüiças com uma faca em pequenas rodelas e faço o mesmo com as cebolas. Frito tudo no óleo e aguardo que a água ferva enquanto ouço um Hank Wiliams colocando uma fumaça no juízo e acompanhando o Krishnamurti em sua tentativa. Nada de tentar resolver. Nada de tentar não tentar. Afinal de contas, seus infelizes, vocês vão ou não vão encarar QUAL É MESMO O PROBLEMA? Bom, muito bom. A água ferve, jogo o macarrão lá e fico misturando para evitar o grude. O satanás do macarrão. Queimem seus infelizes, cozinhem no meu fogo, derretam seus corpos esbeltos de farinha de trigo hahahaha. O macarrão chega ao ponto, lavo a massa em um encardido escorredor plástico, jogo a coisa toda no meu prato, cubro com o molho pronto comprado por trocados e laureio minha obra com as rodelas de lingüiça engorduradas. Um manjar. Coca-cola para minha ulcera e tudo está perfeito.
Acabo com a minha criação em algumas garfadas. Uma metáfora perfeita do que é viver, e só me resta terminar o trabalho soltando a massa marrom e desprezível no vaso sanitário. 15:00 horas. Aproxima-se o horário do fatídico resultado. Será Juan Leon publicado finalmente? Será o romantismo trágico refutado pela contingência desejada da democracia? Leitores para quem não traz consigo as credenciais? Eu quero ter meu pessimismo refutado e também não vou dizer que é nobre. Vou para o chuveiro e esfrego bem as partes, mas não me masturbo, poderia dar azar, é melhor não arriscar a essa altura do campeonato. Quase chego a rezar... quase. Vestido com uma puída calça jeans e uma camisa social desbotada me atiro novamente as ruas.
Após atravessar metade da cidade chego ao reluzente centro empresarial onde as rapinas de gravata decidem o destino das ratazanas estropiadas. O edifício da editora perde-se na imensidão do espaço. Uma torre inimaginável, um castelo cercado pelos fossos de tradições herdadas, de filhos que seguiram os seus pais, de pais que seguiram os pais deles, de acumulação determinada pelo medo e eles tem razão. A vida oferece as premissas para isso e eu não posso refutá-los, todavia, estou situado em uma posição desvantajosa e por isso os desprezo. Desprezo a sua falta de criatividade, o seu senso de acordo, a convicção de seu parco senso do que é viver... áridos desertos, mais não é culpa do dinheiro e sim da preguiça alimentada com o leite tenebroso da família. Mas preciso da migalha deles e por isso estou aqui. O recepcionista me olha com suspeita e me mostra o elevador. O que há com esse cara? Nunca viu um escritor? Que tolice a minha, esqueci repentinamente que agora os escritores falam sobre “caminhos sagrados de Santiago Compostela” “como ficar rico sem fazer esforço” e vestem ternos bem cortados ou descontraídas blusas brancas sem estampa no calçadão de Ipanema.
Chego ao escritório no 26° andar e uma secretária linda me recebe. Peitos formidáveis. Como uma juventude sadia fazendo amor em prados verdejantes e redenção absoluta em um gozo apenas, mas ela estraga tudo me olhando com desprezo. Eu me apresento, ela me pede para sentar e eu espero tremulo pela minha sentença.
A porta se abre. Um sujeito cheio de trejeitos femininos sai da sala com um ar blasé. È isso que é ser um escritor hoje em dia? A garota chama meu nome e diz que eu posso entrar. Minhas pernas quase não respondem. Os supermercados não estão oferecendo vagas. Não tenho contatos que possam me conseguir um emprego como professor. Já não tenho idade para carregar os fardos de farelo que me permitiram alimentar a minha filhinha até os sete anos. Talvez essa seja minha ultima chance. Atrás da imensa mesa um sujeito mais redondo que eu ocupa o centro de uma sala repleta de livros enfileirados nas paredes. O cabelo grisalho meio despenteado tenta me convencer de que ele é um sujeito comprometido com a cultura, mas os vincos de sua testa insana me mostram que na verdade quais são as suas verdadeiras intenções.
- Sr, Juan Leon, Avaliamos os teus contos e devo lhe confessar que estou surpreso. São muitos bons
Eu gelo. Será que finalmente alcancei o meu lugar? Então é isso? Sim, Sim, agora percebo que tudo faz sentido. Ah! Como fui tolo duvidando, era só um experimento para burilar minha palavra, sim, sim um longo e tenebroso sonho do qual despertei agora. Mas ele não tinha terminado ainda.
-Todavia, não temos mercado para o que escreves.
O chão desaparece sob os meus sapatos, o frio toma conta de meu peito enquanto ele desfia seu rosário de observações prudentes sobre o iluminismo, a internet, auto-ajuda e os manuais. Após perceber que já não há mais solução, que eu sou antiquado e ressentido em demasia para ser assimilado eu balbucio a minha sentença interrompendo seu brilhante raciocínio.
- É que nos falta uma hecatombe nuclear.
-Como? Desculpe Sr Juan, não entendi.
- uma Hecatombe, sabe? Pessoas sendo queimadas nas ruas como papel sequinho, sabe? Brancos, negros, pobres, ricos... Todos, sem exceção. Queimado, tentando salvar suas peles sem pensar em mais nada. É o que falta para que algumas coisas tornem-se relevantes. Não que eu deseje que isso aconteça, claro, é apenas uma observação solta. Bom, tenho que ir, uma importante editora americana mandou-me uma carta dizendo que eu sou a maior descoberta literária depois de Hemingway.
Levanto da mesa do meganha e o deixo lá estupefato. Ao passar pela secretária peituda deixo escapar baixinho.
- Quando quiser chupar uma pica de verdade me telefona
Desço o elevador e a rua me recebe como uma puta louca sedenta do dinheiro que não tenho. Ela não me perdoará. Me cortará os membros e eu terminarei meus dias me arrastando com um pequeno molusco a me alimentar de excrescências. A mundo rodopia. Meu corpo cresce e encolhe como uma bola de soprar. Sento em um meio fio com a cabeça entre as pernas esperando o despertar que nunca chega, o fim da longa noite que pode não trazer alivio.
Eu não sou um escritor !
Eu não sou um escritor. Um escritor tem um plano, uma técnica, um discurso. Um escritor tem uma visão geral de mundo que ele tenta tornar concreta através de suas palavras. Um escritor tateia, anda as cegas no mundo, esbarrando nas obrigações que ele impõe, tentando delas se esquivar porque ele sabe que tem que escrever, e algumas vezes, sabe até “o quê” ele tem que escrever. Um escritor tem uma linha estável de temas e de formas. Ele acha que encontrou a maneira mais digna e apropriada de escapar da morte que nos ronda a todos. Quem se afeiçoa a um escritor, abre um de seus livros e sabe mais ou menos o que vai encontrar. Não, eu acho que não sou um escritor, eu sou mais parecido com um lutador de boxe. Sei que as pessoas que tem na leitura um prazer ou um ideal, que suspiram e se elevam ao ter um livro diante do olhar, não gostarão dessa comparação. Sei também que algumas pessoas em geral consideram o boxe uma barbárie, uma estupidez que deveria ser abolida do cosmos. Eu também acho. Mas e o funcionário da empresa de limpeza que recolhe nosso lixo? E o policial que todo dia oferece o peito às balas? Não deveriam essas profissões serem extintas? Mas elas servem aos nossos interesses, e é isso que está em jogo ao condenar o boxe, portanto eu não condeno.
Concordo com o velho F.X. Toole quando ele disse que o boxe tem algo de contrário a natureza. Quem sobe em um ringue ao invés de fugir da dor, vai de encontro a ela. Ele avança na direção do medo, fixa as pupilas no que lhe pode destruir, balança e se move ao invés de ficar petrificado pelo horror. Concordo também com Myke Tyson. Quando sobe em um ringue, todo homem tem um plano, até levar o primeiro soco. Eu procuro não ter planos. Sigo de pé, observo o que está acontecendo e tento reagir a contento. Mantenho-me em sincronia com as imposições do agora, sobrevivo como posso e registro tudo em um limbo não pensado que vai se transformar em palavras para rebater o ataque geral das coisas. Também não tento me esquivar ao fato de que sou eu sobrevivendo como posso, berrando minha dor para suscitar aliados e forças ocultas que em mim mesmo. Se eu inspiro sei que a platéia irá me levar para frente. E se for útil para eles, tanto melhor. Seremos honestos e companheiros. Eu escrevo como quem luta, e convoco cada pessoa a viver as próprias lutas com o que escrevo. Por tudo isso eu acho que não sou um escritor, eu sou um lutador de boxe. Eu carrego a marca das pancadas e preciso olhar de frente o medo para colocar meu sangue no papel. Todo boxeador um dia cai. Todo lutador tem um adversário esperando para derruba-lo, tudo que ele pode fazer é adiar esse dia, e dar um espetáculo ao publico enquanto isso.
Meus contos falam sobre desemprego, solidão, crises conjugais, traições, morte, responsabilidade. Tento não ser doce nem repulsivo. Pretendo apenas vier meus dias e me manter desperto para não ficar imobilizado pelo medo. As vidas que relato são a minha vida refletida por mim mesmo, desdobradas em outros nomes que passaram pela minha história. Quando estou escrevendo eu só tenho a mim, e ao meu desejo de compartilhar e oferecer algo a quem está me confirmando ao ler o que eu escrevo. Eu espero estimular alguém a cantar seu próprio canto, a lutar sua própria luta: Eu sou um lutador de boxe!
Concordo com o velho F.X. Toole quando ele disse que o boxe tem algo de contrário a natureza. Quem sobe em um ringue ao invés de fugir da dor, vai de encontro a ela. Ele avança na direção do medo, fixa as pupilas no que lhe pode destruir, balança e se move ao invés de ficar petrificado pelo horror. Concordo também com Myke Tyson. Quando sobe em um ringue, todo homem tem um plano, até levar o primeiro soco. Eu procuro não ter planos. Sigo de pé, observo o que está acontecendo e tento reagir a contento. Mantenho-me em sincronia com as imposições do agora, sobrevivo como posso e registro tudo em um limbo não pensado que vai se transformar em palavras para rebater o ataque geral das coisas. Também não tento me esquivar ao fato de que sou eu sobrevivendo como posso, berrando minha dor para suscitar aliados e forças ocultas que em mim mesmo. Se eu inspiro sei que a platéia irá me levar para frente. E se for útil para eles, tanto melhor. Seremos honestos e companheiros. Eu escrevo como quem luta, e convoco cada pessoa a viver as próprias lutas com o que escrevo. Por tudo isso eu acho que não sou um escritor, eu sou um lutador de boxe. Eu carrego a marca das pancadas e preciso olhar de frente o medo para colocar meu sangue no papel. Todo boxeador um dia cai. Todo lutador tem um adversário esperando para derruba-lo, tudo que ele pode fazer é adiar esse dia, e dar um espetáculo ao publico enquanto isso.
Meus contos falam sobre desemprego, solidão, crises conjugais, traições, morte, responsabilidade. Tento não ser doce nem repulsivo. Pretendo apenas vier meus dias e me manter desperto para não ficar imobilizado pelo medo. As vidas que relato são a minha vida refletida por mim mesmo, desdobradas em outros nomes que passaram pela minha história. Quando estou escrevendo eu só tenho a mim, e ao meu desejo de compartilhar e oferecer algo a quem está me confirmando ao ler o que eu escrevo. Eu espero estimular alguém a cantar seu próprio canto, a lutar sua própria luta: Eu sou um lutador de boxe!
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Versos para meu cancro
Você pensa que foi uma vitima?
você acha que não vale a pena?
Você espera algo que não sabe o que é
e se queixa de não conseguir alcançar?
você chora?
você lamenta?
sente-se ao cair da tarde um pobre e desprezado
quase nada sob os raios indiferentes do crepuculo?
Eu tenho um cancro que supura toda noite,
ele fede, doi, é duro e terrivel...
Ele odeia as pessoas,
ele despreza a esperança,
Mas aprendeu a cantar.
E seu canto é tão doce...
E parece tão tolerante com tudo..
mas nunca deixou de ser um cancro horrendo explodindo em pus,
ele está tão exposto a tudo..
Sua carne viva apodrecida
se irritando e maldizendo até mesmo
a luz do sol.
Mas eu não tenho pena do meu cancro
você tem do seu?
você acha que não vale a pena?
Você espera algo que não sabe o que é
e se queixa de não conseguir alcançar?
você chora?
você lamenta?
sente-se ao cair da tarde um pobre e desprezado
quase nada sob os raios indiferentes do crepuculo?
Eu tenho um cancro que supura toda noite,
ele fede, doi, é duro e terrivel...
Ele odeia as pessoas,
ele despreza a esperança,
Mas aprendeu a cantar.
E seu canto é tão doce...
E parece tão tolerante com tudo..
mas nunca deixou de ser um cancro horrendo explodindo em pus,
ele está tão exposto a tudo..
Sua carne viva apodrecida
se irritando e maldizendo até mesmo
a luz do sol.
Mas eu não tenho pena do meu cancro
você tem do seu?
domingo, janeiro 18, 2009
Mêdo
As pessoas tem mêdo.
Erguem-se as baricadas e espelham-se nas multidões,
Epiderme de espuma montada sobre gravetos,
Por esse pequeno e asmatico motivo elas gritam
E gritam por esse motivo.
Atropelam-se nas exigências, retraem-se nos calabouços,
Erguem-se
No movediço.
Esperando,
Cobrando,
Vigiando,
Vingando-se com as unhas sujas
Da palavra.
Sim, as pessoas tem mêdo.
Mêdo de ser e de não ser,
Da grandeza e da pequenez
O peito exposto para o olhar subjetvo
E o ódio permante contra o que não estava lá.
Se denunciam no silêncio, estropiam pela força, revidam
De muitas formas
De muitas formas eles revidam,
Mordendo-se em bons bocados.
Em suas faces, em suas vozes, na afetação de seus sorrisos,
No resultado vaidoso de uma ponderação reticente,
Eles se mostram pra mim,
E mostram-me apenas mêdo.
Erguem-se as baricadas e espelham-se nas multidões,
Epiderme de espuma montada sobre gravetos,
Por esse pequeno e asmatico motivo elas gritam
E gritam por esse motivo.
Atropelam-se nas exigências, retraem-se nos calabouços,
Erguem-se
No movediço.
Esperando,
Cobrando,
Vigiando,
Vingando-se com as unhas sujas
Da palavra.
Sim, as pessoas tem mêdo.
Mêdo de ser e de não ser,
Da grandeza e da pequenez
O peito exposto para o olhar subjetvo
E o ódio permante contra o que não estava lá.
Se denunciam no silêncio, estropiam pela força, revidam
De muitas formas
De muitas formas eles revidam,
Mordendo-se em bons bocados.
Em suas faces, em suas vozes, na afetação de seus sorrisos,
No resultado vaidoso de uma ponderação reticente,
Eles se mostram pra mim,
E mostram-me apenas mêdo.
domingo, janeiro 11, 2009
Vamos...
Corram crianças...
lá estão os seus brinquedos.
Centopeis cerebrais de ferro, Muco artificial de enchofre,
Arame farpado para os jogos de afeto
e mêdo.
Saltem por sobre as estacas ensandecidas interminaveis
fincadas em suculentas carcaças de amanhã,
sem cuidado ou previdência,
assim foi
assim será e deve ser eternamente.
Até que os astros rolem sem centro sobre o umbigo carmico das coisas.
Crescer e utilizar machados, fertilizar antes de florir, apodrecer
pelos insetos antigos e louvaveis funerais queridos.
Aqui chegamos...
-Contradição para todos os desejos !
- Amaramento de toda viabilidade de clareza !
Trepada por obrigação, bater o ponto, um contrato, as telenovelas reforçando
toda negação humana formulada em claustros e mancomios espelhados.
Como o vale é amplo...
Uma brisa sutil percorre de ponta a ponta o caminho
daquele que se sufoca na poeira de suas cegas exigências.
O sangue coagula nas folhas por onde se arrastou
uma palavra.
E os passaros sorriem sem compreender a estupidez
de quem seguiu sobre os espinhos.
lá estão os seus brinquedos.
Centopeis cerebrais de ferro, Muco artificial de enchofre,
Arame farpado para os jogos de afeto
e mêdo.
Saltem por sobre as estacas ensandecidas interminaveis
fincadas em suculentas carcaças de amanhã,
sem cuidado ou previdência,
assim foi
assim será e deve ser eternamente.
Até que os astros rolem sem centro sobre o umbigo carmico das coisas.
Crescer e utilizar machados, fertilizar antes de florir, apodrecer
pelos insetos antigos e louvaveis funerais queridos.
Aqui chegamos...
-Contradição para todos os desejos !
- Amaramento de toda viabilidade de clareza !
Trepada por obrigação, bater o ponto, um contrato, as telenovelas reforçando
toda negação humana formulada em claustros e mancomios espelhados.
Como o vale é amplo...
Uma brisa sutil percorre de ponta a ponta o caminho
daquele que se sufoca na poeira de suas cegas exigências.
O sangue coagula nas folhas por onde se arrastou
uma palavra.
E os passaros sorriem sem compreender a estupidez
de quem seguiu sobre os espinhos.
domingo, janeiro 04, 2009
Sopros
Retornei, e estou pasmo!
Ouvi em cinco dias o rumor geral
dos seres, das rochas, das cachoeiras e
plantei em meu coração sementes de possibilidade
que agora me estrangulam todos os projetos.
Ouvi a voz do silêncio (sei que consideras isto absurdo)
E pude fluir no lento pulsar dos milênios que arrastam vivos e mortos
em seu torvelhinho.
Eu mesmo quase morri.
Eu mesmo que amaldicoei a mão da vida
agora me encontro esmagado de encontro a uma palavra
sem som.
A você que agora me escuta
A você meu amigo, minha amante, meu filho e filha
mãe, inimigo (eu sei que tenho inimigos)
sangue de minha alma e parceiro de salmos e cantigas
quero diirigir agora este breve relato:
Os homens não são arrastados pelo tempo,Suas vidas não são covas de desespero e dor somente,
Não servimos a trono algum nem existe despóta sobre nossos dias,
Somos a própria força clara e inocente que se move e quer realizar,
displicente e sem nenhuma pretensão.
Aqui estamos e seguimos,a erva segue, o capim cresce
Nós continuamos.
Estamos presentes ao espetacúlo em papeis
irrefletidos,o lavrador em sua fé na terra, o policial em sua crença no poder
da força, o intelectual em seu mundo de palavras, a garota em seus sonhos de afeto
e dor e todas as outras forças que se cruzam e se despedem como brumas multicores destinadas
ao esquecimento,
pois tudo deve ser esquecido
e essa é a nossa redenção.
Enganou-se aquele que cantou a eternidade
e a permanencia,
o designio e a premiação,
eu canto a finitude e a contigência
na qual nos abraçamos e ultrapassamos
nossas formas
e esta é uma mensagem vã
que eu achei necessario partilhar contigo.
terça-feira, dezembro 30, 2008
Inferno
Somos nós quem levantamos os muros de nosso próprio inferno. Esse muro é feito de um cimento brilhante e desejavel, que continuamos a venerar mesmo depois da parede erguida, e enquanto gritamos contra nosso tormento não percebemos que boa parte de sua estrutura é composta do mesmo material que alimenta nossos sonhos. Queremos atingir nossas metas, mas não queremos assumir a consequência de nossas metas. Queremos uma mulher peituda e bunduda mas não queremos uma mulher superficial e chata. Queremos um(a) parceiro(a) fiel e dedicado(a) mas não queremos ser objeto da possesividade de alguém. Queremos alguém que não tenha ciúme e não seja possesivo e não queremos que essa pessoa sinta-se livre para desejar outras pessoas. Absurdo. Como se os sentimentos humanos pudessem brotar da magia, do milagre, da rendição incondicional a nossos encantos. Como se todos os atos humanos não se originassem de uma mesma postura a respeito da vida. Queremos o alcool sem a ressaca, o sexo sem o cansaço, dinheiro sem trabalho, inteligência sem desgastante estudo, fidelidade sem possesividade...em sintese, a vida sem consequências. E quando as consequências se apresentam, como grandes crianças mimadas que somos, batemos o pé, damos chilique ou até ameaçamos suicidio. Queremos que a vida seja gratuita e que nossas escolhas não tenham um preço. E que as coisas que elegemos como as mais desejaveis não venham com algum tipo dissabor. Deve-se isso a nossa educação religiosa, pois a religiosidade estimula a irresponsabilidade. Estamos lançados ao mundo e a ele reagindo e quer aceitemos isso ou não, o que consideramos bom ou mal é a nossa resposta para a pergunta fundamental: "o que queremos nos tornar?"Penso que é impossivel responder a essa pergunta sem ter que pagar por ela de alguma maneira. E somos nós mesmos que iremos cobrar. Ainda não encontrei sobre a terra um só individúo que não tivesse queixas sobre seu modo de vida, e no entanto, quem mais poderia ser responsavel pela vida que levamos senão nós mesmos?
sábado, dezembro 27, 2008
Stirner
Seculos de cristianismo sedimentaram entre os individuos uma forma bem caracteristica de lidar com o mundo. A canonização dos própositos humanos em valores "transcendentais" é um dos traços dessa herança cristã. Apesar de constituir uma aréa bem especifica da filosofia, a critica dessa herança pretende ultrapassar a divisão classica entre filosofia e senso comum por questionar todas as hierarquias valorativas baseadas no que seria o valor intríseco da verdade. Para autores como o jovem Hegeliano Max Stirner o único critério para julgar o valor de uma ideia seria o interesse de quem a defende, pois as ideias assim como as demais ações humanas são modos de obter o gozo em relação ao mundo, para através desse obtermos a nossa ataraxia, nossa auto-fruição. A verdade, segundo essa descrição, seria apenas um fantasma, que veneramos quando esqueçemos que a origem das ideias é o nosso interesse. Em breve irei publicar outros pequenos artigos sobre o Stirner. Segue abaixo o link para baixar alguns livros dele.
http://www.4shared.com/network/search.jsp?searchName=stirner&searchExtention=&searchmode=2
sábado, dezembro 20, 2008
Os termos nos quais colocamos a coisas que consideramos uteis são os mais diversos. Ser pragmatico em um certo sentido não exlui o idealismo, pois há problemas para os quais a solução pode depender de uma certa atitude de desdém em relação ao mundo. Entre as literaturas do "ressentimento" a que considero mais bem sucedida é a de Albino Forjaz, "Palavras cinicas" a segunda é a de Matias Aires, " Reflexão sobre a vaidade dos homens" e Omar Khaiam " O Rubayat" os 3 dão os mesmos choques elétricos do cristianismo sen o ônus da falta de inteligência e da fé. Seguem os inks para baixa-los.
Matias aires
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=38089
Albino Forjaz
http://recantodasletras.uol.com.br/arquivos/770482.pdf
Omar Khayam
http://www.4shared.com/file/18375091/b1019df/rubayat.html
Matias aires
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=38089
Albino Forjaz
http://recantodasletras.uol.com.br/arquivos/770482.pdf
Omar Khayam
http://www.4shared.com/file/18375091/b1019df/rubayat.html
quinta-feira, dezembro 18, 2008
Condição severa.
O sopro está no centro de si
tem sua parte de espaço
e o movimento cego que corta.
A carne do tempo é opaca,
Assinalada pelo laço
inevitavel das perseguições,
dos diabos confusos,
da peste isolada,
a carcumência celebrando
em meio a castelos deserdados e setas anteriores fendendo
nossos dias de trabalho
planejamento
e sede.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Buterfly
Não escrevam.
Coletem as impressões gerais
e reguem as paginas das dor
com gestos.
Não escrevam
principalmente poesia
se não encontrarem na estrada
para a confiança
desespero, dor, loucura, fome
e uma borboleta transparente
assobiando ao sol nascente.
Poupem-se das horas gastas
sob pensamentos vastos.
Ganhem dinheiro, casem,vão aos estadios lotados, as igrejas lotadas
as praças lotadas
pela ampla estrada do sucesso a qualquer custo.
Mas não escrevam...
Preservem a unica dignidadeque lhes é possivel.
Coletem as impressões gerais
e reguem as paginas das dor
com gestos.
Não escrevam
principalmente poesia
se não encontrarem na estrada
para a confiança
desespero, dor, loucura, fome
e uma borboleta transparente
assobiando ao sol nascente.
Poupem-se das horas gastas
sob pensamentos vastos.
Ganhem dinheiro, casem,vão aos estadios lotados, as igrejas lotadas
as praças lotadas
pela ampla estrada do sucesso a qualquer custo.
Mas não escrevam...
Preservem a unica dignidadeque lhes é possivel.
domingo, dezembro 14, 2008
Talvez ela considere ofensivo, mas tinha uma linda xota. Alta, popuda e deliciosa quando sorvida. Conquistada sem muitos esforços, mantida sem muitas crises, cumplice das transgressões e do "deliriuns canabiens". Gostava de meter e depois fumar um ouvindo essas coisas ultrapassadas que rapazes carcumidos como eu veneram. Um Dylan (one more cup, oh sister) e aquela fome partilhada no embate corajoso do ataque quente e da recepção macia. Sim, sim e sim.Sexo é simples. Carne é simples. E as nossas almas precisam de pouco mais do que espaço e coragem. Eramos dois univeros isolados se mesclando em meios a uma tempestade de metidas, gemidos, chupões, catarses e...repouso. Repouso necessário para seguir em frente, repouso indispensavel para ter clareza e vislumbrar a face radiante...do vazio
sexta-feira, dezembro 12, 2008
Flama
Quero-te devastadamamente
com um sopro inflamado
e um mel de estrelas.
Quero-te com a ingenuidade da hortelã
pisada pelas geadas
e pelo temor do amanhã.
Quero-te errado
vagabundo,
cético
e totalmente dobrado
pela tua disciplina,
pela tua dobra de corpo,
pelo teu reino de dor.Quero-te incerto,
sem um amanhã
para a louca tempestade que arrasta os meus cansaços
em direção aos teus desejos.
post scrap cancel
com um sopro inflamado
e um mel de estrelas.
Quero-te com a ingenuidade da hortelã
pisada pelas geadas
e pelo temor do amanhã.
Quero-te errado
vagabundo,
cético
e totalmente dobrado
pela tua disciplina,
pela tua dobra de corpo,
pelo teu reino de dor.Quero-te incerto,
sem um amanhã
para a louca tempestade que arrasta os meus cansaços
em direção aos teus desejos.
post scrap cancel
segunda-feira, dezembro 08, 2008
A fofoca e a filosofia
Ainda mantemos como herança de nossos avós o hábito de comparar nossos destinos. Isso deve-se, creio, ao fato de algumas pessoas só conseguirem levar a vida adiante se acreditarem de alguma maneira que são melhores que as outras. Ainda que o que aqui eu chamo de "melhor" possa ter diversas aplicações, é no entanto um fato notório presente tanto nas fofocas das velhas comadres, na auto-promoção dos playboys através das suas façanhas sexuais ou mesmo no orgulho daqueles que acreditam-se mais fortes ou mais "realistas"que os outros. Não creio também que esse tipo de hábito seja um "mal" por si mesmo, é apenas mais uma opção entre tantas, mas que sempre vem recoberta de uma aura de superioridade que envolve quem o assume. Pode ser caricato visto de perto, ou pode ser muito útil quando se é um completo fracassado diante das próprias metas que sem essa crênça já teria estourado os próprios miólos(ou os alheios). Algumas religiões tem o mesmo efeito. Eu prefiro optar pelo que Richard Rorty chama de uma concepção Darwiniana do conhecimento. PAra tal concepção qualquer ideia ou postura visa unica e exclusivamente o bem estar de quem a sustenta. Logo, não existem ideias ou comportamentos melhores uns que os outros, todos atendem a necessidades pessoais que variam de um individúo para o outro. Nessse sentido, a "fofoca existencial" essa que tenta impor aos outros as próprias preferências seria apenas uma "hiperbole", um desejo de anular a vida privada alheia, submetendo-a a uma concepção pessoal de como o mundo deveria ser. Portanto, você que perdeu seu tempo lendo essas linhas, poupe-se de chamar o que eu escrevo de "ressentimento" ou "apologia do fracasso", há muito tempo parei de dar ouvido as comadres.
domingo, dezembro 07, 2008
Eu nasci nisto
Eles não poderão
alcançar.
Os seus dedos famintos e cansados
e o olhar de medo impedirão aquele gesto.,
Eles só terão explicações..
como foram fortes,
como resolveram tudo aquilo,
qual a medida exata,
E cada polegada de sucesso
ou heroismo.
E então
No tempo certo toda merda acumulada
irá jorrar dos abismos qual imensa tempestade.
Nesse exato instante
e a partir desse momento
Haverá espaço entre as trincheiras
para a vida plena.
O pequeno gesto que eles não irão lograr
é o aceno diário,
e o cumprimento leve
que lançamos ao horror.
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Natalícia de Aragorn
Ficando mais velho. O cancro dos dias cada vez mais exposto, as chances cada vez menores, a corda apertando em torno do pescoço. Os momentos doces ficando cada vez mais caros. Talvez existam redenções e fugas, sucessos e vitórias, reconhecimento e admissão...mas ainda não descobri como. Sempre um mal entendido, uma nova prestação a pagar um esbarrão com o incerto. Ficando mais velho. Sem o atenuante do aproveitamento do passado nem a compensação da vitória a qulaquer custo. Mas, de uma coisa tenho certeza...a escuridão não me levará a rastejar. Não irei pedir clemência diante dos tribunais, nem implorar por misericórdia. A armadilha foi muito bem montada, reconheço, mas não vou cair com preces ou salmos entre os lábios. QUe venha a escuridão, que venha o desespero, não cheguei até aqui para desistir do estandarte vermelho que carrego. Eles estão em maior numero, eles tem o gado, os pastos, rios, mulheres e a força. Eu tenho a mim. Essa clareira há de sustentar o meu conflito.
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Um dia nada bom..
Não sei o que é bom nem ruim para os outros, mas apenas para mim. Todavia, gosto de especular. Naõ sei os motivos das ações dos outros. Não sei o que leva um sujeito que nunca cortou definitavemente o cordão umbilical a se achar o "FODÃO". Também não sei o que leva uma senhora a acreditar que tem direitos de propriedade sobre alguém somente porque lhe cedeu alguns doces momentos de partilha corporal. Não sei...Mas gosto de especular, e isso me parece muitas vezes perigoso, porque não sei o motivo pelo qual eu o faço. Mas especulo que a minha especulação pretende me fazer sentir superior a quem não o faz. Mais uma estrategia sórdida entre tantas. Cada um se defende com o que tem. A verdade é o canivete mais usado para roubar a simpatia que não conseguimos conquistar. Cada um está só. As pessoas são frageis e envelheçem, a morte é o de menos. Temos mêdo uns dos outros e de não termos uns aos outros para termos mêdo. Queremos uns aos outros e não queremos que nos queiram de determinada forma. Complicado. É, hoje de fato não foi um dia bom.....
domingo, novembro 30, 2008
O passo e o abismo.
A diferença entre nós dois
não é uma questão de escolha.
A diferença entre nós dois é a diferença
entre o expurgo e a chegada,
entre o acolhimento
e a rotulação de estorvo sobre a testa.
Um cortina rasgada de esperança
em berço maculado de desdém,
a absoluta desertificaçãodo afeto...
Um laço claro entre a consumação da vida
e a procura do caminho a seguir.
Uma certa dose de tolice...
A diferença entre nós,
é a diferença entre ter se perdido
caminhando as cegas
e não conseguir impor o padrão herdado
ao mundo.
A diferença entre nós é a diferença
entre a absoluta falta de laços
com as pessoas
e o ninho confuso e quente que gerou
teus pesadelos.
A diferença entre um nada livremente atormentado
e as correntes que arrastas e lhe fazem sentir
a segurança.
Um vazio imenso aos domingos....
A necessidade de fingir que tem amigos...
sábado, novembro 29, 2008
quarta-feira, novembro 26, 2008
Memorial dos redimidos ( para Orlando)
Todo fracassado sonha em sair da lama
e teme retornar para lá.
Uma casa bem grande,
Um quarto arejado,
"Porra onde estão meus óculos especiais?"
"Hoje iremos com a ferrari, mercedes é para perdedores !"
Uma mulherzinha doce e sensata
Para ouvir juan baez
enquanto ele lê Henry Miller
e acha que se deu bem.
Todo fracassado tem Brio
e memória,
e sabe que as coisas ruins
não tem redenção,
e sabe que as coisas boas
tem que ser disputadas a tapa
tiro,
sangue,
e dor...
Flores indescritiveis
em meio a devastação.
e teme retornar para lá.
Uma casa bem grande,
Um quarto arejado,
"Porra onde estão meus óculos especiais?"
"Hoje iremos com a ferrari, mercedes é para perdedores !"
Uma mulherzinha doce e sensata
Para ouvir juan baez
enquanto ele lê Henry Miller
e acha que se deu bem.
Todo fracassado tem Brio
e memória,
e sabe que as coisas ruins
não tem redenção,
e sabe que as coisas boas
tem que ser disputadas a tapa
tiro,
sangue,
e dor...
Flores indescritiveis
em meio a devastação.
sexta-feira, novembro 21, 2008
Bosque secreto.
Amo quando vens para mim,
sem nada pedir, inteira dada.
Teu corpo rijo e sincero,
sedento e fresco,
oculto e meu.
Querendo o que me destroi
Ansiando pela visita severa
que entra e se vai como um sopro
inflamado.
Levo teu nome na lingua
Carrego na boca teu gosto
Sou filho dessa floresta
marcado por essa chaga
Bosque secreto da agua da vida
descemos ao poço,
meu bem,
para encontrar a saida.
sem nada pedir, inteira dada.
Teu corpo rijo e sincero,
sedento e fresco,
oculto e meu.
Querendo o que me destroi
Ansiando pela visita severa
que entra e se vai como um sopro
inflamado.
Levo teu nome na lingua
Carrego na boca teu gosto
Sou filho dessa floresta
marcado por essa chaga
Bosque secreto da agua da vida
descemos ao poço,
meu bem,
para encontrar a saida.
quinta-feira, novembro 20, 2008
Ramo
Guardo muitas coisas no quintal
Cacos estilhaçados e noites irrefletidas
Fotos de nossa senhora com saltos altos
e alguns comprimidos velhos de
voluntário desperdicio.
Todavia separo semafóros e sentenças
das pontas imberbes de grama sedenta,
acalentando com irresponsavel cuidado
um amor que se sustenta
de dores.
Mas percebi uma nuvem...
todavia, me afligiu um preságio...
e vi no olhar que me vê
um brilho despedaçado.
Ela não crê no alto
Ela não eleva uma preçe
Ela não comunga do esquecimento comum
que sustenta a multidão
Ela tem a pele brilhante como a petala
banhada no orvalho da imensidão
E tece seus dias desfiando questões e projetos
enquanto ergue os ramos para sustentar
a palavra.
contabilizando as sensações,
Eu diria que ela está do um outro lado
e que merece a felicidade
sem as pessoas no caminho.
Deni, esse poema é para você.
Cacos estilhaçados e noites irrefletidas
Fotos de nossa senhora com saltos altos
e alguns comprimidos velhos de
voluntário desperdicio.
Todavia separo semafóros e sentenças
das pontas imberbes de grama sedenta,
acalentando com irresponsavel cuidado
um amor que se sustenta
de dores.
Mas percebi uma nuvem...
todavia, me afligiu um preságio...
e vi no olhar que me vê
um brilho despedaçado.
Ela não crê no alto
Ela não eleva uma preçe
Ela não comunga do esquecimento comum
que sustenta a multidão
Ela tem a pele brilhante como a petala
banhada no orvalho da imensidão
E tece seus dias desfiando questões e projetos
enquanto ergue os ramos para sustentar
a palavra.
contabilizando as sensações,
Eu diria que ela está do um outro lado
e que merece a felicidade
sem as pessoas no caminho.
Deni, esse poema é para você.
segunda-feira, novembro 17, 2008
Considerções sobre o Boxe e a verdade.
Uma das frases mais razoaveis que já vi alguém pronunciar não foi dita por um filosófo nem por um santo, foi dita por um Boxeador com psicose maniaco depressiva e campeão do mundo: Mike Tyson. Questionado sobre a melhor estratégia para ganhar uma luta ele respondeu "quando sobe no ringue todo homem acha que tem um plano, até receber o primeiro soco".
Acho essa frase fenomenal, e apesar do velho Mike ter sido arrastado pelos próprios dêmonios, ela mostra quantas lições uma vida dificil pode ensinar. O motivo do meu apreço por tal sentença é simples: todo mundo tem suas certezas, e acha que não vai modoficá-las de forma alguma! certezas sobre o que é bom e mal, verdadeiro e falso, desejavel e odioso, até tomar o primeiro soco.
A única forma de manter-se toda vida com as mesma convicções, estratégias de como se sair bem de um jogo ruim, é ser preservado do ringue, coisa que muitas pessoas conseguem através da proteção conferida pela familia, pela sorte ou pela doença. Quem está vivo e fora dos muros erguidos pelo passado inevitavelmente tomará alguns socos e terá que rever seus planos, ou então beijar a lona e esperar o paraiso.
Veja, as ruas estão cheias de caras que acreditam poder enfrentar o mundo inteiro apenas com a sua revolta. Tendo nascido nas periferias e se alimentado do caldo do ressentimento que ensina que somente a "atitude" e a esperteza são suficientes para um homem se dar bem na vida esse caras terminam estampados nas paginas policiais ou se acomodando entre a escravidão, a igreja e o futebol.
Tem os religiosos , mas essses basta olha-los um pouco para rapidamente darmo-nos conta da verdadeira natureza dessa opção.
Mas no final das contas uma coisa é razoavel pontuar, também não existe nenhuma certeza de que não ter estratégias é a melhor politica.
A única coisa que se pode saber é que nossas crênças são tecidas com a teia da história de cada um, e podem e devem ser mudadas quando não satisfazem aquilo para que se destinam: a capacidade de esquivar-se dos socos da vida.
sábado, novembro 01, 2008
Advertência aos que tem brio
Max stirner me ligou
ontem a noite,
cansado e com sono
foi um dia difícil na zeladoriado hospício.
Sua voz estava cansada e caia
uma chuva de cachorros mortos
na rua.
“Acho que uma mosca me picou”
Ele falou
“Elas vivem me mordendo também”
Respondi
“Não consegui pagar minhas dividas,
Fui em cana,
minha mulher me deixou,
E como falei tudo aquilo,
também não encontro trabalho”
Ficamos os dois em silêncio.
A linha clara da convicção já havia ligado
os caminhos,
não podia ser diferente,
não tínhamos essa certeza também
“É isso ai”
Eu falei “
É isso ai”
Ele respondeu
Disse ainda qualquer coisa sobre um copo de vinho algum dia
e se despediu.
Eu voltei para meus cigarros psicotrópicos,
Meu site pornô,
Meu blues e meu country...
E antes de apagar minhas luzes
uma pétala de flor colorida pousou
sobre minha credencial para a vida.
ontem a noite,
cansado e com sono
foi um dia difícil na zeladoriado hospício.
Sua voz estava cansada e caia
uma chuva de cachorros mortos
na rua.
“Acho que uma mosca me picou”
Ele falou
“Elas vivem me mordendo também”
Respondi
“Não consegui pagar minhas dividas,
Fui em cana,
minha mulher me deixou,
E como falei tudo aquilo,
também não encontro trabalho”
Ficamos os dois em silêncio.
A linha clara da convicção já havia ligado
os caminhos,
não podia ser diferente,
não tínhamos essa certeza também
“É isso ai”
Eu falei “
É isso ai”
Ele respondeu
Disse ainda qualquer coisa sobre um copo de vinho algum dia
e se despediu.
Eu voltei para meus cigarros psicotrópicos,
Meu site pornô,
Meu blues e meu country...
E antes de apagar minhas luzes
uma pétala de flor colorida pousou
sobre minha credencial para a vida.
quinta-feira, outubro 30, 2008
Notas sobre a valentia
Tudo se resume para alguns
A estar indignado.
E para outros
A ter um membro entre as pernas.
Mas indignação, membro, herança
Ou qualquer outro predicado
passivo
Não constituem mérito algum.
E fique claro,
Flores que crescem no vale
Não erguem barricadas de chumbo
O porco esfolado que grita
E a rasa virilidade que fere
A estar indignado.
E para outros
A ter um membro entre as pernas.
Mas indignação, membro, herança
Ou qualquer outro predicado
passivo
Não constituem mérito algum.
E fique claro,
Flores que crescem no vale
Não erguem barricadas de chumbo
O porco esfolado que grita
E a rasa virilidade que fere
Estão de mãos dadas na sombra.
Uma audiência
A entrevista foi marcada para as oito, porém chego mais cedo, com o específico propósito de impressionar pela pontualidade. Tolice, ninguém percebe nem mesmo a secretária loura de óculos e decote violento, gostosa demais para ser interessante, do tipo que não goza, pede o extrato bancário para saber o que dizer depois da transa.Alguns caras chegam depois de mim para o teste, uns dez e todos com caras horríveis e gestos de exagerado cuidado ou descontração forçada. Cada vez que meu olhar se cruza com o de algum deles procuro desviar rápido, evito assim uma interlocução indesejada feita de representação e senso comum. O que teria eu para falar com esses caras? Devem ter esposa chata que reclama por causa do copo fora do lugar e pede separação todo domingo à noite, amigos que os convidam para a pelada de final de tarde e cervejinha barulhenta em pocilga de esquina ou pastor evangélico para vender paz de espírito e auto - estima. Não, conheço bem esses mal entendidos sociais, além de muito desagradáveis não acrescentam nada nem a eles nem a mim “ cada macaco no seu galho” filosofa a sabedoria popular com muita propriedade.É curioso perceber como essas pessoas facilmente se aproximam uma das outras, após alguns minutos várias linhas de conversação foram estabelecidas. Depois de uma hora parecem grandes amigos, se ficassem mais uma hora acabariam marcando um churrasco entre suas famílias e apenas eu e a loura gostosa não seríamos convidados, ela pelo orgulho de seus dotes físicos e eu pela minha chatice silenciosa. A porta se abre e uma outra mulher, também linda, sai e fala algo com a loura tão baixo que não consigo ouvir. Todos se calam e ficam esperando começar o chamado para a entrevista. Eu sou o primeiro e ao ouvir meu nome levanto-me e tenho a impressão de que todos os olhares estão sobre mim, caminho até a porta e antes de empurrá-la respiro fundo quase chego a desejar que Deus me ajude. Meu desespero, todavia não chega a esse ponto.A sala é sobriamente decorada e sentada na mesa a linda (por que só existem mulheres bonitas em agências de emprego?) de cabelo preso em rabo- de- cavalo escreve algo, ou finge que escreve:- Com licença.- Entre e sente-se, Sr. Leon.Com todo cuidado eu puxo a cadeira e sento, tentando demonstrar tranqüilidade e esconder o que sinto a respeito de toda sua fingida cordialidade.- Você é casado?- Separado.- Tem filhos?- uma filha de quatro anos – A cada pergunta respondida ela baixa a cabeça e escreve algo; como adivinhar o que ela quer ouvir? Afinal de contas ninguém está interessado em verdades, numa agência de empregos, aqui o que importa é ser aceito ou rejeitado para o jogo de ratos, e eles fazem as regras.- O que você espera desse emprego, Sr. Leon?Que raio de pergunta é essa? Espero conseguir me alimentar dar a despesa de minha filha, pagar o aluguel e talvez tomar um vinho e fumar uns cigarros. Sei porém o que ela quer ouvir.- Ora, o que todo mundo quer, um salário.- Disso nós sabemos Sr. Leon, o que não sabemos é o que você espera que a empresa faça por você: ela sorri complacente e gesticula num gesto amplo como se espalhasse pétalas de flores, nesse exato momento minha cabeça começa a rodar. Preciso do maldito trabalho, a pequena precisa, mas preciso também não perder a noção de quem sou, se isso acontecer já era sanidade... Tenho que encontrar um meio termo.- Olhe senhorita, sou experiente em diversas ocupações, domino bem a linguagem e não tenho medo de trabalho pesado, isso é o que tenho a oferecer, agora acredito que o que a empresa pode fazer por mim é me pagar pelo meu trabalho.- Mas e seu desenvolvimento pessoal, crescimento profissional, promoções, carreira. A respeito de sua realização, você acha que a empresa pode ajudá-lo a atingir isso? – Ela me olha nos olhos sorrindo, eu levanto a cabeça respiro fundo e digo:- Acho que não senhora, essas coisas pretendo atingir sozinho, isto é, na suposição de que sejam atingíveis.A entrevista continua, ela faz outras perguntas e continua fazendo suas misteriosas anotações, mas o tom de sua voz muda e eu percebo que já não sou mais uma possibilidade. Ela emite alguns comentários sobre a vaga e o salário, com um certo desdém, e no final repete o conhecido adágio “não se preocupe, nós lhe ligamos” e me manda porta afora. Fim de jogo, não sou aproveitável por não estar dobrado o bastante para caber no bolso do patrão. Sem ganchos(será?) nas costas e sem dinheiro para o aluguel e para a desepesa da pequena. Na áfrica nesse exato momento crianças são devoradas por abutres, alguém está descendo de um helicóptero que custa alguns milhares de dólares em Malibu ao LADO DE UMA LOIRA PEITUDA, e tudo parece muito estúpido. Um imenso acidente, sem importância mesmo. Do outro lado da rua um sujeito em trapos caga de´spreocupadamente sob o olhar estupefato de respeitaveis cidadões. Arvores secas e sem gritos, ereções involuntarias e sem gesto, Minha hemorroida que começa a doer...onde estão os brigadeiros? sorrisos inefaveis? solidões desconhecidas pela minha rota errada? pelo meu bastão de fogo? As crianças sendo torturadas? maniácos na condução das coisas? e tudo andando como deveria desde o inicio especulado e o controle imovel que não há. Aumento minha compreensão dos mecanismos, acendo aquele cigarro já citado, entro no ônibus e a vida me refuta.
domingo, outubro 26, 2008
Armadilha para Jonas.
Viveu o velho Jonatas uma vida veneravel. Criou os seus filhos da melhor maneira que lhe foi possivel, o que não evitou que um entrasse para ocrime e que a filha mais nova engravidasse de um adolescente malandro e preguiçoso, como muitos que se pode encontrar pelas periferias. O velho Jonatas, ao contrário da maioria dos homens nascidos e criados na favela, nunca procurou ostentar as suas parcas conquistas aos olhos dos vizinhos, e ao contrário de sua mulher nunca se importou muito com o estes pensavam sobre a sua vida. Foi seguindo seu curso de vida muito mais por inercia do que por qualquer tipo de “virtude” (se é que isso existe”) e se viu aos sessenta anos completamente enroscado em uma constragedora situação. A questão é que sua filha precocemente “amaziada” com o vagabundo do seu genro sempre trazia algumas amigas para assitir televisão em sua casa, e como não quizessem criar confronto Jonas e a Mulher não colocaram objeção. Ora, tinha Jonas a impecavel reputação de grande pai de familia, cuja renuncia a uma vida de festas e aventuras teria garantido, por exemplo, que o filho mais velho se formasse Médico e que sua mulher fosse uma especie de simbolo da realização feminina
-olha a constância
diziam os vizinhos ao ver a mulher de Jonas passar com a sacola do pão, altiva e segura
- Isso é que é uma mulher feliz
Foi nesse contexto que Jonas se viu um dia bolinando a amiga da filha por debaixo da mesa onde tomavam café. Era uma Negra linda a clariça. Peitos arrebitados, bunda rechonchuda e um pé de umbigo que provocava dores fortes no peito carcumido do velho Jonas, e ele não segurou a onda. A menina gostou do joguinho. É claro que Jonas sabia que aquilo não era certo. A garota além de ser menor de idade poderia ser sua filha, ou neta. Mas nada disso alterou o curso dos fatos e uma noite, após todos terem ido dormir Jonas foi pé ante pé, ofegante como um porco prestes a ser abatido até chegar ao quarto de hospedes onde dormia a Clariça. A menina bancou que estava dormindo e Jonas sabia que aquilo era parte do jogo não se fazendo de rogado. Levantou a coberta e viu na meia luz aquela bundinha arrebitada desenhada pelo minúsculo short. Tirou a camisa dela e viu os peitos. Duros, com os bicos amarronzados em posição de alerta. Jonas ofegava quase perdendo o folêgo, e ainda nem tinha metido. Tirou o Short da menina , que ainda fingia dormir, e em seguida liberou a pica latejante com a enorme cabeçorra vermelha. A garota tremeu de olhos fechados como se soubesse o que iria acontecer. Jonas colocou a ponta na entrada e foi metendo devagar. A menina convulsionava e tremia, Jonas aumentou o ritmo e enfiou tudo. Ainda de olhos fechados clariça gemeu baixinho:
- Ai ! seu Jonas
Jonas continuou indo bem fundo, na hora exata de gozar tentou tirar a ferramenta para não correr o risco de engravida-la, mais clariça nesse exato momento abriu os olhos e com um risinho satânico exclamou:
- Acha que vai fugir de dentro de mim assim “seu Jonas”.
Naquele instante Jonas compreendeu tudo, e descobriu que estava perdido.
-olha a constância
diziam os vizinhos ao ver a mulher de Jonas passar com a sacola do pão, altiva e segura
- Isso é que é uma mulher feliz
Foi nesse contexto que Jonas se viu um dia bolinando a amiga da filha por debaixo da mesa onde tomavam café. Era uma Negra linda a clariça. Peitos arrebitados, bunda rechonchuda e um pé de umbigo que provocava dores fortes no peito carcumido do velho Jonas, e ele não segurou a onda. A menina gostou do joguinho. É claro que Jonas sabia que aquilo não era certo. A garota além de ser menor de idade poderia ser sua filha, ou neta. Mas nada disso alterou o curso dos fatos e uma noite, após todos terem ido dormir Jonas foi pé ante pé, ofegante como um porco prestes a ser abatido até chegar ao quarto de hospedes onde dormia a Clariça. A menina bancou que estava dormindo e Jonas sabia que aquilo era parte do jogo não se fazendo de rogado. Levantou a coberta e viu na meia luz aquela bundinha arrebitada desenhada pelo minúsculo short. Tirou a camisa dela e viu os peitos. Duros, com os bicos amarronzados em posição de alerta. Jonas ofegava quase perdendo o folêgo, e ainda nem tinha metido. Tirou o Short da menina , que ainda fingia dormir, e em seguida liberou a pica latejante com a enorme cabeçorra vermelha. A garota tremeu de olhos fechados como se soubesse o que iria acontecer. Jonas colocou a ponta na entrada e foi metendo devagar. A menina convulsionava e tremia, Jonas aumentou o ritmo e enfiou tudo. Ainda de olhos fechados clariça gemeu baixinho:
- Ai ! seu Jonas
Jonas continuou indo bem fundo, na hora exata de gozar tentou tirar a ferramenta para não correr o risco de engravida-la, mais clariça nesse exato momento abriu os olhos e com um risinho satânico exclamou:
- Acha que vai fugir de dentro de mim assim “seu Jonas”.
Naquele instante Jonas compreendeu tudo, e descobriu que estava perdido.
Afeto Romântico e Afeto Reacionário
Era muito comum no século XIX que os filósofos, literatos e sociólogos se debruçassem sobre os hábitos e idiossincrasias sociais de seu tempo com o propósito (implícito ou explicito) de exercer sobre as peculiaridades do comportamento de seus contemporâneos alguma influência. O tipo de sociedade que sucedeu a do século XIX condenou ao ostracismo das tribunas das igrejas e a marginalidade dos folhetins sensacionalistas o tipo de juízo que moveu a política e a vida privada de nossos antepassados. Pessoas como Nelson Rodrigues, profundamente comprometidas com o projeto de “descaracterizar” a moralidade burguesa, ou escritores de auto-ajuda como o Roberto Shiashiki, muito mais bem sucedidos nas vendas, que reproduzem narrativas medievalescas de afetividade fundada na fidelidade, casamento, renúncia e etc. fundam-se nessa tradição demasiado recente para nós Brasileiros. Em um determinado momento senti a necessidade de escrever sobre a polaridade ambígua desses dois partidos, o dos conservadores, que procuram adaptar o ritmo frenético do nosso modo de vida as velhas e não tão bem sucedidas expectativas sobre como se deve ou não se deve amar, e o partido dos românticos que há mais de um século seguem gritando que o prazer imediato e contingente deve necessariamente submeter à estabilidade da vida familiar.
No sentido de realizar o experimento pós moderno de submeter alguns dos nossos há bitos e costumes a uma forma de atitude comunicativa semelhante a que intelectuais dos dois partidos realizaram, irei dividir essas “inquirições sobre a cultura” em dois grupos: Investigações Românticas e investigações Reacionárias. As investigações românticas partem de um pressuposto comum, que é: A singularidade, a espontaneidade das supostas “pulsões” e “instintos” são melhores que o calculo e a certeza “burguesa” e constituem, ambas, o fundamento do valor dos indivíduos. As investigações (ou melhor, dizendo, as afirmações) reacionárias por outro lado se baseiam-se no pressuposto Cristão de que o indivíduo possui uma “essência” estável a qual nós nos afeiçoamos, portanto, se ocorrem mudanças no comportamento dessas pessoas que comprometem nossos pressupostos afetivos isso constituiria conseqüentemente um dolo, não só para nós que somos “traídos” por alguém que nos mostrou uma “falsa essência”, mas principalmente para o próprio traidor que será inevitavelmente “castigado pelo futuro”.
Essas duas posições, inseridas ambas em nossa cultura e componentes presentes em qualquer diálogo sobre afeto, felicidade e relação constituem heranças e paradigmas que norteiam a forma como as pessoas se descrevem a si mesmas e aos outros indivíduos. Ambas as descrições advogam a posse da “verdade” sobre as “reais necessidades” de homens e mulheres, e são, via de regra, nexos onde a vida publica e a vida privada se encontram muito próximas. O vocabulário que utilizamos para nortear nossas ações, mantendo algum grau de coesão e eficiência, na relação com outras pessoas e o vocabulário que utilizamos para firmar nessa relação os critérios para nossa satisfação ou insatisfação estão estranhamente próximos em questões afetivas e sexuais. Kafka disse certa vez que “A mulher é a ponte para o mundo”, ignorando o conteúdo relativamente machista dessa afirmação, podemos dizer que ela reflete exatamente a compreensão Nelson Rodriaguiana do ciúme e da moralidade como meros reflexos de nosso adestramento social. O outro, segundo essas duas visões, nos conduz ao mundo social e público, a felicidade comunal (diriam os reacionários) e a suas cobranças por adequação (diriam os românticos) e sua conseqüente contradição com nossos instintos “verdadeiros”.
Como habitante de uma cidade grande da America do sul profundamente inclinado, pela minha educação catolico-cristã, a monogamia e ao mesmo tempo como intelectual que aprecia a contribuição da história e tende a achar que a fidelidade, ainda que ocorrendo em um lugar ou outro, nunca chegou a constituir a regra do comportamento sexual humano eu sugeriria que sua exigência a priori e sagrada representa uma forma inadequada de sincronizar o comportamento privado e o publico. Em contrapartida a essas duas partes de minha formação eu ofereceria uma postura não fundamentalista em relação ao afeto, como tenho sugerido em relação a outras questões. Por fidelidade eu substituiria a palavra “regularidade afetiva” e por infidelidade eu colocaria e expressão “variação de comportamento sexual”, tal substituição permitiria algum ganho no campo da liberação de “enemas” afetivos da mesma forma que a palavra “erro” representa um extraordinário ganho em relação à palavra que a antecedeu “pecado”, um ganho que aumenta incomensuravelmente quando substituímos ambas pela palavra “diferença”.
Com essas mudanças poderíamos, quiçá, eliminar tanto a intolerância romântica quanto a reacionária, assumindo em relação ao afeto uma postura democrática e falibilista que não inviabilizaria a consumação nem das relações estaveis nem dos projetos afetivos que priorizam as experiências contingentes. Se a cultura prosseguir no movimento que tem adotado nos últimos três séculos creio ser inevitável que algum arranho semelhante ao que sugeri ocorra. As pessoas tem se inclinado, em minha opinião a descreverem-se de forma cada vez menos vinculada a juízos morais religiosos e homogeneizantes e a sociedade tem prosseguido desde o século XVII afrouxando cada vez mais os laços que costumavam ligar as opções privadas e a aceitação publica. Esvaziado o conteúdo religioso das uniões sexo-afetivas o que restaria do vocabulário no interior do qual a palavra fidelidade tem algum sentido? Veríamos então os sentimentos com estados contingentes e a convivência com um (a) parceiro (a) como algo não menos contingente, resultado das diversas forças, escolhas, atividades e opiniões que compõe a individualidade de cada um e não como uma escolha refletida por um “alguém” em detrimento de outros.
No sentido de realizar o experimento pós moderno de submeter alguns dos nossos há bitos e costumes a uma forma de atitude comunicativa semelhante a que intelectuais dos dois partidos realizaram, irei dividir essas “inquirições sobre a cultura” em dois grupos: Investigações Românticas e investigações Reacionárias. As investigações românticas partem de um pressuposto comum, que é: A singularidade, a espontaneidade das supostas “pulsões” e “instintos” são melhores que o calculo e a certeza “burguesa” e constituem, ambas, o fundamento do valor dos indivíduos. As investigações (ou melhor, dizendo, as afirmações) reacionárias por outro lado se baseiam-se no pressuposto Cristão de que o indivíduo possui uma “essência” estável a qual nós nos afeiçoamos, portanto, se ocorrem mudanças no comportamento dessas pessoas que comprometem nossos pressupostos afetivos isso constituiria conseqüentemente um dolo, não só para nós que somos “traídos” por alguém que nos mostrou uma “falsa essência”, mas principalmente para o próprio traidor que será inevitavelmente “castigado pelo futuro”.
Essas duas posições, inseridas ambas em nossa cultura e componentes presentes em qualquer diálogo sobre afeto, felicidade e relação constituem heranças e paradigmas que norteiam a forma como as pessoas se descrevem a si mesmas e aos outros indivíduos. Ambas as descrições advogam a posse da “verdade” sobre as “reais necessidades” de homens e mulheres, e são, via de regra, nexos onde a vida publica e a vida privada se encontram muito próximas. O vocabulário que utilizamos para nortear nossas ações, mantendo algum grau de coesão e eficiência, na relação com outras pessoas e o vocabulário que utilizamos para firmar nessa relação os critérios para nossa satisfação ou insatisfação estão estranhamente próximos em questões afetivas e sexuais. Kafka disse certa vez que “A mulher é a ponte para o mundo”, ignorando o conteúdo relativamente machista dessa afirmação, podemos dizer que ela reflete exatamente a compreensão Nelson Rodriaguiana do ciúme e da moralidade como meros reflexos de nosso adestramento social. O outro, segundo essas duas visões, nos conduz ao mundo social e público, a felicidade comunal (diriam os reacionários) e a suas cobranças por adequação (diriam os românticos) e sua conseqüente contradição com nossos instintos “verdadeiros”.
Como habitante de uma cidade grande da America do sul profundamente inclinado, pela minha educação catolico-cristã, a monogamia e ao mesmo tempo como intelectual que aprecia a contribuição da história e tende a achar que a fidelidade, ainda que ocorrendo em um lugar ou outro, nunca chegou a constituir a regra do comportamento sexual humano eu sugeriria que sua exigência a priori e sagrada representa uma forma inadequada de sincronizar o comportamento privado e o publico. Em contrapartida a essas duas partes de minha formação eu ofereceria uma postura não fundamentalista em relação ao afeto, como tenho sugerido em relação a outras questões. Por fidelidade eu substituiria a palavra “regularidade afetiva” e por infidelidade eu colocaria e expressão “variação de comportamento sexual”, tal substituição permitiria algum ganho no campo da liberação de “enemas” afetivos da mesma forma que a palavra “erro” representa um extraordinário ganho em relação à palavra que a antecedeu “pecado”, um ganho que aumenta incomensuravelmente quando substituímos ambas pela palavra “diferença”.
Com essas mudanças poderíamos, quiçá, eliminar tanto a intolerância romântica quanto a reacionária, assumindo em relação ao afeto uma postura democrática e falibilista que não inviabilizaria a consumação nem das relações estaveis nem dos projetos afetivos que priorizam as experiências contingentes. Se a cultura prosseguir no movimento que tem adotado nos últimos três séculos creio ser inevitável que algum arranho semelhante ao que sugeri ocorra. As pessoas tem se inclinado, em minha opinião a descreverem-se de forma cada vez menos vinculada a juízos morais religiosos e homogeneizantes e a sociedade tem prosseguido desde o século XVII afrouxando cada vez mais os laços que costumavam ligar as opções privadas e a aceitação publica. Esvaziado o conteúdo religioso das uniões sexo-afetivas o que restaria do vocabulário no interior do qual a palavra fidelidade tem algum sentido? Veríamos então os sentimentos com estados contingentes e a convivência com um (a) parceiro (a) como algo não menos contingente, resultado das diversas forças, escolhas, atividades e opiniões que compõe a individualidade de cada um e não como uma escolha refletida por um “alguém” em detrimento de outros.
terça-feira, outubro 21, 2008
Trabalho !
Depois
de 14 horas de trabalho
raizes de amargura,
chuva de detritos,
um horizonte em chamas,
já não há mais nada para o amanhã
exeto talvez,
mais trabalho
e algum sintoma de patologia
inesperada.
Um grande
imenso
inominavel
tonel de merda me parece
tudo isso.
Mas a mente escorre para o final do
mês,
um condenado a prisão perpétua
esperando o
proximo prato
de sopa fria.
de 14 horas de trabalho
raizes de amargura,
chuva de detritos,
um horizonte em chamas,
já não há mais nada para o amanhã
exeto talvez,
mais trabalho
e algum sintoma de patologia
inesperada.
Um grande
imenso
inominavel
tonel de merda me parece
tudo isso.
Mas a mente escorre para o final do
mês,
um condenado a prisão perpétua
esperando o
proximo prato
de sopa fria.
segunda-feira, outubro 13, 2008
Residência
Moro em um quarto pequeno
com alguns livros
muita baratas
e uma senhora um
tanto melancólica
que tem sido boa para mim
na maioria das vezes.
Minha janela abre-se para um mundo
em crise
Papeis cheios de poesias possiveis
fogem das minhas mãos
sujas e ocupadas.
Meus amigos,
quase todos,
se debatem
também contra o destino.
Já carreguei fardos de farelo
limpei latrinas nas madrugadas
de um mundo cada vez mais rico
e mais feliz.
Chorei em domingos ensolarados
e fiquei muitos contente durante
algumas hecatombes.
Agora eu quero apenas uma trégua,
vou exibir minhas credenciais
diante do acaso
e exigir
e que minhas tristezas possam abrir as suas asas
cinzas sobre o mundo
livremente.
com alguns livros
muita baratas
e uma senhora um
tanto melancólica
que tem sido boa para mim
na maioria das vezes.
Minha janela abre-se para um mundo
em crise
Papeis cheios de poesias possiveis
fogem das minhas mãos
sujas e ocupadas.
Meus amigos,
quase todos,
se debatem
também contra o destino.
Já carreguei fardos de farelo
limpei latrinas nas madrugadas
de um mundo cada vez mais rico
e mais feliz.
Chorei em domingos ensolarados
e fiquei muitos contente durante
algumas hecatombes.
Agora eu quero apenas uma trégua,
vou exibir minhas credenciais
diante do acaso
e exigir
e que minhas tristezas possam abrir as suas asas
cinzas sobre o mundo
livremente.
sexta-feira, outubro 10, 2008
Overall
Não sei o que diria Neruda
Nem como cantaria isso o dylan.
A dificuldade em erguer-se da bruma
para verter nosso sangue em vão.
Emergir do escuro,
da redenção vazia do nada,
Para comtemplar a face do horror
por 12 horas seguidas.
Golpeando com o desespero
psicopatas sem diagnóstico,
Cristos sem rebanho,
Santos sem céu,
Sabios sem adoradores.
E no final de tudo...
Abrir a porta de casa,
tirar o sapato,
sorvendo
sabendo ,
e desejando,
.....
a paz
...
Para descobrir
em seguida
que não
terminou.
Por um motivo ou
outro.
......
ver as coisas
se impondo
e ficar
oservando...
Eu
aceito.
Nem como cantaria isso o dylan.
A dificuldade em erguer-se da bruma
para verter nosso sangue em vão.
Emergir do escuro,
da redenção vazia do nada,
Para comtemplar a face do horror
por 12 horas seguidas.
Golpeando com o desespero
psicopatas sem diagnóstico,
Cristos sem rebanho,
Santos sem céu,
Sabios sem adoradores.
E no final de tudo...
Abrir a porta de casa,
tirar o sapato,
sorvendo
sabendo ,
e desejando,
.....
a paz
...
Para descobrir
em seguida
que não
terminou.
Por um motivo ou
outro.
......
ver as coisas
se impondo
e ficar
oservando...
Eu
aceito.
quinta-feira, outubro 09, 2008
Conciliação
Eles estão parados no meio
Com a sua cota de ódio,
Eles estão afastando o incerto
Com socos, gritos, exigências ou julgamentos.
Eles são muitos...
Milhares sobre a face da terra.
Entulhando as estradas com verbos, adjetivos e marcas.
Eles estão parados no meio,
E precisam estar certos.
Exigem estar certos.
Matariam Bebezinhos e comeriam seus figados
Para estar
Certos
Pode-se olha-los e conhecê-los com facilidade
Não oferecem mistérios
Não oferecem perguntas
Não nos acenam com as mãos
Só possuem o ódio
O mêdo
E o imenso e inexoravel desejo
De estar
Certos
Ó miseraveis....
Meus irmãos.
Com a sua cota de ódio,
Eles estão afastando o incerto
Com socos, gritos, exigências ou julgamentos.
Eles são muitos...
Milhares sobre a face da terra.
Entulhando as estradas com verbos, adjetivos e marcas.
Eles estão parados no meio,
E precisam estar certos.
Exigem estar certos.
Matariam Bebezinhos e comeriam seus figados
Para estar
Certos
Pode-se olha-los e conhecê-los com facilidade
Não oferecem mistérios
Não oferecem perguntas
Não nos acenam com as mãos
Só possuem o ódio
O mêdo
E o imenso e inexoravel desejo
De estar
Certos
Ó miseraveis....
Meus irmãos.
sábado, setembro 27, 2008
quarta-feira, setembro 24, 2008
Cantar
Alguém irá cantar para mim quando eu partir
E as mãos do tempo irão tocar o dia.
Minha dor voará por sobre as casas
Gritando
um sim.
Alguém irá cantar
para mim quando eu partir
E minha semente
seguirá com o fardo da batalha
e da esperança louca,
O vento acusará os vermes
que sugaram minha medula,
os seres pobres
que ficaram no caminho.
Alguém irá cantar quando eu partir
sem saber se partir tem algum propósito
ou se é somente o proximo engano.
irei me despindo aos poucos
diante do olhar mesquinho
de quase todo mundo
até ficar inteiro novamente
como sempre foi
enquanto consegui cantar.
E as mãos do tempo irão tocar o dia.
Minha dor voará por sobre as casas
Gritando
um sim.
Alguém irá cantar
para mim quando eu partir
E minha semente
seguirá com o fardo da batalha
e da esperança louca,
O vento acusará os vermes
que sugaram minha medula,
os seres pobres
que ficaram no caminho.
Alguém irá cantar quando eu partir
sem saber se partir tem algum propósito
ou se é somente o proximo engano.
irei me despindo aos poucos
diante do olhar mesquinho
de quase todo mundo
até ficar inteiro novamente
como sempre foi
enquanto consegui cantar.
segunda-feira, setembro 22, 2008
Ela
Será que ela sabe o quanto?
Terrtórios inexplorados e imensos
esperando o olhar dela para existir.
Mas talvez nunca existam,
leis inesgotaveis,
regras gigantescas,
e uma cara hedionda me olhando
no espelho....
Será que ela sabe o quanto?
Terrtórios inexplorados e imensos
esperando o olhar dela para existir.
Mas talvez nunca existam,
leis inesgotaveis,
regras gigantescas,
e uma cara hedionda me olhando
no espelho....
Será que ela sabe o quanto?
quarta-feira, setembro 17, 2008
Cerveja no domingo.
Existem pessoas importantes nas ruas e avenidas,
motivações santificadas florindo ao sol nascente,
Escolhas cruciais sendo tomadas nas latrinas.
Nas arquibancadas dos açougues
sangue jorra cantando aleluias a locomotiva do amanhã
e enquanto a importância arranca a pele fresca do momento,
Eu bebo cerveja aos domingos.
Sei que existem fracassados e heróis
bandeiras, bundas, paraisos valentia e talvez
alguma
esperança.
Mas quando me permito esqueçer
a guerra,
quando a furia da metralha e o desejo louco de existir se calam
eu sento,
talvez com algum blues
fico em paz com tudo
e bebo cerveja
no domingo.
motivações santificadas florindo ao sol nascente,
Escolhas cruciais sendo tomadas nas latrinas.
Nas arquibancadas dos açougues
sangue jorra cantando aleluias a locomotiva do amanhã
e enquanto a importância arranca a pele fresca do momento,
Eu bebo cerveja aos domingos.
Sei que existem fracassados e heróis
bandeiras, bundas, paraisos valentia e talvez
alguma
esperança.
Mas quando me permito esqueçer
a guerra,
quando a furia da metralha e o desejo louco de existir se calam
eu sento,
talvez com algum blues
fico em paz com tudo
e bebo cerveja
no domingo.
terça-feira, setembro 16, 2008
Ao Deus Desconhecido.
O vale é mais perigoso quando
a chuva ameaça e não vem
Pó na gola de nossas camisas,
o gado sedento sem agua
E os filhos do patrão devorando toda comida
Os mais velhos sussuram escuros segredos
Loucos, os jovens bebem como servos dementes.
A cabeça de meu cavalo tombou com um baque
e minha mulher estremece se tardo.
Mas precisamos atravessar esses dias
e seus maus presságios
tributos sem resposta a um deus
que já não serve.
sábado, agosto 30, 2008
quinta-feira, agosto 28, 2008
Balada do desespero e da batalha.
Buracos na estrada, meu amor.
Guardemos as migalhas e os resquicios
do que temos
para um amanhã incerto.
A garra e o pavor se esgueiram
a peçonha da maldade
nos persegue,
Edificios no horizonte,
avaliações e prazos,
Numeros, papeis, trovões, morte
desespero.
As portas entreabertas e os
olhares,
terriveis arvores secas e locomotivas mortas
em meio ao caminho que não nos leva a parte alguma.
que não nos levam
a parte
alguma.
Corre minha pequena,
carrega minha arma
prepara nossa mala,
Essa noite fugiremos
antes que a onda se levante e engula nossos sonhos
se eles não tiverem sido estraçalhados
por nossas proprias mãos
covardes .
Guardemos as migalhas e os resquicios
do que temos
para um amanhã incerto.
A garra e o pavor se esgueiram
a peçonha da maldade
nos persegue,
Edificios no horizonte,
avaliações e prazos,
Numeros, papeis, trovões, morte
desespero.
As portas entreabertas e os
olhares,
terriveis arvores secas e locomotivas mortas
em meio ao caminho que não nos leva a parte alguma.
que não nos levam
a parte
alguma.
Corre minha pequena,
carrega minha arma
prepara nossa mala,
Essa noite fugiremos
antes que a onda se levante e engula nossos sonhos
se eles não tiverem sido estraçalhados
por nossas proprias mãos
covardes .
quarta-feira, agosto 20, 2008
Cortinas
Nós não sabemos onde chegar
e na verdade puco importa.
As cortinas cobrem os viadutos a as auto-estradas
e o experimento geral do mêdo não termina.
Estamos todos em acordo com relação a esse ponto:
Que permaneçam os dedos costurados
e que as palavras não digam coisa alguma
para que cheguemos satisfeitosa terra cinza do sucesso
do êxito
e da frustração final
Esse é o unico fundamento
dos pedidos de desculpa
e das privações
do amor abnegado e do grito indignado
sucesso êxitoe a frustração final.
PAra exaurirmos satisfeitos nosso sopro breve
felizes de que descemos abraçados
em trincheiras diferentes
de uma batalha universal.
e na verdade puco importa.
As cortinas cobrem os viadutos a as auto-estradas
e o experimento geral do mêdo não termina.
Estamos todos em acordo com relação a esse ponto:
Que permaneçam os dedos costurados
e que as palavras não digam coisa alguma
para que cheguemos satisfeitosa terra cinza do sucesso
do êxito
e da frustração final
Esse é o unico fundamento
dos pedidos de desculpa
e das privações
do amor abnegado e do grito indignado
sucesso êxitoe a frustração final.
PAra exaurirmos satisfeitos nosso sopro breve
felizes de que descemos abraçados
em trincheiras diferentes
de uma batalha universal.
domingo, agosto 10, 2008
Um longo caminho
Ninguém sabe como começa. Quando cada um de nós se dá conta já é tarde demais, só resta seguir em frente. Não é um passeio, nem uma escola. Trata-se de uma expectação constante, uma observação sem conclusões ou uma guerra infindavel. Não podemos nos esquivar. Cada um de nós está sozinho. Tentando obter êxito a qualquer custo, cada um dispõe a principio só de si mesmo e do que faz disso depende todo resto. Há tantas estratégias quanto pessoas no mundo e ninguém é inocente, isso nos irmana e nos afasta. Gostariamos de legitimar nossas pretensões de êxito, mas não existe nada de ilegitmo ou de legitimo. Tudo que há é a luta e a tentativa de dela evadir-se, que também é luta, e a consciência que nada mais é que o risco que essa luta acarreta.
quinta-feira, agosto 07, 2008
Finitude.
Como um náufrago me encontro diante dos teus olhos
E dos teus desejos.
Quase sem recursos, sem palavras luminosas e sem a fúria necessária
Para ser acreditado.
As nuvens não respondem, elas apenas carregam a água e os trovões
E o sol não nos ajuda, ele apenas traz a sede e a consciência de nossa caminhada
Por isso estou diante de teus olhos sem palavras e sem gestos
Sem querer subtrair uma vírgula ao texto inacabado
Nem erguer-me mais que o indispensável para conseguir sobreviver.
Meu bem, estou diante dos teus olhos.
Será que voçê pode suportar e sustentar-se
Sem reduzir nem macular
O copo de café e a sentença que define
O beijo de amor e a ferida que nos acompanha?
Ah querida, silencia enquanto o tempo escorre
Pelas nossas rugas e pelos nossos devaneios
Silenciosas confissões de nossa finitude.
E dos teus desejos.
Quase sem recursos, sem palavras luminosas e sem a fúria necessária
Para ser acreditado.
As nuvens não respondem, elas apenas carregam a água e os trovões
E o sol não nos ajuda, ele apenas traz a sede e a consciência de nossa caminhada
Por isso estou diante de teus olhos sem palavras e sem gestos
Sem querer subtrair uma vírgula ao texto inacabado
Nem erguer-me mais que o indispensável para conseguir sobreviver.
Meu bem, estou diante dos teus olhos.
Será que voçê pode suportar e sustentar-se
Sem reduzir nem macular
O copo de café e a sentença que define
O beijo de amor e a ferida que nos acompanha?
Ah querida, silencia enquanto o tempo escorre
Pelas nossas rugas e pelos nossos devaneios
Silenciosas confissões de nossa finitude.
terça-feira, julho 15, 2008
O anzol e o sonho.
Elas esperam por voçê...
E o anzol parado reluzindo na sombra
de nossas noites errantes
de vagabundagem e solidão.
Uma cama quentinha,
comida decente,
e com sorte
algumas belas e regulares trepadas
sem camisinha.
Na chama dos ciúmes partilhados
e na guerra inevitavel de ser gente.
Um Deus cativo no altar do afeto.
Sem nenhum espaço
para SER SOZINHO.
Ou então...
Uma pustula etlíca se arrastando nas esquinas da miséria.
Elas esperam por voçê.
Para dar sentido ao movimento equivocado
da vida dividida,
sugar-lhe a seiva a pretexto de cuidado,
secar-lhe o brio a pretexto de virtude
fazendo de voçê um cidadão decente.
Dividido em vidas paralelas para não abraçar espinhos.
Elas esperam por voçê.
E voçê espera pela exceção.
quinta-feira, julho 03, 2008
Velhice e amor
A tarde começava a cair quando isaac levantou-se da poltrona ainda sonolento. Os remédios para reumatismo costumavam lhe deixar com o corpo mole e cabeça pesada. Pegou o livro de contos em cima de mesinha da sala e arrastou as sandalias até o sanitário. era o único lugar apropriado para se fazer uma leitura sossegado.Era um bom livro aquele, mas o autor levava muito a sério coisas banais como a existência de Deus ou a escrotidão feminina. "Todavia parece ser um bom sujeito esse tal de Enzo De marco" Pensou Issac. Terminou as suas necessidades elementares, se limpou e deu a descarga. Na sala a sua senhora também já tinha despertado do cochilo vespertino e preparava o café, a janta ou qualquer outra merda que a fizesse acreditar que era importante enquanto resmungava, reclamava e cantava musicas evangelicas . "Ficar velho é de fato uma das piores drogas que acontecem com o individuo quando ele ainda não resolveu dissolver-se dentro de algum tipo de misticismo". Isaac pensava coisas desse tipo, pois sua cabeça doia e sua senhora tinha acabado de retomar a cantiga sobre as infidelidades da juventude de isaac. Toda tarde, precisamente entre as 15:00 e as 19:00 quando a casa voltava a ser ocupada por outras pessoas, a senhora de isaac retomava a mesma narrativa. Eram traições atrás de traições. Umas reais (mas e daí se ela aceitou e não deu o fora?) outras pura invenção, estas por sua vez, frutos de sua sensação de rejeição, derrota, putrefação, incapacidade e dependência.Essa torrente de lama esculpida e costurada com pedaços de eventos reais tranformava-se miraculosamente em uma aura magnifica de brilho e superioridade moral ao tocar a esposa de isaac. Na dor de sua condição ela elevava-se acima do comum dos mortais, não era somente mais uma fracassada, tornava-se uma martir.
Isaac sabia disso tudo e justamente por isso tinha aprendido a não se ofender. Na verdade não deixava de admitir sua parcela de culpa. Continuar casado com cecilia foi uma escolha reiterada durante anos. Reconhecia também que tinha sido um contrato vantajoso para ambas as partes. Para ele o casamento foi garantia de uma casa sem baratas, comida não apodrecida e sexo de qualidade e para ela... bom se foi mal para ela, foda-se! ela é quem deveria saber se virar e dar um jeito na coisa toda. Cecilia Já tinha sido uma bela mulher. Não linda, é verdade, mas era gostosa. Trepava bem também. E apesar de não ser um gênio não implicava com as loucuras literário-filosóficas dele. Era um tanto ôca, mas dava lugar ao eco da voz narcisista do isaac e ele gostava disso. O único problema é que ela era uma mulher e também queria sua fatia de veneração, uma veneração que no caso dela tinha de vir de outra pessoa. Isaac nunca tivera esse problema e continuava sem tê-lo. Só queria gozar e viver sua vida, o mundo e as pessoas que fizessem o que lhes parecesse melhor. Agora Isaac pensava na morte e em uma trepada gostosa com beijo de lingua, algo absurdo e impossivel em sua idade.
Entrou na cozinha e pegou uma fatia de pão, passou manteiga e levou a bôca enquanto Cecilia gritava e acusava. Sua filha entrou na cozinha beijou seu rosto depois beijou a mãe e saiu. Menina Esperta, ele pensou. Tá cagando e andando para as tramas alheias. "Essa sim vai saber gozar, seguir em frente e ainda se emocionar com o pôr do sol". Depois reconsiderou: "Pai babaca. Tudo é uma merda só."
Isaac foi para o quarto e deitou na cama onde já dera tantas metidas magnificas. Também já gritara de desepero e mêdo em silêncio. Pensou no Buda, no Krishnamurti, grandes sujeitos, tentou meditar. Esvaziou a mente e se sentiu muito bem com isso, dava uma sensação de poder e de força. Os pensamentos voltaram. A imagem de uma mulher que trepara a uns 10 anos flutuou derrepente em sua cabeça. "Cionara, que nome, que Foda". Um beijo tão quente, uma coisa tão triste e tão itensa e... desesperada, mas escapou de suas mãos, como tudo de bom que lhe atravessara o caminho. Isaac se sentiu triste e exitado. Colocou o pau semi ereto para fora e começou a se masturbar. "Ahhh, sim, sim " Ele repetia baixinho fazendo algo de que já se tinha esquecido. A mão se agitou, começou a trabalhar de verdade. Ele voltou ao pasado em uma corrida louca e impossivel. Sentiu o coração doer em uma forte pontada. O pau ficou vermelho e Grande. A dor tornou-se insurpotavel, seu peito estava explodindo. Esporrou como um chafariz, perdendo a consciência junto com o desejo. Caiu de lado sorrindo e morreu.
quarta-feira, junho 25, 2008
Entendimento.
Sem saber para que lado olhar
como um bebado a se amparar
nos poucos amigos que persistem
eu sigo.
O chão partido
o frutos que não vingam
A mão, o tato e o olhar já não encantam
e o ferrugem das coisas esquecidas recobre
o campo lindo de girassois que semeei.
O olhos mesquinhos querem ver-me de joelhos
ou olham simplesmente seus reflexos,
mas mantenho o brio.
Não sei quem veio pra ficar
nem quem só quer roubar o que restou do nada.
Não temos,todavia, outra escolha senão semear
estrelas de sangue nos céus da persistência
sem esperar entendimento das pessoas.
como um bebado a se amparar
nos poucos amigos que persistem
eu sigo.
O chão partido
o frutos que não vingam
A mão, o tato e o olhar já não encantam
e o ferrugem das coisas esquecidas recobre
o campo lindo de girassois que semeei.
O olhos mesquinhos querem ver-me de joelhos
ou olham simplesmente seus reflexos,
mas mantenho o brio.
Não sei quem veio pra ficar
nem quem só quer roubar o que restou do nada.
Não temos,todavia, outra escolha senão semear
estrelas de sangue nos céus da persistência
sem esperar entendimento das pessoas.
segunda-feira, junho 16, 2008
quinta-feira, junho 12, 2008
Uma canção para deni.(delirio de amor cético)
É duro saber o quanto tudo importa tão pouco,
quando nem temos o bastante para prosseguir
nos importando.
Não é nada agradavel sangrar olhando o sol
se pôr,
Nem catar cacos de aurora nos litorais azuis
do desespero.
Mas pelo menos ela está ali...
desfiando também o seu rosário cético,
ciente da separação inevitavel entre nossas consciências
e da linha carnal que une nossas vidas.
É bom ouvir o teu suspiro,
e recostar no teu colo doce
enquanto tudo se desfaz, se renovando eternamente,
e apesar de tudo
e apesar de tudo
ela ainda está ali.
quando nem temos o bastante para prosseguir
nos importando.
Não é nada agradavel sangrar olhando o sol
se pôr,
Nem catar cacos de aurora nos litorais azuis
do desespero.
Mas pelo menos ela está ali...
desfiando também o seu rosário cético,
ciente da separação inevitavel entre nossas consciências
e da linha carnal que une nossas vidas.
É bom ouvir o teu suspiro,
e recostar no teu colo doce
enquanto tudo se desfaz, se renovando eternamente,
e apesar de tudo
e apesar de tudo
ela ainda está ali.
domingo, junho 01, 2008
A filha querida
"Me dei conta de que não podia ser de outra maneira." Respondeu o velho homem coberto pela poeira das andanças ao ser questionado sobre como recebeu a noticia do assasinato da filha única que tinha se tornado prostituta em recife. "A mãe dela adorava a noite, e eu sou somente um pobre e ignorante catador de papelão." Suas mãos encarquilhadas pelo trabalho exaustivo se esfregavam uma na outra, fazendo um ruido seco, que se fazia ouvir nos intervalos de sua confissão. " Muito cedo minha filhinha se afeiçou a mãe que passava os dias ao seu lado enquanto eu rastejava pelas ruas e pelos aterros sanitários em busca do que os doutores não puderam aproveitar. A pequena foi crescendo, eu queria "botar" ela numa escola boa, sabe seu moço, mas a mãe dela achava que devia comprar roupa bonita, sapato de gente chique e vivia me maldizendo por causa da "micharia" que eu ganhava com minhas catações." O homem suspirou fundo e olhou para o céu, seu olho claro e fundo era um espelho do abandono. " Nós brigava muito seu moço, e chegou uma hora em tive que ir morar em outro lugar pois a mãe de minha filhinha vivia me ameaçando de morte. Ah seu moço, só num me pergunte como doi prum homem como eu deixar a coisinha mais linda da vida e ir embora sem saber pra onde. Minha pequeninha estava dormindo quando eu juntei meus pano e fui morar na rua." Nessa altura o olhar de seu manoel tornou-se turvo por uma lagrima, ele levantou o copo deu um gole longo na cachaça, estalando a lingua. "mas se eu fico lá, que seria dessa criança seu moço? " Seu manoel levantou a voz e deu um murro na mesa " "e se eu brigo na justiça e tomo a menina pra mim, já apegada a mãe ela não haveria de me ter desgosto então? Vê seu moço, como tudo tinha que ser? Passou-se o tempo sempre ia ver a menina, a casa da mãe se tornou um antro. Tentei varias vezes tirar a menina dali e levar ela embora, mais a danada não queria. Amava a mãe. è duro perceber que o bezerro ama a mão do açougueiro que o vai matar por causa do costume ao pasto que come todo dia." O homem gasto Agarrou a cabeça com as duas mãos e desabou sobre o balcão, estrangulado pela própria impotência. " Olha seu moço, que me censure quem quiser, mas nem deus nosso senhor faria diferente do que esse cabloco fez. Me afastei do único raio de luz dessa minha vida sem sorte nem estrada. Sim. Se cometi eu algum pecado foi o de coabitar com a mãe dessa menina que morreu assasinada em algum puteiro escuro. Viver é uma coisa estranha seu moço, e a culpa é de nossas esperanças".
terça-feira, maio 27, 2008
O filho querido
Não vá ! ela gritou ao filho que já se afastava com a arma em punho, decidido a se tonar mais um soldado do tráfico. Com o pranto lhe inundando os olhos Marta afogava-se no próprio desespero e a vida lhe parecia uma armadilha cruel...seu único filho. Sentado nos fundos João souza, o pai preparava a guia de café para mais um dia de batente como fazia todo final de tarde. "não te sensibilizas com o destino de teu filho?""" A mulher gritou batendo no peito. " Cada qual decide seu caminho" João respondeu tranquilamente, traindo, todavia, um travo de amargura em sua voz " E não existem garantias em nenhum dos caminhos que se escolhe" Ele virou-se para a mulher convulsando e disse " Antes de ser nosso, nosso filho é dele mesmo e a vida é uma coisa sozinha".
sexta-feira, maio 23, 2008
Cavaleiros e armaduras.
A muito tempo que certas questões deixaram de ter qualquer relevância para mim. A existência ou não de Deus é uma delas, o pensamento como algo desvinculado das nossas inclinações e demandas pessoais é outra. Talvez outras vidas tenham outras coisas a fazer com a existncia de Deus ou com a nessecidade muito humana de uma verdade, mas a minha vida é a única sobre a qual me sinto autorizado a dizer algo. Isso me faz lembrar de ítalo calvino e o seu "cavaleiro inexistente" Alguns precisam da certeza abstrata pois a própria substância concreta é vaga, eles temem perder-se. Outros tem tanta substância concreta que não tem consciência alguma da própria existência abstrata, e rolam soltos no meio das coisas sem conseguir delas apropriar-se. De qualquer maneira essa divisão, como a maioria dos meus pensamentos, é quase arbitraria. A minha vida e o meu caminho se impõem, e se eu desejaria ver as pessoas assumirem um meio termo entre as "taras" do pensamento e os "dogmatismos" da ignorância, isso também tem suas raizes no meu próprio percurso egoista. No entanto gosto de me perguntar: poderia ser diferente?
terça-feira, abril 22, 2008
Campo aberto
Nada mais comum que o homem pense sobre seu próprio tempo dando-lhe um papel especial sobre os demais momentos da história. Isso ocorre tanto nas mais elevadas e pretenciosas formas de pensar como nas mais simples e comuns, e por constituir uma forma tão comum e muitas vezes util de lidar com os fatos não irei condenar esse complexo de épico. Apenas gostaria de apontar parao outro lado, para a contigência especifica de cada momento, para a aventura agônica de viver e atravessar o espaço entre o berço e o tumúlo colhendo perçepções, vivendo do interior da própria vida com o que pomos nela er com o que ela nos põe ( e essas duas coisas não estão separadas). Com isso eu quero muito pouco. Afastar os idólos de pedra ensaguentada, os mitos sobre humanos, e deixar o campo aberto, para semear e partir sem esperar pelos frutos.
segunda-feira, abril 14, 2008
Para proseguir, ensaio de um pragmatismo romantico.
A vida pode não ser uma perspectiva sombria. No final das contas nos pegamos vivendo um dia de cada vez e percebendo que isso é a melhor coisa que pode acontecer, embora isso não exclua os mais audaciosos planos e projetos. Veja bem: é só uma questão de dimensionar a referência de nossos anseios. Somos homens e caímos na vida sem saber se existe ou não algum projeto inicial, de onde viemos e para onde vamos, e talvez essa dúvida seja a parte mais importante do projeto, ou da falta de um. Somos finitos. Cada segundo de vida é um passo de dança a beira de um abismo no qual se perdem os nossos pensamentos. Mas ainda assim dançamos, pois o abismo é apenas um limite para nossa coreografia e não a determinação de como iremos dançar. É uma coisa puramente formal a morte. Sabemos que ela virá, sem sabermos nada a seu respeito exceto que é um limite. Alguém disse que a morte não afeta em nada nosso ser pois ela vem de fora, de fora das teias de relações no interior das quais existimos. Penso, se isso servir para alguma coisa, que devemos portanto sondar nossos passos de dança na perspectiva desse fato, o de que morremos, sem tentar extrair certezas dele, (isso seria ignorar que além da morte existem outros limites tão intransponíveis quanto aquele.) e que se formos simplesmente seguindo sem perder a consciência acerca desses limites , teremos um vida boa e digna mesmo que isso seja bem diferente para cada pessoa.
Há uma certa fatalidade positiva nisso tudo, sim, porque a fatalidade pode ser boa ou ruim. Há coisas que quando aceitamos se tornam mais simples, nossos desejos tem essa natureza. Lutar contra eles é terrível, aceitá-los– o que implica mais que satisfazê-los- nos alivia de um fardo, e libera energias para ir em frente deixando brotar novos desejos. Aceitar as condições concretas de nossa existência– por mais vago e absurdo que seja isso - tem um certo “quê” de um pragmatismo romântico, pois nos permitiria ultrapassar o que é aceitando-o e nos movimentando em seu interior, deixando exibir-se “o que aparece” como dizem os céticos, deflacionando o ideal e mantendo-se atento a contingência do momento.
Sacudir o pó da inércia e da certeza, ir em frente assumindo risco e abandonando culpas: não seria isso já uma espécie de romantismo? Não estabelecer nenhuma meta descolada do presente, da historia da relação que se estabelece entre nossos interesses atuais e o mundo ao redor: não seria isso uma forma de pragmatismo? Veja meu amigo, eu lhe falo como um homem que também quer continuar, e essas palavras se dirigem muito mais a mim que a você, mas também meu coração tem em ti alimento por isso me realizo duplamente ao ver nos teus olhos o meu reflexo e o mesmo anseio.
Os filósofos, penso, levam demasiado a sério os seus pensamentos, os místicos levam demasiado a sério as suas dores, e nós, que não somos nem filósofos nem místicos, oscilamos entre o medo contingente da dor e as canonizações eventuais do pensamento. Por isso, creio, não podemos nos jactar de uma superioridade em relação a aos filósofos nem aos místicos, pois assumimos ocasionalmente a mesma forma de vida deles, nos alimentando inclusive do que eles produziram, nem podemos nos sentir inferiores, pois é para nós que se dirigem seus trabalhos e é a nós que eles tentam convencer.
Talvez alguns destes grandes homens estivessem certos, talvez um dia venhamos a descobrir que deveríamos ter abandonado as demandas e solicitações do mundo nadado contra a correnteza, mas não vejo como artificialmente transmutar em fato uma hipótese, e viver por suposições e relações entre um pensamento e outro. Por isso irei seguindo, desviando pedras e das dores e incrementando a obviedade da sobrevivência com alguma estética ou mesmo alguma metafísica.
Há uma certa fatalidade positiva nisso tudo, sim, porque a fatalidade pode ser boa ou ruim. Há coisas que quando aceitamos se tornam mais simples, nossos desejos tem essa natureza. Lutar contra eles é terrível, aceitá-los– o que implica mais que satisfazê-los- nos alivia de um fardo, e libera energias para ir em frente deixando brotar novos desejos. Aceitar as condições concretas de nossa existência– por mais vago e absurdo que seja isso - tem um certo “quê” de um pragmatismo romântico, pois nos permitiria ultrapassar o que é aceitando-o e nos movimentando em seu interior, deixando exibir-se “o que aparece” como dizem os céticos, deflacionando o ideal e mantendo-se atento a contingência do momento.
Sacudir o pó da inércia e da certeza, ir em frente assumindo risco e abandonando culpas: não seria isso já uma espécie de romantismo? Não estabelecer nenhuma meta descolada do presente, da historia da relação que se estabelece entre nossos interesses atuais e o mundo ao redor: não seria isso uma forma de pragmatismo? Veja meu amigo, eu lhe falo como um homem que também quer continuar, e essas palavras se dirigem muito mais a mim que a você, mas também meu coração tem em ti alimento por isso me realizo duplamente ao ver nos teus olhos o meu reflexo e o mesmo anseio.
Os filósofos, penso, levam demasiado a sério os seus pensamentos, os místicos levam demasiado a sério as suas dores, e nós, que não somos nem filósofos nem místicos, oscilamos entre o medo contingente da dor e as canonizações eventuais do pensamento. Por isso, creio, não podemos nos jactar de uma superioridade em relação a aos filósofos nem aos místicos, pois assumimos ocasionalmente a mesma forma de vida deles, nos alimentando inclusive do que eles produziram, nem podemos nos sentir inferiores, pois é para nós que se dirigem seus trabalhos e é a nós que eles tentam convencer.
Talvez alguns destes grandes homens estivessem certos, talvez um dia venhamos a descobrir que deveríamos ter abandonado as demandas e solicitações do mundo nadado contra a correnteza, mas não vejo como artificialmente transmutar em fato uma hipótese, e viver por suposições e relações entre um pensamento e outro. Por isso irei seguindo, desviando pedras e das dores e incrementando a obviedade da sobrevivência com alguma estética ou mesmo alguma metafísica.
sábado, março 29, 2008
Filosofia da Trincheira ll
Colocar as coisas em termos de certo e de errado, de verdadeiro e falso é uma tara nossa, tanto por parte dos imoralistas como por parte dos senhores defensores do ideal. Pretendo sair dessa esfera "teologica", pretendo descrever cada coisa de uma forma totalmente pessoal, mas ou menos como Max Stirner fez no único e sua propriedade, deixando explicito na narrativa o meu interesse em relação as descrições que ofereço, e não obstante, vinculando esse interesse as minhas relações com o mundo, com as pessoas e tudo o mais. Dessa maneira, creio, minhas esperanças em relação a como as coisas "deveriam ser" não estariam fundadas na nessecidade nem na verdade, mas apenas na finitude e na minha propria experiencia pessoal, no meu desejo de gozo e de criar o mundo "a minha imagem e semelhança". Assim evitaria a critica sebosa dos idealistas contra o egoismo, e a limitação, a falta de criatividade e o ressentimento dos "imoralistas". O mundo é "caotico"? é que as pessoas ainda não aprenderam a tornar suas relações prazerosas e não contraditorias livrando-se do vocabulario metafisico-cristão, apostando na propria auto-suficienciia e exigindo um minimo de certezas praticas. "Romantismo Pragmatico" é assim que José Crisostomo chama essa filosofia, eu prefiro chama-lá "filosofia da trincheira," para acentuar o carater de risco, responsabilidade pessoal e incerteza que envolve uma vida assim, e não obstante, a alegria e o gosto pelas coisas doces e simples que, em geral, só conhece aqueles que provaram o gosto das batalhas .
quarta-feira, março 19, 2008
Diário de guerra blues.
Desperto, mas não curado
me levanto do quarto quente
com o rosto amarrotado.
na cama ela dorme ainda
caida e encantada
o corpo moreno enroscado
na almofada
doi-me o corpo cansado
da hora extra, noite adentro.
Minha mão lateja e meu peito:
Um poço de excremento.
Ela suspira e murmura
sonhando linda
perdida em campos de flores
sonhando ainda.
UM banho, ouvindo cash
na prisão de folson chorando.
Café, pão e a loucura
no canto do fogão espreitando.
A pele dela tão linda
brilha ao sol nascente
A curva convidativa do seio
seu halito tão doce e quente.
A surrada camisa escura
só de preto consigo lutar,
Na imensa loucura da guerra
eu saio para revidar.
Novas instancias da crise
sem pensar em desistir de tentar
eu deixo minha alegria dormindo
espremo o gatilho sentindo
A força que seu sonho me dá.
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